Congo

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POV OLIVIA BENSON

O Sr. Cabot e eu estávamos há horas conversando na cozinha. Enquanto nossos amigos riam e conversavam na sala, ele cortava legumes com movimentos mecânicos, visivelmente inquieto.

Em determinado momento, confessou que detestara a ideia de Alexandra ir ao Congo — e que, se estivesse no meu lugar, nunca aceitaria.

— Olivia, por quê? — ele perguntou de repente, parando a faca no ar. — E se houver alguma ameaça de novo?

Suspirei, apoiando as mãos na bancada.

— Ben, eu não posso segurar a Alexandra. É a vida dela, é o trabalho dela. Ela não me pediu permissão... ela só me avisou que estava indo.

Ele me encarou em silêncio, o que o fez parar de cortar os legumes de vez.

— Tá, mas... e o Noah? Engoli em seco.

— Eu... eu não posso fazer nada. Ele vai ficar bem. A Maria vai me ajudar com isso. Pagamos ela muito bem.

Vi ele bufar, o rosto levemente corado. Depois que ficou viúvo, ele havia se tornado ainda mais apegado à Alexandra e ao Andrew — e agora, ao Noah também.

— Esse negócio nem teve voto, né?

Dei uma risada boba ao vê-lo voltar a cozinhar, balançando a cabeça em negação.

— Que tipo de voto?

— Sua esposa vai simplesmente sair do país... ir para o outro lado do mundo. — Ele falou sem me olhar. — Você não vê problema nisso?

Eu não podia dizer que Alex e eu tínhamos discutido algumas horas antes, na praia, por causa exatamente disso. Aquilo só viraria mais uma briga — e eu não queria.

— Sinto muito... eu tentei fazê-la mudar de ideia.

Disse, percebendo a frustração dele aumentar.

— Vocês brigaram? — ele perguntou, curioso.

Suspirei. No fundo, eu sabia que tentaria fazê-la desistir de novo.

— Alex está muito envolvida nesse caso. Isso me assusta muito... e é justamente por isso que ela sente que precisa ir.

Ele largou a faca por um instante.

— Olivia, por favor, pede pra ela sair desse departamento. Poxa... tem tantos outros departamentos pra trabalhar aqui em Nova Iorque.

Dei uma risada curta, assentindo com a cabeça — mesmo sabendo que aquilo não seria tão simples assim.

— Ben, a sua filha quer ajudar mulheres como a Nardalie, que não têm estrutura, nem voz... — eu disse com cuidado. — E eu não acho que ela queira sair agora.

— Eu só não quero ela... — ele parou, respirou fundo. — ...longe de novo.

Ben ficou alguns segundos em silêncio, depois soltou uma risada curta, sem humor.

— Você está bem, Ben? — perguntei, preocupada.

Ele assentiu devagar, mas os olhos denunciavam outra coisa.

será um dia? cabensonHistórias para pegar e não largar. Descubra agora