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— POV MANOELA TRINDADE

O Gabriel tinha alguns compromissos pra cumprir no Rio ainda e eu queria aproveitar que estava na cidade pra visitar meus avós, já fazia um tempo que não os via e sei o quanto sentem falta de ter a casa cheia.

Pela manhã deixei o Gabriel e Fabão em um prédio na Barra e peguei o caminho pro Leblon, o trânsito estava tranquilo mas notei que tinha um carro me seguindo um pouco antes de eu chegar em São Conrado, ele estava na minha cola e mesmo que eu tentasse deixar ele passar o mesmo seguia colado atrás de mim.

Comecei a suar frio e rapidamente peguei o celular mandando um áudio pro Gabriel.

(Manoela): Amor, eu tô chegando em São Conrado e tem um carro me seguindo, pode ser nóia da minha cabeça mas talvez não seja. Não consigo ver a placa dele mas é um Mitsubishi ASX preto, quando você ver essa mensagem me liga - enviei.

Aproveitei a pista livre e acelerei, só faltava mais 15 minutos pra chegar na casa dos meus avós e o carro não parava de me seguir, peguei uma saída da pista pra ver se o carro ia seguir o caminho mas ele continuava me seguindo.

Quando cheguei no túnel tudo aconteceu muito rápido, meu carro foi lançado contra a parede e capotou mas parou em pé, meus ouvidos zuniam, minha cabeça doía por causa da batida e só escutei o barulho de uma freada brusca.
A minha porta foi aberta e um homem de balaclava distribuiu socos na minha cara e na minha barriga, fui arrastada pra fora do carro e diversos chutes foram desferidos em mim.
Me lembro de ouvir uma voz familiar e ela ainda ria, mas não consegui abrir os olhos.

Eu apaguei.

Tudo ficou preto e eu não conseguia ter reação a nada, acho que meu cérebro me apagou pra evitar que sentisse tanta dor.

Eu só pensava que eu não podia morrer agora, não era justo.

— POV GABRIEL MEDINA

Meu dia começou perfeito, o sol brilhava lá fora e eu fazia amor com a minha namorada. Não tinha como meu dia começar melhor.

Tomamos café enquanto organizávamos todos os compromissos da semana, eu tinha 3 entrevistas pra dar e uma sessão de fotos pra fazer mas o restante dos dias estaria livre.
Manu ia passar o dia com os avós e a noite íamos sair pra jantar, e durante a semana ela ia me acompanhar nas entrevistas.

Tive uma sensação ruim quando saímos do apartamento mas deixei de lado, não tinha nada pra estragar meu dia.
Enquanto eu subia o elevador até o studio que faria as fotos aproveitei pra falar rapidamente com o Fabão sobre o segurança que pedi a ele que estivesse com a Manoela, ele entrou em contato com a agência e pediu um segurança pra quando voltássemos pra São Paulo.

Antes de começar as fotos nós conversamos um pouco e fizemos uma breve entrevista pra revista, o pessoal foi super gente boa e receptivo.

Passamos praticamente toda a manhã nessa função, acabei nem pegando no celular e só quando encerramos as fotos que peguei pra ver se a Manoela tinha chegado bem.

Eu paralisei assim que dei play no seu áudio, o Fabão me olhou preocupado e eu fiquei nervoso quando mandei diversas mensagens mas ela não recebia nenhuma.

(Gabriel): Preciso ir embora agora - falei pegando minhas coisas e saindo quase que correndo.

(Fabão): O que foi, mano? O que aconteceu? - joguei o celular pra ele que escutou o áudio da Manoela e me olhou mais uma vez preocupado.

Em segundos ele entrou em contato com alguém que apareceu na porta do prédio com um carro pra gente e o Fabão dirigia em alta velocidade pro endereço dos avós da Manoela.
O trânsito não estava ajudando nada e eu ficava mais aflito a cada segundo que passava.

(Gabriel): Atende, amor, por favor - pedi baixinho enquanto discava seu número pela 6° vez.

Fabão pegou um acesso na pista pra conseguir sair do trânsito e nesse exato momento meu telefone tocou, era um número desconhecido.

(Gabriel): Alô? - falei e do outro lado da linha dava pra ouvir um falatório.

(Desconhecido): Boa tarde, eu falo com Gabriel? - era uma voz feminina.

(Gabriel): Sim, quem tá falando?

(Desconhecido): Sr Gabriel, aqui é do Hospital São Vicente de Paulo e o motivo da minha ligação é que o seu telefone está como contato de emergência na ficha médica de Manoela Trindade, e ela se encontra internada aqui por conta de um acidente de carro - eu não escutei mais nada depois disso.

(Gabriel): Corre pro São Vicente de Paulo, a Manoela tá lá - falei pro Fabão e ele acelerou o carro.

Com certeza chegamos mais rápido que o esperado mas pra mim pareceu uma eternidade, eu sentia meu peito doer e minha cabeça parecia que poderia explodir.

Eu precisava ver ela e precisava saber como ela estava.

O carro nem parou e eu pulei pra fora dele assim que entramos no hospital, entrei correndo e procurando a recepção.

(Gabriel): Acabaram de me ligar pra falar da Manoela Trindade, cadê ela? - falei desesperado.

(Recepcionista): Me siga, por favor - pediu e eu a segui por um extenso corredor - A srta Manoela sofreu um acidente de carro e teve diversos ferimentos, os paramédicos a encontraram desacordada na pista e muito machucada, a polícia está vindo pra colher o depoimento dela assim que ela acordar, mas no momento ela está em cirurgia, sua costela foi quebrada - meu mundo desabou.

Ela pediu que eu aguardasse em uma das cadeiras que tinha no corredor, que o médico já viria me dar mais notícias da Manu.

Fabão apareceu do meu lado e ele falava no telefone com a minha mãe que pela altura da voz consegui entender que já estava a caminho do hospital.
Pedi o Fabão pra ligar pra mãe da Manu e eu paguei a primeira passagem de SP pro Rio, ela precisava estar aqui o mais rápido possível.

SIDE BY SIDEOnde histórias criam vida. Descubra agora