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• 2 MESES DEPOIS

—  POV MANOELA TRINDADE

Me mudar pra São Paulo foi como um recomeço, agora eu tenho minha própria vida e minhas próprias responsabilidades. Eu nunca imaginei que cuidar de um apartamento e ter o compromisso de estar no trabalho às 7h seria algo tão cansativo mas tive a prova viva durante esses 2 meses morando sozinha.

Meus amigos vieram me visitar na primeira semana e minha mãe vem todo final de semana com a Luísa, Gabriel também faz o máximo pra passar bastante tempo aqui mas o Charles pega no pé dele por causa dos treinos e alguns compromissos que ele tem.
Nossa agenda não bate muito mas sempre que possível a gente dá um jeito de minimizar a distancia e matar a saudade.

(Manoela): Eu estou procurando receitas para fazer meu almoço - eu falava na chamada de vídeo com a Chloe enquanto procurava no computador alguma coisa fácil de fazer e ela estava dentro do seu carro.

(Chloe): Humm o que vamos almoçar? - parei na mesma hora de mexer no computador e olhei pra tela do celular.

(Manoela): Como é? - perguntei desacreditada.

(Chloe): Eu tô chegando na sua casa, surpresa! - disse rindo da minha cara de chocada.

(Manoela): Amiga, não brinca assim comigo - ela ria mais ainda.

(Chloe): Tô falando sério, daqui a 5 minutos tô aí.

(Manoela): Eu quero ver! - ela logo desligou e eu fiquei ansiosa esperando que ela chegasse, estava começando a preparar o almoço quando meu interfone tocou, era o porteiro perguntando se podia liberar a entrada dela.

(Chloe): Eu disse que estava chegando - a abracei forte assim que ela chegou na minha porta, eu estava morrendo de saudade.

Nós preparamos o almoço juntas e acabou saindo uma lasanha, jogamos conversa fora e fofoca o dia inteiro, ela me contava sobre seu trabalho e eu também.

(Chloe): Você tem remédio pra enjôo? Não to me sentindo muito bem - perguntou do banheiro e eu fui procurar um.

(Manoela): Não tenho, mas posso pedir na farmácia - ela logo saiu do banheiro limpando a boca - Você tava vomitando?

(Chloe): Tava - fez uma careta e correu de volta pro banheiro, se desfazendo no vaso, a ajudei com o cabelo e quando seu vomito cessou estávamos sentadas no chão do banheiro.

(Manoela): Será que foi alguma coisa da lasanha? - perguntei a olhando sentada no outro lado do banheiro - Mas eu não to sentindo nada.

(Chloe): Acho que sim - ela ficou pensativa e estranhei quando ela do nada colocou a mão no peito e mexia neles, na hora tive um estalo.

(Manoela): Posso te perguntar... - me interrompeu.

(Chloe): Por favor, não pergunta - fechou os olhos.

(Manoela): Sua menstruação tá atrasada? - ela ficou pensativa e logo arregalou os olhos.

(Chloe): Não pode ser - deu um tapa na testa e eu arregalei os olhos, levantando do chão na hora.

(Manoela): Eu vou na farmácia agora e você fica aqui, nós precisamos de um teste - ela também saiu do banheiro e ficou na sala me esperando.

Só peguei a carteira e celular, saindo de casa o mais rápido possível e fui correndo até a farmácia mais próxima. Não me importei se alguém me reconheceria ou não dentro da farmácia, peguei 3 testes de gravidez pra garantir o resultado e um remédio pra enjôo, eu estava nervosa e ansiosa ao mesmo tempo.

Quando voltei pra casa Chloe estava na mesma posição de quando saí, ela parecia paralisada.

(Manoela): Amiga, eu comprei 3 pra termos certeza do resultado - ela tomou a sacola da minha mão e entrou no banheiro, fiquei parada no batente da porta a esperando fazer xixi no palito, tomei um susto quando meu telefone tocou no bolso e quando olhei era o Gabriel, atendi antes que a ligação caísse.

(Gabriel): Oi, amor - disse feliz.

(Manoela): Oi amor, como você tá? - tentei não demonstrar meu nervosismo.

(Gabriel): Tô bem, deixa eu te falar, minha reunião acabou agora - uma pausa, ele parecia falar com outra pessoa - Você tá em casa? Pensei em ir pra aí - droga, essa não é uma boa hora.

(Manoela): Espera aí rapidinho - tampei o microfone para falar com Chloe - o Gabriel quer vir pra cá agora, o que eu faço? - sussurrei pra ela.

(Chloe): Não! Fala que não vai dar, sei lá - tentei pensar em uma desculpa mas nenhuma era boa. Voltei pra ligação.

(Manoela): Você pode vir amanhã? Hoje não vai dar - rezei pra ele aceitasse.

(Gabriel): Você tá trabalhando?

(Manoela): Não, é só que agora não é um bom momento - merda, eu não conseguia enrolar ele.

(Gabriel): Tá tudo bem? Aconteceu alguma coisa? - preocupado.

(Manoela): Não aconteceu nada, só estou resolvendo algumas coisas hoje - bufei - depois eu te explico melhor, ok?

(Gabriel): Ué... - interrompi antes que ele falasse mais alguma coisa.

(Manoela): Preciso desligar, te ligo mais tarde, beijo - e desliguei, Chloe respirou aliviada junto comigo e agora estávamos as duas nervosas esperando o resultado dos testes - e se der positivo?

(Chloe): Eu não sei o que vou fazer, não planejava ter filhos cedo - ela roía as unhas de nervoso, peguei os 3 testes e olhei para o resultado. Eu não sabia se ria de nervoso ou chorava, era um misto de sentimentos inexplicáveis - o que deu, amiga?

(Manoela): Chloe, você tá grávida! - virei os testes pra ela e a mesma tampo a boca assim como eu.

Ela começou a chorar então me apressei pra abraçá-la também chorando mas rindo nervosa. Ela chorava sem parar.

(Chloe): Meu Deus eu vou ser mãe - dessa vez ela começou a rir, era engraçado mas também desesperador.

(Manoela): E eu vou ser titia - falei desacreditada e ela gargalhou mais ainda.

(Chloe): Liga pra Camila, manda ela vir pra cá agora - mandou e eu corri pra pegar meu celular.

A chamada foi atendida no segundo toque e mesmo não contando o que tava acontecendo a garota entendeu que era uma emergência, em menos de 20 minutos ela chegou no meu apartamento.

Quando Camila olhou o resultado positivo nos testes foi mais uma sessão de choro das três. Era emoção demais que não cabia na gente.

SIDE BY SIDEOnde histórias criam vida. Descubra agora