Será minha amante?
Será minha namorada?
Será minha esposa?
Será minha melhor amiga?
Será minha advogada?
Não será nada minha?
Eu imagino que será tudo isso um dia.
Será?
Olivia tinha acordado cedo para trabalhar naquele dia tranquilo no departamento. Elliot estava de folga naquele final de semana; ele contou que estava na praia com a família.
Depois que o Munch finalmente dispensou Olivia de ficar ali sentada sem ter nada pra fazer, decidiu ir ao salão e cortar o cabelo.
Eu estava com aquela sensação incômoda de que precisava mudar algo em mim, começar por algum lugar, então fui direto.
Assim que saí, já estava a caminho do restaurante para encontrar minha mãe... e a minha namorada, que provavelmente já estava me esperando, já que como sempre eu estava atrasada.
— Olivia!
Wendy acenou com entusiasmo fazendo Olivia ri e acenar de volta quando entrou no restaurante.
A verdade é que nós estávamos em crise. Ela tinha ciúmes de absolutamente todo mundo, e nós brigávamos todos os dias. Sempre terminava da mesma forma: sexo, silêncio, e depois tudo começava de novo.
Serena havia ligado mais cedo avisando que a Wendy tinha se convidado para se juntar no jantar e Olivia só confirmou.
Eu gosto da Wendy, mas eu estava cansada. Às vezes, eu simplesmente não dizia nada. Nada mesmo.
— Oii, mãe!
Olivia disse dando um beijo na bochecha de Serena.
— Oi, filha! Você está linda com esse corte! Serena acariciou minha bochecha, e eu ri feito boba.
— Muito obrigada, eu também gostei. Olhei para Wendy. — Oi, bebê.
Beijei sua bochecha e me sentei ao lado dela, enquanto Serena sentava à minha frente.
Era sempre a mesma rotina: jantar naquele restaurante italiano, vinho, sobremesa, café depois, minha mãe sempre pedia um café carioca, e eu acompanhava.
Enquanto eu tomava o meu, notei minha mãe me olhando direto nos olhos, com o cenho franzido. Ela percebeu que eu estava deixando Wendy falar sozinha — e sabia que eu já não estava bem nessa relação.
— Vou ao toalete, já volto!
Wendy levantou e seguiu até o banheiro. Serena e Olivia a seguiram com o olhar até ela desaparecer.
— Por que você não termina com ela se não está bem?
O tom de Serena era simples, direto.
— Eu estou bem, mãe, tá bom?
— Olivia Margaret Benson, quem você quer enganar?
Suspirou.
— Mãe, eu gosto dela. É que... o ciúme já está chato. Eu mal chego no trabalho e ela fica ligando, perguntando com quem estou e blá blá blá.
— Você está se sentindo sufocada?
Olivia negou com a cabeça, acabando o expresso.
— Não. Se fosse o caso, eu já teria acabado tudo.
Enquanto eu falava, algo chamou minha atenção. Um tumulto do outro lado do restaurante. Estava longe demais para ver ou ouvir direito.
— O que está acontecendo ali?
Perguntei, franzindo o cenho antes de voltar a encarar minha mãe.
— Parece briga. Ela me observou cruzar as pernas e encostar na cadeira. — E o que você pretende fazer?
— Nã... não sei. Talvez conversar? Eu gosto dela... de estar com ela.
— Amor, você não me parece bem.
Olivia franziu o cenho e olhou na direção do toalete. Wendy estava voltando. Deu uma risada boba enquanto ela se aproximava e se sentava novamente ao lado da detetive.
— Livi, vamos pra minha casa hoje?
— Não sei, eu...
Meu celular tocou. Pedi um minuto e me afastei, atendendo a ligação do Elliot. Ele estava falando sobre a filha mais velha já querer namorar.
Encostei no corredor que dava acesso ao toalete enquanto conversávamos. Depois de alguns minutos, desliguei e entrei no banheiro. Usei o toalete e, enquanto lavava as mãos, ouvi o choro abafado de uma mulher dentro de uma das cabines.
Olivia sentiu aquele impulso automático de ajudar. E se ela estivesse em apuros? Se precisasse de alguém? Olivia estava ali, no lugar certo, na hora certa.
— Oi... vai ficar tudo bem, tá bom? Falei, preocupada.
Ouvi ela assoar o nariz. Peguei rapidamente um papel e estendi por debaixo da porta da cabine.
— Você precisa de ajuda? Posso te levar pra algum lugar seguro. Quer desabafar?
Encostou o ouvido na porta e apoiou a mão ali. O choro tinha parado.
— Por que eu desabafaria com alguém que eu não conheço?
A voz da mulher saiu trêmula mesmo não chorando mais.
— Eu não vou te julgar. As chances de a gente se ver de novo são tipo... cinco por cento. E eu posso te dizer algo que você pode levar pra vida inteira.
— Tipo o quê?
— Só vamos saber se você conversar comigo...
Olivia disse ansiosa...
PERSONAGENS
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Wendy Carter, 27 anos — namora Olivia há quase 3 anos. O relacionamento das duas é conturbado porque Wendy se odeia e acha que qualquer pessoa é melhor do que ela perto da Olivia. A situação piora cada vez mais.
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Alexandra Cabot — vive um relacionamento conturbado porque é traída e sabe disso. É um ciclo vicioso.
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