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— POV GABRIEL MEDINA

A policia chegou antes da Manoela sair da cirurgia e minha família chegou junto.

(Delegado): Boa tarde, Gabriel - apertou minha mão - sou o delegado responsável pelo caso da Manoela, sinto muito pelo ocorrido e vamos trabalhar pra descobrir o que aconteceu de fato.

(Gabriel): Obrigado. Vocês sabem de alguma coisa que possa ter acontecido?

(Delegado): Suspeitas de que não foi apenas um acidente, na pista tem marcas de pneu e encontramos ela do lado de fora do veículo, alguém a tirou do carro e a agrediu porque os ferimentos não foram apenas do capotamento - senti meu sangue ferver.

Ele me deu mais alguns detalhes e eu apenas escutava com todo ódio do mundo, como alguém teve coragem de machucar ela?

Minha mãe e Sophia estavam apreensivas aguardando mais notícias e assim que o médico apareceu o meu mundo acabou.

(Médico): Vocês são a família de Manoela Trindade? - perguntou olhando rapidamente a ficha na sua mão.

(Simone): Sim, como ela está? - perguntou apreensiva.

(Médico): Ela está bem na medida do possível, algumas costelas foram quebradas e ela tem ferimentos da batida do carro, alguns cortes mas também hematomas do que me parece ter sido golpes - minha família se espantou - e infelizmente ela perdeu o bebê, eu sinto muito, não tínhamos como fazer nada.

Todo mundo olhou pro médico com a maior cara de espanto. Parecia que eu tinha levado um soco no estômago.

(Charlao): Ela estava grávida? - só então o médico reparou que ninguém fazia ideia dessa informação.

(Médico): Estava, muito provavelmente de 13 semanas - 13 semanas... Será que ela sabia? - sinto muito pela perda, vocês vão poder vê-la assim que for encaminhada pro quarto.

Eu não estava digerindo nada, parecia que eu estava fora de mim e não conseguia processar nada.

(Simone): Ela vai ficar bem, filho - disse me abraçando e ali eu desabei.

(Gabriel): Ela tava grávida, mãe - falei em meio a um soluço e minha mãe me consolava - por que isso foi acontecer com ela?

(Simone): Agora não é hora de questionar, ela vai precisar de você bem - assenti e sequei as últimas lágrimas que escorriam no meu rosto.

Recebi um abraço de todo mundo e depois de longas 2h tomei coragem pra entrar no quarto pra ver a Manoela, meu coração se partiu em pedacinhos quando a vi toda machucada.

(Gabriel): Amor, eu tô aqui - sentei na cadeira ao lado da sua cama e segurei sua mão machucada - eu nunca mais vou sair do seu lado.

(Manoela): Ga... Gabriel? - falou com dificuldade e abrindo os olhos lentamente.

(Gabriel): Oi, amor! Sou eu - falei calmo ainda segurando sua mão e fazendo carinho.

(Manoela): Aonde eu tô? - ela ainda estava um pouco grogue e sua voz saía baixa.

(Gabriel): No hospital, tá segura - ela fechou os olhos e uma lágrima escorreu do seu olho.

Ver a Manoela daquele jeito me fez sentir um turbilhão de coisas, ela não merecia isso e eu vou me empenhar ao máximo pra descobrir quem teve a coragem.

(Gabriel): O que aconteceu depois que você me mandou mensagem? - perguntei calmo sem pressiona-la, ela suspirou antes de me responder.

(Manoela): Eu tentei pegar um acesso pra ver se o carro saía da minha cola mas não adiantou, quando voltei pra principal e entrei no túnel ele jogou o carro pra cima do meu e eu capotei, depois que o carro parou um cara me puxou pra fora e ele me socava e chutava sem parar, mas ele não tava sozinho - ela fazia uma careta enquanto contava ainda mole - tinha uma voz feminina também que eu tenho certeza que conheço mas não consigo me lembrar quem é, ela ria enquanto o cara me batia.

(Gabriel): Puta que pariu - falei absorvendo tudo aquilo.

Conversamos um pouquinho mais e logo a polícia entrou pra que ela desse o depoimento, foi dito tudo o que ela me contou e que ela recebeu uma mensagem de ameaça ontem de noite também, aproveitamos pra falar do que aconteceu no apartamento dela em São Paulo e a polícia registrou tudo.

(Gabriel): Eu preciso te contar uma coisa - ela me olhava atenta.

(Manoela): O que foi? - segurei sua mão mais uma vez e depositei um beijo.

(Gabriel): O médico disse que você estava grávida - sua feição mudou para choque - mas infelizmente eles não tiveram como salvar o bebê - parecia que eu estava engolindo navalha.

(Manoela): Meu Deus - ela tentou segurar o choro mas não conseguiu e eu corri pra abraçá-la com cuidado.

A consolei por longos minutos até que se acalmasse, aquilo estava me doendo pra caralho.

(Manoela): Desculpa - disse depois de um soluço - se eu soubesse teria proteg... - a cortei.

(Gabriel): Amor, você não tem culpa! - falei olhando nos seus olhos - você sabia que estava grávida?

(Manoela): Não, nem suspeitei.

(Gabriel): Você não tem culpa de nada, quem realmente tem vai pagar por isso - ela assentiu e lhe dei um selinho.

Minha família entrou pra ver ela e eu aproveitei que tinha bastante gente pra sair da sala e conseguir respirar um pouco, tentar colocar minha cabeça no lugar.

Eu perdi um filho e quase perdi a Manoela.

Por que isso tá acontecendo com a gente?
Era pra gente tá em casa agora feliz e seguros.

SIDE BY SIDEOnde histórias criam vida. Descubra agora