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You can say what you like, don't say
I wouldn't die for you
I, I'm down on my knees and
I need you to be my God
Be my help, be a savior who can
Unbreak the broken
Pull me out of the train wreck

• TrainWreck - James Arthur •
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Frase do Capítulo:
-Eu gosto de brincar com o fogo! A temperatura está a subir e os nossos corpos estão cada vez mais violentos.

James Rodriguês, 2012

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António Torres
20:45h da noite

Ainda encontrava-me na empresa junto com o meu pai, e nunca na minha vida imaginei que uma reunião de sócios pudesse demorar tanto. Já estávamos dentro da sala de reuniões desde as 18h, e o cansaço começava a pesar sobre mim, mas sabia que precisava manter a compostura e permanecer ali.

A cada três meses, realizávamos uma assembleia geral para discutir todos os assuntos pertinentes à empresa: questões relacionadas aos funcionários, carga horária, materiais e quantidades mensais utilizadas, além da parte financeira. Essa última era a minha especialidade, pois, além de ser o CEO da empresa juntamente com o meu pai, eu chefiava o departamento financeiro. Nada passava para a mesa de assinatura dele sem antes passar por mim.

Mais cedo, naquele mesmo dia, tivemos uma reunião com um novo sócio. Foi um encontro restrito, apenas entre meu pai, o novo parceiro e eu. Com isso, a agenda do dia ficou ainda mais preenchida e exaustiva. Finalmente, após longas horas, a reunião chegou ao fim. O alívio que senti era quase palpável.

Por mais que eu entendesse a importância de cada detalhe discutido, não conseguia ignorar a falta de tempo que aquilo me roubava, tempo de qualidade com S/n e com a minha mãe. A rotina da empresa era ininterrupta, funcionando em turnos contínuos até sexta-feira à tarde, cinco dias seguidos de produção intensa. Durante o verão, meu pai e eu organizávamos um pequeno convívio com os funcionários, que, na verdade, de pequeno não tinha nada, mas era uma tradição que me agradava.

Enquanto arrumava meus pertences na sala, pronto para finalmente ir embora, meu celular tocou. Vi que era minha mãe ligando, o que me fez franzir a testa. Ela nunca me telefonava durante o expediente, a menos que fosse algo sério. Atendi imediatamente, com o coração acelerado e uma leve apreensão, sem saber o que me aguardava.

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*Chamada on*

António:
— Mãe, está tudo bem em casa? — perguntou, com um fio de esperança de que tivesse se enganado.

A voz que respondeu era inconfundível, mas estava longe de ser um alívio. António sentiu o sangue congelar nas veias enquanto escutava a risada sarcástica de James do outro lado da linha. O que antes era um dia exaustivo de trabalho agora transformava-se num pesadelo. O som da voz do homem que ele tanto desprezava invadia a sua mente, e a raiva e o medo se misturavam em seu peito.

James:
— Olá, António! Reconheces a minha voz? — disse com uma calma perturbadora.
António cerrou os punhos, o coração acelerando em resposta ao terror que agora se apoderava dele.

António:
— James? O que fazes com o telemóvel da minha mãe? Onde é que ela e a minha filha estão? — perguntou, lutando para manter o controle da própria voz, que tremia de fúria e preocupação.

James soltou uma gargalhada sarcástica que me fez cerrar os dentes.

James:
— Talvez eu tenha pego dela, talvez o tirei à força. Terás que descobrir se estão em casa ou não — respondeu, a ironia escorrendo em cada palavra.

Meddle AboutOnde histórias criam vida. Descubra agora