POV OLIVIA BENSON
Depois da festa de Charlie, eu estava trabalhando havia dias sem tempo sequer de ir em casa. Na sala de descanso, comia minha marmita em silêncio quando Elliot apareceu, claramente decidido a continuar discutindo o caso em que estávamos envolvidos.
— Elliot, você vai continuar com isso? — perguntei, já revirando os olhos. — Será que você não se cansa?
— Eu vim te mostrar as provas, estão todas aqui nesse papel e—
— Posso ver depois de comer? — interrompi, erguendo o olhar só o suficiente pra encará-lo.
— Olivia, você—
— Liv, tem uma mulher querendo falar com você lá fora!
Fin cortou Elliot no meio da frase. Os dois me olharam ao mesmo tempo, sobrancelhas arqueadas, enquanto eu suspirava fundo, cansada.
— O que eu posso fazer pra me deixarem comer em paz? — murmurei, apoiando o rosto na mão.
Mas me levantei quase imediatamente quando vi Brooke parada do lado de fora, agradecendo a um policial que a havia deixado entrar.
— Bennet! — falei, franzindo o cenho assim que a reconheci.
— Oi... você não atendeu minhas ligações, então eu...
Meu olhar deslizou rápido até Elliot e Fin, que agora observavam a cena com curiosidade descarada. Cocei a garganta de propósito, um aviso silencioso.
— Estou saindo — disse Fin, se retirando da sala.
Elliot o seguiu, mas não sem antes colocar um papel sobre a mesinha ao lado.
— Por favor, dá uma olhada nisso — pediu, sério.
Eu revirei os olhos mais uma vez, já exausta, enquanto ele finalmente saía.
— Tá vendo? Eu tô cheia de trabalho!
Falei apontando em volta, meio sem paciência, meio rindo de nervoso.
— Tudo bem — Brooke respondeu sorrindo.
Ela olhava para a minha boca enquanto eu sorria de volta, e aquilo me deixou estranhamente consciente de cada movimento meu.
— Escuta... você quer sair comigo pra jantar?
— Você entrou aqui só pra me convidar pra jantar? — perguntei, surpresa.
— Sim... é que—
— Eu aceito!
Assenti rindo, e olhei pra Brooke, que também ria, como se aquela tensão entre nós tivesse virado algo leve de repente.
— Quando pode ser?
— Eu te ligo!
— Olivia... se você não quer, me fala logo, porque—
— Eu sinto muito — interrompi, sincera. — É que eu realmente não sei quando vou folgar. Confia em mim, tá? Eu vou ligar.
Brooke assentiu, tirando as mãos dos bolsos, finalmente relaxando.
— Bem... foi um prazer falar com você. Vou esperar sua ligação.
Vi ela sair, e foi aí que eu quase surtei.
Meu coração estava acelerado, minhas mãos inquietas. Eu estava nervosa porque fazia tempo que ninguém me convidava pra sair daquele jeito. E alguns dias depois, quando finalmente tive uma folga, liguei pra Brooke quase sem pensar.
Ela perguntou onde eu queria jantar. Eu disse qual era o meu restaurante favorito. E ela apenas confirmou a hora.
Eu estava debaixo do chuveiro, encarando a parede, pensando no que vestir... mas Alexandra insistia em aparecer na minha mente.
Onde ela está agora?
Balancei a cabeça, como se pudesse expulsar aquele pensamento.
Não. Eu também precisava sair com alguém que tivesse interesse de verdade em mim. Então eu fui.
Esperei quase duas horas naquele restaurante. Fiquei só na água, mexendo no copo, observando as pessoas entrarem e saírem.
Não entendi por que Brooke não tinha vindo. Quando finalmente chamei o garçom para pedir a conta, senti uma presença diferente.
Levantei os olhos.Alexandra se aproximava da minha mesa. O semblante triste. O olhar pesado. O coração bateu errado no meu peito.
— Alexandra... o que aconteceu com você?
Me levantei no mesmo instante, automática, e dei um beijo nas bochechas rosadas dela. Alex se sentou ao meu lado; eu estava sentada no sofá, Alex me encarando em silêncio agora.
— Liv... eu sinto muito. A Brooke, ela—
— Ah... eu ainda tô aqui esperando ela.
Falei pegando o guardanapo de pano que estava sobre minhas pernas e colocando sobre a mesa, tentando manter a voz firme.
— Liv... ela não vai vir.
— Como você sabe?
Perguntei, franzindo o cenho, sentindo um aperto subir pela garganta.
— Eu disse a ela que—
— O quê?
Minha voz saiu mais alta do que eu queria.
— Já tenho quase um ano sem um encontro, e você estragou! Por quê, Alexandra?
Alex desviou o olhar dos meus olhos. Desceu para o meu pescoço. Engoliu em seco. Respirou fundo. Ela estava nervosa — eu conhecia cada sinal. Ela não respondeu. E então, simplesmente... começou a chorar
Eu não estava entendendo nada ao vê-la chorar ali. Aquilo me desmontou. Fiquei triste, com o peito apertado, e tudo o que eu queria era protegê-la. A única coisa que consegui fazer foi me aproximar, secar suas lágrimas com cuidado e envolvê-la em um abraço.
Alex automaticamente descansou a cabeça no ombro de Olívia, os dedos encontrando a mão da detetive e a acariciando devagar, como se precisasse daquela âncora.
Eu não sabia o que dizer. Então fiquei ali, em silêncio, esperando que ela conseguisse se explicar... até que um garçom se aproximou com a conta.
— Você poderia trazer uma água sem gás, por favor? — pedi, ainda abraçando Alex. — Você quer gelo e limão, Alexandra?
Ela assentiu de leve.
— Obrigada.
Disse ao garçom. O cabelo dela era cheiroso, e aquilo me tirou completamente do eixo. Não consegui me concentrar em mais nada naquele momento.
— Foi a sua vó?
Perguntei sem olhá-la diretamente. Alex negou com a cabeça.
— Alexandra... você não vai falar comigo sobre isso?
— Liv, eu sinto muito...
— Para de lamentar e fala logo o que está te atingindo.
Ela se afastou um pouco dos meus afagos, o rosto corado, e quando ergueu o olhar, eu a encarei de volta.
— Eu não sei como falar.
— Alguém te fez chorar?
— Sim.
— Me diga quem foi...
Falei baixo, fungando, enquanto ela desviava o olhar, séria, como se travasse uma batalha interna.
— Você.
— Eu vou... eu?
Eu estava completamente confusa ao vê-la daquele jeito, corada, nervosa. Antes que eu pudesse formular qualquer outra palavra, Alex se inclinou e me beijou.
E eu, subitamente, retribuí.
O mundo pareceu se apagar por um segundo. Ela levou a mão ao meu pescoço enquanto me beijava, e eu senti seu coração acelerado sob meus dedos. O meu estava do mesmo jeito — eu tinha quase certeza disso. Eu estava pirando.
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será um dia? cabenson
Fiksi PenggemarSerá minha amante? Será minha namorada? Será minha esposa? Será minha melhor amiga? Será minha advogada? Não será nada minha? Eu imagino que será tudo isso um dia. Será?
