POV OLIVIA BENSON
Esperei Alex sair debaixo do chuveiro para revelar minha presença. Meu corpo estava tenso demais para anunciar isso antes. Quando ouvi o barulho da água cessar, caminhei até a porta do banheiro e bati, quase sem força no primeiro instante.
Dei três toques curtos, apoiando a testa na madeira fria, fechando os olhos como se aquilo pudesse me dar coragem.
— Alexandra...
Não houve resposta. O silêncio se estendeu por segundos longos demais, e meu peito apertou. Bati outra vez, agora com mais urgência. A porta se abriu de repente. Meus olhos encontraram os dela.
Alex estava corada, os cabelos molhados grudando no rosto e nos ombros. Enrolava o corpo em uma toalha pequena demais para esconder o quanto parecia frágil naquele momento. A pele estava pálida, contrastando com o vermelho dos olhos.
Meu coração despencou. Ela me encarou como se eu não fosse real.
— Você... você tá aqui mesmo? — a voz saiu arrastada, confusa. — Ou eu ainda tô tão bêbada que tô vendo coisas?
Engoli em seco, sentindo um nó subir pela garganta.
Dei uma risada curta, nervosa, mais por reflexo do que por humor, enquanto ela se virava de volta para dentro do banheiro. Observei em silêncio quando Alex pegou outra toalha e começou a secar o rosto com movimentos lentos, pesados.
— Bem... você... você me quer aqui? — perguntei, a voz baixa, insegura.
Alex me olhou por alguns segundos. Engoliu em seco e balançou a cabeça em negativa. Eu estava com as mãos enfiadas nos bolsos do sobretudo, tentando parecer firme enquanto tudo em mim tremia.
— Não. Não quero você perto de mim. — a voz saiu dura, mas quebrada. — Estou brava demais pra isso.
Ela se virou de repente e correu de volta para o vaso sanitário. Meu coração disparou.
Alex se curvou, vomitando tudo o que tinha comido — e bebido. O som me atravessou como um soco.
Me agachei sem pensar, ficando ao lado dela, apoiando uma mão em suas costas, tentando ajudar.
— Me desculpa, Caroline... — falei num sussurro desesperado. — Eu sei. Você tem toda razão em estar brava comigo.
Ela se afastou do meu toque imediatamente. Seus olhos estavam marejados, mais pelo mal-estar do que por choro. Os cabelos grudavam no rosto suado, o corpo inteiro corado. A toalha escorregou de seus ombros e caiu no chão sem que ela percebesse.
Alex acabou sentada no piso frio, ao lado do vaso, limpando a boca com a mão trêmula.
Eu permaneci de joelhos diante dela, sem saber onde colocar as mãos.
— Por favor... vai embora. — disse, a voz falhando. — Eu não quero te ver.
Engoli o choro. Levantei-me junto com ela, ajudando-a a ficar de pé quando cambaleou. Peguei a toalha caída e a coloquei novamente em volta do corpo dela, com cuidado, como se qualquer movimento brusco pudesse quebrá-la.
— Eu sei que eu fui uma... — parei, respirando fundo. — Não adianta eu falar agora. Mas a gente pode voltar pra casa e conversar, por favor?
Alex suspirou fundo e negou com a cabeça, sem me olhar. Em seguida, entrou novamente debaixo do chuveiro e fechou o boxe. A água voltou a cair. Ela ficou ali por muito tempo. Longo demais.
Eu permaneci sentada no chão do banheiro, implorando em voz baixa por mais uma chance, por uma conversa, por qualquer coisa. Minhas palavras se misturavam ao barulho da água, impotentes.
VOCÊ ESTÁ LENDO
será um dia? cabenson
FanfictionSerá minha amante? Será minha namorada? Será minha esposa? Será minha melhor amiga? Será minha advogada? Não será nada minha? Eu imagino que será tudo isso um dia. Será?
