POV OLIVIA BENSON
Quando Alexandra chegou perto de mim, o cheiro do hidratante corporal dela veio primeiro, suave, familiar, quase reconfortante. Ela parecia sinceramente triste, como se conhecesse minha mãe há anos, e eu senti essa tristeza quando ela me abraçou.
Seus braços ao redor do meu pescoço me seguraram no momento exato em que minhas pernas quase falharam. Ela sempre conseguia me deixar nervosa... mas, naquele instante, eu só queria cair naquele abraço e desaparecer.
— Sinto muito pela sua perda, Liv. Alex disse baixinho.
Eu não reagi. Só soltei uma risada curta, sem humor, totalmente automática. Alex se afastou, silenciosa, ficando ao meu lado enquanto nós duas olhávamos a sepultura da minha mãe.
Ela ficou ali comigo, sem exigir nada, sem tentar me fazer falar. Ficamos em silêncio no frio, até que a chuva começou a cair fina e gelada mais uma vez. Alexandra abriu o guarda-chuva e se aproximou de mim, sem dizer palavra e só chegando mais perto, como quem diz não vou sair daqui sem você.
Só então eu cruzei meu braço no dela, e caminhamos juntas em direção ao estacionamento.
— Você quer carona?
Alex perguntou e eu apenas balancei a cabeça.
— Não... eu estou de carro, obrigada.
Engoli seco. Mordi os lábios.
— Você vai pra sua casa? Alex continuou, a voz baixa, cuidadosa. — Posso ir com você... até sua casa. Podemos jantar juntas e...
— Você vai cozinhar? Perguntei, surpresa.
— Sim... eu posso fazer isso. Não quero que fique sozinha. O que você comeu hoje, Liv?
— Na... nada na verdade.
Ela fechou a expressão na hora, claramente contrariada. Parou em frente ao meu carro e esperou eu destrancar a porta.
— Te vejo no seu apartamento, pode ser, Liv?
— Ca... claro.
Eu estava gaguejando há horas. Não sabia por quê. Só sabia que era a primeira vez que sentia algo daquele jeito por alguém na vida, como se meu corpo inteiro estivesse reagindo a ela sem pedir minha permissão.
Meus pelos se arrepiavam, meu coração disparava... e, assim que comecei a dirigir, eu desabei. Chorei durante todo o caminho, não sei se pela minha mãe ou pelos meus sentimentos por Alexandra Cabot.
Depois de quase uma hora presa no trânsito, estacionei no meu prédio. Subi para o meu andar e, quando virei o corredor, Alexandra já estava ali. Esperando. Com a postura preocupada, fofa, protetora. Tirou as luvas devagar enquanto eu destrancava a porta.
— O Cragen está perguntando se estou com você Alex disse, olhando o celular. — Vou ao banheiro, já volto, tá?
— Sim... você sabe onde fica o banheiro?
— Claro que lembro.
Ela foi, tirando o sobretudo pelo caminho. Usava uma blusa social branca e quando voltou, os dois primeiros botões estavam desabotoados, dando um ar mais íntimo sem ela perceber. Estava descalça. Colocou a bolsa e o casaco ao meu lado no sofá com cuidado.
— Liv, o que tem pra jantar?
Eu dei de ombros. Alex bufou, frustrada, e foi direto para a cozinha. Me joguei no sofá, ainda de moletom e sapatos, exausta. Fechei os olhos por uns segundos... e a campainha tocou. Fui até a porta.
— Wendy?!
— Oi, Livi... eu... eu sinto muito, eu—
Wendy engoliu as palavras quando viu Alexandra se aproximar atrás de Olivia.
— Olivia? Quem é? Alex perguntou, parando atrás de mim.
Wendy olhou para ela. Depois para mim. Depois voltou para Alex. E Alex engoliu seco, tensa.
— Quer que eu vá embora? Alexandra perguntou, já indo pegar o sobretudo.
— Claro que não, Alexandra. Por favor... não vá.
Alex parou. Assentiu devagar. Mas ficou nervosa quando viu Wendy com os olhos marejados. Olhou para mim mais uma vez.
— Vou deixar vocês conversarem. Eu... eu vou pra cozinha fazer a comida. Tchau.
Alex foi quase correndo e eu me virei para Wendy.
— Você quer entrar?
— Sim... eu...
Wendy entrou, olhando todo o apartamento de Olivia como se fosse a primeira vez, mas estava apenas examinando...
— Livi, estou com saudades. Eu sinto muito por tudo.
Sentei no sofá, cruzando as pernas, olhando diretamente para ela.
— Sente muito pelo quê exatamente? Por desconfiar de mim? Minha mãe teve que morrer pra você vir até aqui se desculpar?
Wendy respirou fundo.
— Eu precisava pensar...
— E a história se repete. Falei, amarga.
— Olha... me desculpa, tá bom?
Assenti, sem realmente concordar. Cocei a nuca, desviando o olhar. Ela se sentou ao meu lado.
— Eu nunca traí você, Wendy. Nunca. Nunca nem pensei.
Não com a Alexandra, né?
Eu menti tão bem naquele momento que quase me convenci.
— Eu sei, eu... Wendy falou corada.
— Você sabe é? Perguntei, estreitando os olhos.
— É... eu sou uma idiota. Você me perdoa?
Engoli seco. Séria. Assenti sem olhar para ela. E ali eu finalmente percebi: nós não éramos amigas. Nunca fomos. E eu não queria mais ela perto de mim.
— Claro que te perdoo, Wendy.
Wendy ficou quieta alguns minutos, depois se levantou.
— Eu vou embora. Sinto muito pela sua perda. A Serena ela... não tenho nem palavras, Livi.
Eu me levantei também, caminhando com ela até a porta sem dizer nada.
— Será que podemos nos ver depois? Wendy arriscou mesmo sabendo a resposta.
— Pra quê? Nós não somos amigas. Você lembra que sempre dizia que não queria ser minha amiga se terminasse de vez.
Ela assentiu, colocando o cachecol.
— Livi... eu sinto muito. Eu gosto de você ainda...
— Wendy, eu tô bem assim. Não dá mais certo entre nós, e já tem tempo que estávamos vivendo desse jeito. Isso foi horrível, eu sinto muito.
— Eu sei... Wendy mordeu o lábio, deu uma risada fraca e tocou minha bochecha quente. Eu fiquei imóvel. — Adeus, Olivia.
Forcei um sorriso. Ela saiu. Tranquei a porta.
E quando me virei... Alexandra estava me olhando. Braços cruzados. Seriedade absoluta. Respiração pesada. Olhos azuis cravados em mim.
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será um dia? cabenson
FanfictionSerá minha amante? Será minha namorada? Será minha esposa? Será minha melhor amiga? Será minha advogada? Não será nada minha? Eu imagino que será tudo isso um dia. Será?
