pronuncia

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POV OLIVIA BENSON

Eu estava namorando com a Linda havia cinco meses. Me sentia bem com isso, confortável até. Pensava nela com frequência — ou pelo menos pensava — até Alexandra reaparecer mais uma vez na minha vida e bagunçar tudo.

O caso era sobre um homem que estuprava e assediava garotos. E então Alex surgiu, como se nunca tivesse ido embora de verdade. Disse que o McCoy a tinha chamado pessoalmente para cuidar do processo e, ali, diante de mim e do Elliot, tentou explicar por que nunca tinha atendido nossas ligações.

— Peguei o telefone para retornar e... Alex começou, gaguejando levemente. Olhava para o Elliot, evitando a mim. Eu, porém, mantinha os olhos fixos nela, esperando. — ...me lembrei...

— De que estávamos lá quando você levou um tiro? — Elliot completou, direto, observando cada reação dela.

Alex desviou o olhar na mesma hora. Preferiu encarar a cena do crime à nossa frente. Suspendeu o ar no peito e soltou devagar, como se aquilo ainda doesse fisicamente.

— Soubemos que você já saiu do programa de proteção há três anos.

Minha voz saiu ansiosa, quase contida demais. Eu precisava daquela resposta. Mas Alex permaneceu em silêncio. Apenas engoliu em seco quando ouviu o comentário do Munch, como se tivesse sido pega desprevenida.

— Querem começar? — ele disse, quebrando o clima pesado que se instalara.

— Vamos? — Alex falou em seguida, finalmente me encarando.

Assenti com a cabeça, mesmo sentindo o coração descompassado.

Depois que Alexandra reapareceu, eu não conseguia mais tirá-la dos meus pensamentos. Ela se infiltrava em tudo — no trabalho, no silêncio, nas pausas entre uma coisa e outra. Aquilo estava me matando por dentro.

E eu sabia que, por causa disso, precisava terminar tudo com a Linda.

Não havia motivos para continuar com a Linda. Eu só queria ficar sozinha. No meu horário de descanso, fui às pressas até o tribunal, direto ao escritório dela — mas Linda não estava.

Eu ainda estava no corredor da corte quando vi Alex se aproximar. A loira sorriu de imediato ao me ver guardar o celular no bolso do sobretudo.

— Oi, Alex!

— Margaret... veio ver a pronúncia?

Ela disse já caminhando em direção à sala, a pasta firme nas mãos. Eu a segui.

— Na verdade, eu...

— Liv, será que a gente pode conversar? — ela interrompeu, num tom contido. — Eu preciso falar com você depois da pronúncia e...

Dei de ombros e assenti. Acabei soltando uma risada curta quando Alex abriu a porta, dando passagem para que eu entrasse primeiro.

Ela estava linda. Cheirosa. E isso estava errado.
Durante a pronúncia, Alex se manteve séria, concentrada — mas se irritou quando perdeu. Havia algo a distraindo, eu sentia. Quando tudo terminou, me aproximei.

— Alex, não é culpa sua.

— Mas eu sinto que é...

— Não se preocupa. Eu... eu vou achar alguma coisa que ligue isso tudo ao Klepper.

Falei enquanto já buscava o celular, discando o número do Elliot e seguindo Alex até o escritório dela. Assim que entrei, desliguei a ligação e meus olhos vagaram por um ponto qualquer daquela sala que parecia pequena demais.

será um dia? cabensonHistórias para pegar e não largar. Descubra agora