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                     POV OLIVIA BENSON

Desviei meu olhar de Alexandra Cabot quando caminhei de volta ao meu sofá na sala de estar.

— Está tudo bem entre... entre vocês?

Alexandra perguntou com pausas nas palavras, o cenho levemente franzido enquanto encarava Olivia com atenção.

Eu respirei fundo quando me sentei no sofá, ainda sentindo o eco da conversa com Wendy, não acredito que Alex estava ouvindo tudo.

— Sim... não se preocupe.

Alex assentiu devagar e se sentou ao lado de Olívia. O suspiro de Alex saiu quente, quase preocupado, e isso fez a detetive relaxar um pouco.

— O que você está cozinhando? Perguntei, tentando mudar o foco — Que cheiro é esse?

— Ah... sobre isso, Liv... eu... eu sinto muito. Alex disse, envergonhada — Eu tentei cozinhar, mas quase coloquei fogo na sua cozinha!

Meus olhos se arregalaram e eu corri para a cozinha, ouvindo seus passos apressados atrás de mim. Assim que virei para o fogão, vi uma frigideira soltando fumaça preta, o alarme de incêndio do prédio piscando.

Meu coração quase saiu pela boca. Peguei a panela rapidamente, coloquei na pia e liguei a torneira. Alex desligou o fogão, completamente corada. Abri a janela para a fumaça sair enquanto o interfone tocava insistente.

— Oi, Sr. Wegner... Eu disse, um pouco sem graça — Não, não é incêndio, eu só... eu queimei a comida. Está tudo bem... Sim... obrigada.

Quando desliguei, Alex ainda estava na minha frente, com aquele rubor lindo subindo do pescoço até as orelhas. Eu ri, inevitavelmente.

— Vou pedir uma pizza! Alex disse, já indo até a sala buscar o celular em seu sobretudo.

Depois disso, nós nos aproximamos mais. Não de um jeito que eu entendia completamente, mas de um jeito que me fazia sentir segura e aceitar apenas a amizade de Alexandra.

Ela passou a saber praticamente todos os meus segredos, até os mais profundos. Sempre que podia aparecia no meu apartamento. E eu... sempre que podia, passava no escritório dela. Mas eu nunca tinha ido na casa da Alex. Aquilo me deixava curiosa, mas eu nunca perguntava.

Meses passaram. A dor pela morte da minha mãe já não me paralisava como antes. Eu saía mais, ria mais. Estava conversando com Elliot, sentada na minha mesa, quando ele me entregou uma xícara de café.

— Eles estão namorando? Elliot perguntou, em curiosidade quando Alex e Travor viviam juntos, e os detetives sabiam que Olivia e Alex eram amigas intimas.

— Acho que sim.

Respondi, dando um gole no café, Alex e eu não conversávamos muito sobre o namoro dela com Travor porque eu evitava de falar sobre aquele homem.

— Claro que você sabe! Munch gritou da mesa dele, metido como sempre. Fin deu uma risada.

— Por que você não fala a verdade pra gente?

Elliot insistiu, com aquele sorriso sacana. Eu apenas revirei os olhos.

— Porque não é da nossa conta! Idiotas...

Nesse momento, Cragen apareceu com as mãos nos bolsos, olhando para todos nós como se fôssemos adolescentes.

— Benson, Stabler... vocês precisam testemunhar no caso Gibbs.

Assenti, encostando as costas na cadeira.

— A Cabot está vindo. Vai refazer algumas perguntas, vocês sabem do procedimento né?

— Ok.

Olívia disse corada fazendo Elliot e Munch se entreolharam, rindo do jeito de Olivia em relação a Alex. Munch gritou:

— Nervosa, Benson?!

Eu só ergui as sobrancelhas, exausta desses comentários. Eles estavam pegando no meu pé sobre a Alexandra há semanas. Diziam que eu devia "chegar nela". Eu sempre dizia que éramos só amigas. E eles sempre diziam "aham". Eu já não aguentava mais.

Munch se aproximou, apoiando as mãos na minha mesa.

— Alex nos disse outro dia que Langan, ele...

— Já vai começar...

Me levantei e fui em direção ao banheiro. Mas, claro, Munch veio atrás de mim como sempre insistindo sobre esse caso que eu evitava até pra mim mesma.

— Liv, por que você sempre fica nervosa com esse assunto?

— John... por que você faz isso? Perguntei irritada, sussurrando — Você sempre fica no meu pé.

— Você tem que admitir pra si mesma que...

— Eu não sinto nada, será que você não entende? Ele me olhou com calma.

— Olivia, eu vejo que você sente.

O ar sumiu por um instante dentro do meu peito.

— Você não sabe e não ver nada, estou te pedindo de novo que esqueça esse assunto ou eu não falo mais com você nunca mais John Munch!

Munch engoliu seco e assentiu, e eu empurrei a porta do banheiro feminino na cara dele, entrando e respirando fundo.

Fiquei ali uns quinze minutos, até meu coração voltar ao normal. Eu odiava pensar no que sentia. Odiava. Porque me deixava vulnerável.

Olivia ficou por quase 30 minutos no banheiro pensando mais uma vez em tudo isso que quando decidiu voltar Alexandra ja havia chegado e estava sentada em sua cadeira, conversando com Elliot.

As pernas dela estavam cruzadas, elegantes, e ela girava a caneta nos dedos. Quando me viu chegando, sorriu — um sorriso pequeno, torto, lindo. Elliot revirou os olhos.

— Ah, de novo isso Cabot? Elliot reclamou — São as mesmas perguntas que você acabou de fazer.

— Elliot, você precisa responder com mais segurança. Alex disse, paciente, ajeitando os óculos.

Mas quando tirou os óculos para guardá-los, ela me lançou outro sorriso. Meu estômago virou.

— Assim você vai perder a linha. Provoquei, olhando para Elliot que revirou os olhos de novo.

— Eu já sei dessas coisas, tá legal? Elliot bufou — Vamos logo.

Ele levantou para pegar o sobretudo. Alex suspirou o acompanhando.

— Aonde vão?

Eu perguntei curiosa, eles estavam se preparando pra sair juntos, eu nunca tinha visto e eu tinha quase certeza que Elliot me provocava também com isso.

— Você acredita que eu fui convidada para a mesma festa que ele? Alex disse rindo, Elliot sorriu também para Olivia que arqueou as sobrancelhas.

— Ah é? Perguntei, totalmente surpresa.

— Sim! Você vai com a gente, não vai? Ela disse enquanto guardava papéis na pasta.

— Eu nem fui convidada.

— O Fin e o Munch também não foram, e vão mesmo assim. É em um bar.

Elliot disse jogando meu casaco no meu colo.

— Ah, então eu vou.

Horas depois...

Eu estava parada conversando com o grupo quando notei que Alexandra tinha se afastado, indo falar com um grupo de promotoras. Às vezes eu olhava na direção dela, e ela estava rindo, animada. Linda. Sempre.

— Olivia. Munch apareceu de novo me fazendo revirar os olhos.

— Vai começar de novo?

— Não. Eu... Ele respirou fundo — Eu sinto muito. Não vou mais falar sobre isso com você.

Assenti e dei um gole no meu chopp, já exausta da festa. Me levantei para pagar minha conta. Enquanto esperava o troco, senti alguém se aproximar, a energia dela antes mesmo de olhar.

Alex vinha na minha direção, andando firme, com aqueles olhos claros fixos em mim... E meu coração simplesmente... disparou.

será um dia? cabensonHistórias para pegar e não largar. Descubra agora