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António Torres
09:40h - dois dias depois

Eu estava apenas detestando a estadia de Sebastian aqui em casa, era uma dor de cabeça tremenda e eu sabia muito bem que Veronika tinha feito isto de propósito para me atormentar ainda mais. Ia ficar com cabelos brancos antes da hora.

Estava no jardim á aproveitar o sol e suavizado sol e tomando o meu exclusivo pequeno-almoço que eu mesmo tinha preparado, era a primeira vez em 10 anos que eu não o fazia.

Eu não queria ter feito o que fiz no passado. Nunca me conformei de ter ficado naquele estado tendo a minha mulher grávida e o meu filho em casa talvez esperando por mim a noite toda. Foi um momento difícil para mim, minha mãe teve até que dar uma desculpa para eu não ir trabalhar no dia seguinte.

Foi extremamente doloroso para mim.

— Posso? — Sebastian, disse enquanto me encara com a sua chávena e o seu pão. —Não quero incomodar de forma alguma é que apenas nós estamos acordados.

— Claro senta-te!

Eu não tinha nada contra ele, todavia era difícil para mim saber que talvez ele fosse meu filho. Esta era uma oportunidade de ouro para eu descobrir e fazer o teste de ADN quando ele saísse de casa.

Eu não queria ser assim com ele, ele era apenas um adolescente.

— Minha mãe me disse que eu podia vir para cá, ela chateou-se com a família e ninguém me queria acolher e como a casa está em obras ela me disse que a sua família me abrigaria.

— Sério? Não tinha ideia que a tua mãe era assim tão pronta a fazer as coisas.

— Minha mãe é a única coisa que eu tenho....ela sempre me disse que meu pai nos abandonou e nunca mais quis saber de mim.

— Ele deve ser o pior pai do mundo agindo igual a uma criança.

— É! Mas eu não ligo, minha mãe fez os dois papéis muito bem...........nunca me faltou nada.

Ontem Veronika e Sebastian não me saiam da cabeça de jeito nenhum e agora era Sebastian que tinha tomado conta dos meus pensamentos como um comboio bala. Era extremamente estranho o que eu estava vivenciando.

— Eu acordo cedo, deu para reparar. — soltou um sorriso ligeiro. —Não sai á minha mãe, ela acorda um pouco mais tarde.

Droga! Ele era igual a mim. Ele era madrugador.

— Eu também sou assim, nesse aspeto sai ao meu avô...ele gostava de fazer as coisas todas que tinha no dia á dia.

— Eu nunca tive a experiência de ter um pai, mas o carinho que o senhor trata o Ferran e a S/n é algo mesmo lindo....eles devem ter orgulho de ter um pai como o senhor.

— É disso eu não posso negar, eu faço tudo para os meus filhos sorrirem.

Era a primeira vez que conversava com Sebastian na minha vida, todo o meu desconforto anterior tinha ido embora no mesmo instante....talvez algo meu estivesse me alertando para ir com calma e o conhecer melhor. Ele tinha um brilho e um sorriso notável, seu caráter era muito forte e seu jeito de demonstrar as coisas era diferente de tudo o que eu alguma vez tinha visto na vida.

— Irmãozinho! — Glória gritou da porta da sala. —Cheguei para animar a casa. Quem é ele?!

— Bom dia para ti também Glória!

— Deixa disso chato, quem é temos visitas e eu não sabia?

— Os meus sobrinhos e o Jonnas?

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