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—  POV MANOELA TRINDADE

Gabriel avisou que chegaria cedo então às 08h eu já estava acordada fazendo café, tive que contar que estava na casa do Arthur e já imaginava que ele não ia gostar muito da ideia.

Ele não disse nada além de um "ok" mas pelo tom de voz na ligação ontem já dava pra saber da sua irritação.

A campainha tocou às 8h30. Era ele.

Quando abri a porta seus braços automaticamente foram pra minha cintura e ele me tirou do chão em um abraço bem apertado.

(Manoela): Eu tava morrendo de saudade - o apertei também e cheirava seu pescoço. Que saudade desse cheiro.

(Gabriel): Não mais do que eu - ele depositou um beijo no meu pescoço e depois se afastou um pouco pra olhar pra mim.

(Manoela): Você tá mais bronzeado - acariciei seu rosto - gostei.

(Gabriel): Você sempre gosta quando eu fico mais preto - eu ri e concordei.

Finalmente senti o gosto daquela boca que tanto senti falta, ele me beijou com toda calma do mundo como se nem tivéssemos ficado 2 meses sem se ver.

(Manoela): Apesar de eu preferir seu beijo do que café, eu tô morrendo de fome então entra pra gente comer - falei depois de um último selinho.

(Gabriel): Também tô morrendo de fome.

O conduzi até a cozinha e nos sentamos à mesa pra tomar café, ele me contou de como foram os meses fora e sobre os campeonatos. Eu sempre amo ouvir ele falar daquilo que ele gosta.

Mas já esperava que em algum momento teria que contar o que tô fazendo na casa do Arthur e não demorou pra ele perguntar, ele só esperou eu trocar de roupa e quando estava fechando minha mochila ele tocou no assunto.

(Gabriel): Que horas você vai me contar porque suas coisas estão aqui nessa casa?

(Manoela): Eu tô morando aqui há alguns dias, na verdade já tem 2 meses - falei receosa e ele arregalou os olhos.

(Gabriel): E por quê? Porque não me contou? - ele estava ficando irritado.

(Manoela): Achei melhor não te causar preocupação e se você soubesse ia querer voltar pro Brasil correndo - ele bufa.

(Gabriel): O que aconteceu, Manoela? - agora ele está realmente puto com seus braços cruzados e sobrancelhas erguidas.

(Manoela): Na semana seguinte que teve a gravação do Caldeirão, algumas coisas estranhas começaram a acontecer - ele me olhava atento - algumas vezes eu tive a impressão de que estava sendo seguida na rua, meu telefone tocava toda noite e quando eu atendia eu escutava a respiração de alguém na linha mas a pessoa não falava nada e aí um dia um cara invadiu meu apartamento - ele arregalou os olhos incrédulo.

(Gabriel): Como é que é? - sua raiva era visível e seu tom de voz aumentou.

(Manoela): Eu tava numa ligação com a Chloe e do nada tocaram minha campainha, olhei pelo olho mágico e era um cara que eu nunca vi, eu não abri a porta então ele conseguiu abrir minha fechadura e invadiu meu apartamento, eu saí pela saída de serviço e vim parar na casa do Arthur completamente desnorteada, ele me levou na delegacia e eu fiz um b.o - falei calma pra que ele não explodisse - a polícia foi até o apartamento e já não tinha mais ninguém, o cara revirou meu apartamento inteiro e só levou um porta-retrato que eu tinha com uma foto nossa.

(Gabriel): Mas que porra é essa? - falou chocado.

(Manoela): Eu também não entendi essa loucura toda, mas por enquanto tô morando aqui até eu encontrar outro apartamento - sentei do seu lado na cama.

(Gabriel): A polícia ainda não encontrou o cara?

(Manoela): Não, eles não acharam digital e nem conseguiram ver o rosto dele pelas câmeras - Gabriel bufou, a veia da sua testa estava saltando.

(Gabriel): Você precisa andar com um segurança - disse sério.

(Manoela): Eu não quero alguém atrás de mim o dia inteiro - essa ideia é ridícula.

(Gabriel): E eu não quero alguém tentando fazer alguma coisa com você por aí - ele levantou e ficou de frente pra mim.

(Manoela): Qual é, amor, segurança é demais - defendi.

(Gabriel): Não é não, se tem alguém tentando alguma coisa contra você então é necessário que você tenha um segurança! Pelo menos quando eu não estiver com você - bufei contrariada.

(Manoela): Não precisa disso, a policia tá investigando quem fez is...

(Gabriel): A policia que se foda, Manoela! Eles nunca fazem o trabalho deles direito e você vai ficar andando por aí sem proteção nenhuma?

(Manoela): O que as pessoas no hospital vão pensar de um cara andando atrás de mim o dia inteiro?

(Gabriel): Você vai ter um segurança discreto, igual o Fabão. Ele não vai ficar te seguindo igual uma sombra pra todos os cantos do seu trabalho, você nem vai perceber que ele tá tomando conta de você - explicou decidido.

(Manoela): Puta que pariu, era só o que me faltava - resmunguei e fechei minha mochila.

Pegamos minhas coisas e descemos pra colocar no carro, deixei um bilhete de despedida pro Arthur que ainda dorme e saímos do condomínio.

Gabriel colocou sua playlist pra tocar e como sempre sua mão estava na minha perna enquanto ele dirigia, seu maxilar travado me mostra o quanto está tenso e sei que vai continuar enquanto não acharem quem está tentando me aterrorizar.

(Manoela): Seus pais também vão pro Rio? - puxei assunto pra tentar dispersar seus pensamentos.

(Gabriel): Vão, Sophia me mandou uma foto no avião já - respondeu desviando a atenção da rodovia por alguns segundos.

(Manoela): Charlao já se programou pra separar nossos quartos? - brinquei e ele riu.

(Gabriel): Aposto que ele me colocou no quarto mais longe de você - rimos mais ainda.

Depois de 2h dirigindo nós trocamos de lugar e eu dirigi o restante do caminho pra que ele pudesse descansar um pouco e ele apagou no banco do carona.

Chegamos no Rio e eu segui pro endereço do apartamento que vamos ficar na Barra, estacionei o carro na garagem do prédio e fiquei com dó de acordar o Gabriel, ele dormia feito um anjo.

(Manoela): Amor, já chegamos - acariciei seu rosto e ele nem se mexeu - Amor, acorda - o sacudi um pouco e ele abriu os olhos.

(Gabriel): Já chegamos? - perguntou olhando pela janela pra saber aonde ele estava.

(Manoela): Já, vamos subir - tirei meu cinto e também soltei o seu.

Pegamos as malas na mala do carro e subimos de elevador até o nosso andar, a porta do apartamento estava destrancada então entramos já dando de cara com a Sophia jogada no sofá da sala.

(Sophia): Até que enfim! - disse bem alto vindo falar com a gente.

SIDE BY SIDEOnde histórias criam vida. Descubra agora