POV OLIVIA BENSON
O frio estava consumindo sua respiração mais uma vez naquele cemitério — o mesmo ar gelado, o mesmo vazio sufocante — em menos de três anos. E, claro, a morena sentia um alívio profundo por Alex não estar morta... mas aquele alívio também doía.
Doía porque saber que Alexandra estava viva significava também aceitar a possibilidade de nunca mais vê-la. Era esse pensamento que a matava por dentro.
Olivia não conseguia mais organizar a própria mente; estava inquieta, agoniada, observando a família e os amigos dos Cabot se misturando ao vento frio naquele dia.
Depois do suposto velório de Alexandra, eu acompanhei a família dela até a mansão Cabot. Eu precisava contar que ela estava viva e bem — e só esperava o momento certo.
A morena já estava sentada no sofá da sala quando Maria surgiu silenciosa, servindo chá à Sra. Cabot.
A mulher, devastada, estava ao meu lado. Fiz apenas um gesto recusando o chá, a garganta apertada demais para qualquer coisa.
Andrew estava numa poltrona, a cabeça tombada sobre a mão, perdido no próprio mundo, enquanto o Sr. Cabot permanecia de pé, encarando Olivia com tensão crescente.
— O que queria nos contar, Olivia?
Ele perguntou com o cenho apertado antes de se sentar ao lado da esposa, que chorava, e tentava ampará-la, esperei que a Maria se afastasse pra contar...
— Alexandra... ela... ela está viva.
— O que está dizendo, Olivia? — a Sra. Cabot perguntou, levantando-se de sobressalto e enxugando as lágrimas com um lenço trêmulo.
— Olivia? — o Sr. Cabot insistiu quando me levantei, apenas assentindo.
— Você está falando sério? — Andrew perguntou, já chorando.
— Eu falei com... com ela. E está tudo bem. Os federais levaram ela e... nos disseram que era melhor ela parecer morta. Eu sinto muito.
As lágrimas escorriam do meu rosto, mas logo a Sra. Cabot se levantou para me envolver num abraço apertado.
— Nós também sentimos muito, Olivia. Sei que você gostava muito dela! — ela disse em meio ao abraço, a voz quebrada.
Fiquei na mansão Cabot pelos três dias seguintes. Depois disso, decidi voltar ao trabalho. Às vezes, eu retornava lá apenas para sentir o cheiro da Alexandra na casa.
Sentia poderia explodir de saudades; não conseguia tirá-la da minha cabeça. E, por isso, não me envolvi com ninguém — não tinha ânimo, não tinha vontade, não tinha coração para isso.
Um ano depois, Elliot e eu topamos com Rebecca Hendrix no hospital por conta de um caso. Depois disso, ele me convidou para ir ao bar após o turno.
Ele sabia do nosso passado e, de algum jeito torto, achava que eu precisava sair com alguém. Afinal, já fazia um ano que Alexandra "tinha partido".
Eu estava no balcão, tomando um chopp ao lado de Elliot, que bebia comigo enquanto Rebecca não chegava.
— Liv, já tem um ano que a Alex se foi...
— Por que você insiste tanto nisso? Eu não quero ter que sair com ninguém porque eu... eu ainda penso nela...
Elliot revirou os olhos...
— Olivia, vocês nem se falam. Você acha que ela não tem saído com ninguém onde quer que esteja? Você acha certo?
Fiquei calada, engolindo seco, justamente no momento em que Rebecca entrou no bar. Ela veio até nós, sentou-se ao meu lado e pediu um dry martini.
— Oi. Desculpa por hoje, tá bom? Você sabe que discordamos assim desde sempre...
Ela disse rindo.
— Hm... é... é verdade.
Assenti e olhei para Elliot, que se levantou, piscou para mim e me deixou revirando os olhos.
— Preciso ir, minha família me chama... Vejo você amanhã! Hendrix, até a próxima.
Rebecca deu uma risada curta quando Elliot saiu rindo atrás de si.
— Sinto muito pela Alex. Eu vi no noticiário... parece que foi ontem...
— Foi há um ano atrás. — respondi, com o cenho franzido.
— Não tive tempo de ir falar com você no velório, eu estava com a minha namorada.
Levantei as sobrancelhas.
— E onde está sua namorada agora?
— Não sei. Já tem seis meses que acabamos.
Rebecca mordeu os lábios. Eu apenas dei uma risada curta, vendo o atendente trazer mais um chopp.
— O que tem feito, Olivia? Tem saído com alguém? — ela perguntou, bebendo seu martini.
— Não.
— Olivia, já tem um ano e você não saiu com ninguém?
— Eu não tenho vontade, só isso.
Pensava muito nela, no fato de não ter aceitado morarmos juntas e agora ela estava longe...
— Olivia, você precisa superar a morte dela...
Por pouco eu não contei que Alexandra estava viva. Mas eu não podia. Já tinha sido difícil convencer os Cabot a me prometerem silêncio absoluto sobre isso; eu não podia envolver mais ninguém.
— Eu estou bem. Eu só... eu só penso nela quando olho pra alguém e eu fico mal. Eu sinto tanta falta dela...
Cocei a nuca, encarando Rebecca, que piscava sem entender a profundidade daquilo, suspirei. Precisava ir pra casa tomar um banho.
— Olivia, você precisa se tratar. Você não está bem...
Peguei alguns dólares e deixei sobre o balcão.
— Você quer carona?
Rebecca recusou com a cabeça. Ela sabia que eu estava um caco — e, naquele momento, eu fugia dos olhos curiosos da psiquiatra, que mais observava do que conversava.
— Liv, você está bem?
— Nã-não... mas vou ficar. Eu tô indo embora, tá bom? Você vai ficar bem?
Ela assentiu, e eu dei uma risada curta, quase como um aceno de despedida.
Segui para a mansão dos Cabot. Já fazia um mês que eu não pisava lá. Ao chegar, encontrei Andrew saindo com uma bolsa cheia de roupas, trancando a porta.
— Olivia, decidiu aparecer?
Ele passou por mim, e eu senti o peso da culpa nas costas.
— Andrew, eu sinto muito... eu tenho trabalhado tanto...
Ele apenas assentiu enquanto abria o carro.
— Onde estão seus pais?
— No hospital. E se você atendesse o celular, saberia o porquê.
— Andrew... o que aconteceu?
Ele respirou fundo, os olhos marejando.
— A minha mãe... ela... ela piorou.
Assenti com a cabeça, o peito apertando.
— Vou atrás de você.
Ele concordou, e eu fui direto ao hospital.
Chegando lá, encontrei os pais de Alexandra. A Sra. Cabot estava com câncer — descobriram tarde demais, mesmo com todos os tratamentos. Naquele dia, o médico me disse que ela teria apenas mais um mês de vida.
Fiquei ao lado de Andrew e do Sr. Cabot durante todo o período... e depois, durante o velório. Eu não conseguia deixá-los.
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será um dia? cabenson
FanfictionSerá minha amante? Será minha namorada? Será minha esposa? Será minha melhor amiga? Será minha advogada? Não será nada minha? Eu imagino que será tudo isso um dia. Será?
