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'Cause you brought out the best of me
A part of me I'd never seen
You took my soul wiped it clean
Our love was made for movie screens

• All I Want - Kodaline •
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Frase do Capítulo:
-A beleza das tuas ações me fazem cada minuto apaixonar-me mais e mais por ti.

António Torres, 2012

💄💋⚽️

— Abril de 2012 —

Natasha Costa
17:47h - em casa

Acabei de sair do banho, sequei-me e fui vestir a roupa mais confortável que encontrei: a minha t-shirt preferida, uma rosa desbotada que adoro, e umas calças de moletom cinzentas que combinavam perfeitamente com as minhas pantufas. Conforto é tudo, especialmente em dias como este.

Este ano, a Páscoa chegou cedo, no dia 8 de abril. Desde que vim para Portugal, tenho mantido o hábito de participar em ações de voluntariado, pois acredito que além de me fazerem crescer como pessoa, ajudam-me a dar algo de volta à comunidade. Ver o brilho de gratidão nos olhos de quem recebe ajuda é impagável e faz-me querer contribuir sempre, mesmo quando não tenho muito para oferecer. Logo que me instalei por aqui, inscrevi-me numa instituição que distribui refeições em datas comemorativas e feriados. É uma experiência que me toca profundamente.

De volta ao presente, saí do banheiro deixando os cabelos secarem naturalmente para evitar aquele choque térmico desagradável. Fui até a cozinha preparar algo simples: coloquei duas fatias de pão na torradeira, tirei do frigorífico o meu sumo de uva preferido e servi-me um copo. Assim que as torradas ficaram prontas, passei fiambre em cada uma, organizei tudo num prato e fui para a sala. Não sou muito de ver televisão, e hoje não seria diferente.

Enquanto dava apenas a segunda dentada na torrada, a campainha tocou. Estranhei, pois não estava à espera de ninguém. 

Quem seria a esta hora?

— Oi, sou eu, o António. Podes abrir a porta? Precisamos conversar! — ouvi do outro lado.

António? O que ele queria agora? Ele já aparecia aqui mais vezes do que alguns amigos de longa data. Relutante, fui até a porta e abri. Lá estava ele, com aquele sorriso que parecia iluminar o pôr do sol, realçando os seus olhos brilhantes. Meu coração deu um salto.

Mas...o que estou a pensar? 

Por favor, alguém me belisque!

Fiquei paralisada por uns momentos, sem saber o que dizer. Ele, por sua vez, esperou pacientemente até eu recobrar a compostura. — Boa tarde, Natasha. Posso entrar? — perguntou com gentileza.

— Bo...boa tarde. Claro, entra. Sobre o que quer falar? — perguntei, tentando soar indiferente.

— Lembras-te daquele bilhete que me deste, sobre os atrasos nas rendas e a possibilidade de seres despejada? — começou ele.

— Sim, lembro. E...o que tem isso? — respondi, cruzando os braços, já desconfiada.

— Bem, falei com o proprietário do teu apartamento. Descobri que devias duas rendas. Achei um absurdo o valor que te cobram por mês.

— António, por favor, vai direto ao ponto! — interrompi, impaciente.

— Certo. Paguei as rendas atrasadas para ti. Agora que está tudo resolvido, que tal irmos jantar fora para comemorar? — disse, como se fosse algo trivial.

Meddle AboutOnde histórias criam vida. Descubra agora