nove meses

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POV OLIVIA BENSON

Eu estava indo pra casa depois de um dia cheio no trabalho, pensando em meu filho, pensando na Alex. A cidade passava pelas janelas do carro em borrões de luz e movimento, mas minha mente estava longe dali.

De repente, uma ligação no meu celular. O toque ecoou alto dentro do silêncio do veículo e eu atendi imediatamente, o coração acelerando antes mesmo de saber o motivo. Alex sugeriu uma sessão de terapia junto dela. Com a psicóloga dela.

No outro dia, eu estava nervosa demais e acabei tirando o sobretudo antes mesmo de entrar. O tecido pesado ficou preso entre meus braços, amassado contra meu peito, como se eu não soubesse muito bem o que fazer com ele.

Quando cheguei à recepção da clínica, o cheiro leve de desinfetante e café recém-passado pairava no ar. Alex já estava me esperando, sentada em uma cadeira na sala de espera, com as pernas cruzadas e a postura rígida.

Havia se passado um mês. Eu mal tinha visto ela e o Noah. Aquilo estava acabando comigo.

— Bom dia.

Olivia disse, preocupada, se aproximando de Alex. Seus passos foram mais lentos nos últimos metros, como se cada passo exigisse coragem. Ela reparou na aliança de Alex, no brilho discreto do metal quando a luz da recepção tocou sua mão.

Reparou também nas roupas. Alex parecia que ia tratar de um caso no tribunal estava muito formal, impecável demais para uma sessão de terapia.

— Bom dia. Respondeu Alex de volta.

Olivia desviou o olhar por um instante e conferiu a hora em seu relógio de pulso. 8:55. Faltavam cinco minutos para a sessão. O tic silencioso dos segundos parecia alto demais naquele ambiente quieto.

Ela respirou fundo antes de falar de novo.

— Você precisa ir buscar o Noah, ele não para de perguntar de você. Pode ser? Hoje?

Quando ela disse isso, meu coração quase saiu pela boca. Por um segundo, senti o peito apertar forte demais dentro do casaco que ainda segurava contra o corpo. Ela não me queria em casa ainda. Assenti.

Olivia ficou acanhada, parada ali mesmo, de pé, mal sentindo as pernas. O movimento ao redor da recepção parecia distante o barulho suave de uma porta abrindo, alguém folheando uma revista tudo abafado pelo peso daquela conversa.

Quando entramos, nos sentamos lado a lado no consultório. O ambiente era silencioso, acolhedor demais para o que estava se passando dentro de mim.

Havia uma estante cheia de livros, uma pequena planta perto da janela e duas poltronas posicionadas de frente para nós. A psicóloga dela começou a perguntar algumas coisas com uma voz calma.

Alex começou a falar como se sentia. Eu interpretei aquilo como eu sendo a culpada de tudo.

Enquanto ela falava, mantive os olhos baixos por alguns segundos, observando minhas próprias mãos entrelaçadas no colo, os dedos pressionando um contra o outro. Eu não tinha lágrimas pra chorar naquele momento. Nem isso.

Apenas ouvi, sem falar nada. Apenas fiquei na minha. Decidi dar o espaço que ela precisava, até na terapia. Mesmo com o peito apertando a cada frase. Mesmo com cada palavra dela parecendo empurrar algo pesado dentro de mim.

será um dia? cabensonHistórias para pegar e não largar. Descubra agora