— POV MANOELA TRINDADE
Nossos amigos apareceram na casa do Gabriel no primeiro final de semana após a alta pra nos visitar, eu estava animada mas o Gabriel parecia apreensivo desde de que todos entraram pela porta principal.
Na verdade eu pedi pra que eles viessem tentar distrair um pouco o surfista.
(Chloe): Ainda tá sentindo dor? - perguntou sentada ao meu lado no sofá.
(Manoela): Um pouco, é mais quando faço algum esforço que sinto um pontada mas falta pouco pra passar - ela assentiu.
(Chloe): E ele como tá? - apontou com a cabeça pro Gabriel que conversava com os garotos no quintal enquanto bebiam uma cerveja na beira da piscina.
(Manoela): Nada bem, mas ele não fala sobre e nem demonstra suas emoções, tá se fazendo de forte mas eu sinto que ele tá me afastando - eu o observava do lado de fora e como se ele soubesse, na mesma hora olhou pra onde eu tava.
(Chloe): Já tentou conversar com ele?
(Manoela): Várias vezes, ele sempre diz que tá tudo bem e que não preciso me preocupar com ele.
(Chloe): E ele se preocupa demais com você.
(Manoela): Demais, ele tem medo até que as pessoas se aproximem de mim só que com isso até ele tem se afastado de mim. Ele mal me toca, parece que eu posso quebrar a qualquer momento - ela arregalou os olhos.
(Chloe): É compreensível o lado dele mas isso não vai fazer bem pra ele e nem tá fazendo bem pra você - eu assenti.
(Manoela): Mas e você e esse baby como estão? - falei acariciando sua barriga que está enorme, falta tão pouco.
(Chloe): Estamos bem, semana que vem vou saber se é um menino ou menina, queria deixar surpresa pra quando nascesse mas não vou aguentar e já falta pouco mesmo - eu ri pela primeira vez em semanas.
(Manoela): Eu aposto que é uma garota - ela sorria assim como eu olhando sua barriga.
Conversamos por longas horas e nos juntamos aos meninos quando nossos pedidos de japa chegaram. Comemos em meio a uma conversa divertida e animada, eles conseguiram por algumas horas nos fazer esquecer do caos que estava nossas vidas e é sempre assim quando nos juntamos.
Estava tarde quando eles decidiram ir embora mas antes de sair Chloe avisou que voltaria durante a semana pra me fazer companhia e me ajudar com o que fosse preciso.
(Manoela): Amor - chamei enquanto estava deitada no seu peito, o quarto estava totalmente escuro e eu só escutava o som da sua respiração e das ondas quebrando do lado de fora da casa.
(Gabriel): Oi - respondeu acariciando meus cabelos.
(Manoela): Quero te pedir uma coisa - ele não respondeu, apenas esperou que eu continuasse - quero que volte a surfar e a treinar.
(Gabriel): Não posso - disse em seguida.
(Manoela): Por que não? - ergui meu corpo com cuidado pra olhar seu rosto.
(Gabriel): Não posso deixar você sozinha - senti meu coração apertar.
(Manoela): Você não pode deixar de fazer o que ama por minha causa, eu tô bem e sei que tô segura aqui - acariciei seu rosto.
(Gabriel): Não sei se consigo - sua voz estava embargada.
(Manoela): Consegue sim, o surfe é sua maior paixão e me dói ver você assim - agora a minha voz que estava embargada - a gente não consegue mudar o que aconteceu mas a gente pode melhorar como as coisas vão ser agora, não faz pra bem pra você passar o dia inteiro trancado dentro de casa comigo por medo de que alguma coisa aconteça.
(Gabriel): Eu ainda tenho medo de alguém fazer alguma coisa com você, até hoje a policia não achou ninguém culpado - uma lágrima escorreu do seu olho, eu não podia chorar, era a minha vez de ser forte.
(Manoela): Você já contratou 6 seguranças pra ficar ao redor dessa casa, o Fabão tá aqui dentro 24h por dia, o que você pode fazer já está feito - ele me olhava receoso - por favor, não para a sua vida por causa de mim.
(Gabriel): Eu fico pensando em como seria se você tivesse chegado na casa dos seus avós, a noite a gente teria saído pra jantar e talvez na mesma semana a gente até descobriria sobre o bebê - agora ele olhava pra janela, meu coração estava cada vez mais apertado.
(Manoela): Eu também penso nisso, toda hora...
(Gabriel): A gente ia ter uma família - ele olhou nos meus olhos e vi o quanto eles brilhavam com as lágrimas, eu não segurei mais as minhas.
(Manoela): A gente ainda vai ter, só que agora um anjinho também vai fazer parte dela - sorri forçado e ele assentiu, voltando a me abraçar e depositou um beijo no topo da minha cabeça.
Nosso bebê era um menino, a enfermeira me contou alguns dias antes de eu receber alta, e eu pedi pra que ela não contasse pra ninguém além de mim.
Seria ainda mais doloroso pra nossa família ter mais informações sobre o bebê, então preferi guardar pra mim tudo o que eu soube sobre ele.
Demorei muito pra pegar no sono mas o Gabriel dormia sereno do meu lado, sua respiração era tranquila e aproveitei que seu sono era pesado pra pegar meu celular e mandar uma mensagem pro Allan o pedindo pra aparecer aqui amanhã de manhã, também consegui contato com algumas pessoas que vão trazer equipamentos de academia.
No quintal tem um cômodo que está vazio e o Gabriel não sabe o que vai fazer nele, podemos usar ele como academia por enquanto.
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SIDE BY SIDE
FanfictionEla nunca teve um relacionamento, já ele teve vários rolos durante a adolescência, era sempre visto com uma garota diferente. Se conheceram por forçação do destino e descobriram que tinham mais coisas em comum do que imaginavam, dois sonhadores e av...
