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— POV MANOELA TRINDADE

Na segunda-feira após o café da manhã o Allan já estava na academia esperando a gente, eu tentei fugir mas o Gabriel não deixou.

Comecei com uma caminhada leve na esteira enquanto o Gabriel não teve a oportunidade de reclamar do seu treino, o Allan tava tirando cada gota de suor dele e eu particularmente estava adorando a visão daquele homem suado e sem camisa.

Também fiz alguns exercícios com peso mas todos bem leve, de tarde o treino do Gabriel era no mar e ele parecia realmente empolgado pra isso, como eu não via há semanas.

(Manoela): Obrigada por ter vindo, Allan - agradeci enquanto estávamos sentados na areia observando o Gabriel na água.

(Allan): Eu não negaria ajuda pra vocês nunca e sei o que você sentiu de ver que ele não queria voltar pro mar, também me doeu quando eu soube - meus olhos marejaram - ele vai ficar bem, só precisa colocar a cabeça no lugar e priorizar as coisas certas - sorriu reconfortante e eu retribui.

Não sei quanto tempo passou mas o sol estava se pondo quando o Gabriel saiu do mar, Allan já tinha ido embora então era só nós dois.

(Manoela): Energias recarregadas? - perguntei assim que ele sentou do meu lado na areia.

(Gabriel): Com certeza - sorriu me olhando, era nítida a mudança de astral.

(Manoela): Dá pra ver nos seus olhos - acariciei suas bochechas também sorrindo.

(Gabriel): Como tá se sentindo depois dos exercícios? - ele segurou minha mão e deu um beijo no dorso.

(Manoela): Um pouco cansada mas tô bem, vai ser bom pra me sentir eu mesma de novo - ele assentiu.

Assistimos o sol se pôr completamente e então decidimos entrar já que o vento começou a ficar gelado, ele pegou a prancha e eu peguei minha canga pra entrar.

Por mais que esteja me esforçado pra não pressioná-lo ou ficar fazendo muitas perguntas que talvez eu nem queira saber a resposta, meu coração estava me traindo e minha mente também, toda essa situação de não me tocar, não me beijar e nem conversar tanto comigo está me matando.

Conheço ele desde a adolescência e nunca fomos assim um com o outro, mesmo quando éramos só amigos ele fazia questão de estar sempre abraçado comigo ou me encostando, não quero me acostumar com essa situação atual.

(Manoela): Gabriel - chamei entrando no banheiro, ele estava com o chuveiro ligado tomando seu banho.

(Gabriel): Me chamou? - respondeu mas eu não o via por conta do box embaçado.

(Manoela): Posso te perguntar uma coisa? - me sentei na tampa da privada que estava fechada.

(Gabriel): Pode, o que foi? - pelo som ele estava passando shampoo.

(Manoela): Você ainda me ama? - ficamos em silêncio e eu me forcei a não entender isso como uma resposta.

(Gabriel): Que pergunta é essa?

(Manoela): Não faz outra pergunta, só me responde - pedi e ele respirou fundo.

(Gabriel): Claro que eu amo - respondi apenas um ok e já estava pronta pra sair do banheiro - por quê da pergunta? - ele desembaçou o box pra me olhar.

(Manoela): Nada, deixa pra lá - estava quase saindo do banheiro mas ele abriu o box e me segurou pelo pulso.

(Gabriel): O que você tá pensando? - perguntou olhando nos meus olhos.

(Manoela): Você ainda gosta de mim? - perguntei com os olhos já marejando.

(Gabriel): Manoela, que tipo de pergunta é essa?

(Manoela): Você não me beija mais e mal me toca, você não olha pra mim do mesmo jeito que olhava antes - minha voz embargou e uma lágrima teimosa caiu.

Ele me puxou pra dentro do box e fechou a porta, me olhando como se tentasse entender cada palavra.

(Gabriel): Me desculpa - foram as palavras mais sinceras que eu escutei em muito tempo - eu tô falhando como namorado e tô agindo só como um protetor - concordei.

(Manoela): Você não me deseja mais? Por quê eu tô magra ou por que eu tenho uma cicatriz enorme na barriga e roxos na costela? - disparei.

(Gabriel): Quando eu te vi no hospital tão fragilizada tive medo de perder você e prometi pra mim mesmo que não deixaria ninguém tocar em você pra que não te machucasse - ele acariciou meu rosto - mas eu acabei me afastando por achar que eu mesmo poderia te machucar.

(Manoela): Você me machuca se afastando e não estando por perto, eu preciso do seu toque tanto quanto preciso respirar - ele sorriu fraco - não é exagero, você me acostumou a acordar com mil beijos pelo rosto, a ser abraçada de repente enquanto tô ocupada fazendo alguma coisa e a roubar beijos durante um conversa, só que agora nós somos só duas pessoas que moram na mesma casa e convivem com suas dores.

(Gabriel): Me desculpa, eu achei que tava te protegendo mas na verdade tô te machucando - assenti e ele me olhava fixamente - eu sinto tanta falta do seu beijo - me pegou de surpresa.

(Manoela): Chega de beijos na testa, por favor? - falei quando ele estava a centímetros dos meus lábios.

(Gabriel): Com certeza, eu prometo - sorrimos e finalmente senti o gosto dos seus lábios.

Eu realmente não me lembrava mais do gosto do seu beijo mas poder senti-lo de novo foi a melhor coisa que me aconteceu em muito tempo e ele pensava a mesma coisa já que pedia passagem com a língua e segurava firme minha cintura, sua outra mão me explorava e eu finalmente me sentia eu mesma e com uma sensação de que as coisas estavam voltando ao seu devido lugar.

SIDE BY SIDEOnde histórias criam vida. Descubra agora