— POV MANOELA TRINDADE
Eu perdi um bebê.
Eu nem fazia ideia de que tinha um bebê dentro de mim e me tiraram a oportunidade de conhecê-lo.
O Gabriel estava tentando parecer forte mas dava pra ver o quão assustado ele estava, eu também tô assustada e com muito medo do que pode acontecer mais.
A família do Gabriel me fez companhia enquanto ele resolvia alguns papéis com o hospital e foi no apartamento buscar algumas roupas e itens meus.
Sophia estava tristinha, ela não quis falar muito mas ficou a todo tempo segurando minha mão e fazendo carinho.
Não tocamos no assunto "bebê" e eu me senti aliviada por isso, não é algo que quero falar agora.
Minha mãe também chegou e desesperadamente nos encheu de perguntas que foram todas respondidas.
(Clara): Sinto muito, filha - disse no meu ouvido depois que Simone contou sobre a perda e vi seus olhos cheios de lágrimas.
Ela chorou e acabou me fazendo chorar também, nunca consigo ser forte na frente dela e no momento não tenho como ser forte pra nada.
De noite o Gabriel insistiu que ninguém precisava ficar no hospital por que ele ficaria e assim ficou decidido, ele arrastou o sofá que havia no quarto pra mais perto de mim e ficou segurando minha mão o tempo todo como se eu pudesse sumir a qualquer momento.
(Manoela): Você não precisa se fazer de forte pra mim - falei enquanto ele estava deitado olhando fixamente pro teto, sua cabeça devia tá cheia.
(Gabriel): Na verdade preciso, se eu for fraco não vou conseguir te dar suporte - virou a cabeça pra mim e me olhava fixamente.
(Manoela): Mas você também perdeu alguém assim como eu, a gente ia ter um bebê e ainda tentaram me matar - vi a primeira lágrima rolar no seu rosto - vem cá - o chamei e ele deitou do meu lado com cuidado por causa da minha costela.
Ele não chorou tanto quanto eu mas escutei ele fungando diversas vezes enquanto eu fazia carinho no seu cabelo, eu estava quebrada tanto por fora quanto por dentro mas precisava juntar forças pra também dar apoio à ele.
Tive alta depois de 4 semanas no hospital e fomos pra Maresias, Gabriel insistiu que eu ficasse na sua casa por termos mais segurança e eu aceitei.
Meu acompanhamento médico vai ser em São Paulo e também online, mas a fisioterapia vai ser em Maresias mesmo.
O Gabriel me ajudou a subir as escadas quando chegamos e me acomodei na sua cama pra descansar depois daquele longa viagem de carro.
(Gabriel): Vou trazer alguma coisa pra você comer - disse me ajudando a me acomodar na cama.
Os cortes e hematomas no meu corpo e rosto já estão praticamente sarados, não tem nem como reparar muito que teve alguma coisa ali há umas semanas.
Mas a cirurgia na costela ainda dói um pouco e pra respirar tem me dificultado mas o médico disse que a partir da 5° semana isso tudo passa e vou conseguir ficar sem o remédio de dor.
Minha barriga também precisou ser aberta então também sinto dor nela ainda, mas com tempo as coisas vão se ajeitar, como disse o médico.
Voltar pra realidade tem me assustado, ver como a vida continua acontecendo mesmo depois de tudo ainda é difícil de compreender e o comportamento do Gabriel depois que saímos do hospital tem ascendido um alerta.
(Manoela): Fica aqui comigo um pouco? - pedi assim que ele deixou uma bandeja com algumas frutas e torradinhas na mesinha ao meu lado.
(Gabriel): Tá sentindo alguma coisa? - perguntou deitado do meu lado.
(Manoela): Só um pouco dolorida mas tá tudo bem - sorri sem mostrar os dentes e ele depositou um beijo na minha testa.
Desde que acordei no hospital o cuidado do Gabriel tem sido extremo, às vezes ele mal me toca com medo de que eu quebre, seus beijos são sempre cautelosos e na minha testa, e ele fica vigilante com qualquer contato de outras pessoas comigo. Hoje quando saímos do hospital ele não deixou que ninguém me ajudasse a entrar no carro, ele mesmo fez isso e tem me preocupado.
A vida não para e ele não pode parar sua rotina de atleta pra ficar de babá de mim, além de que o esporte pode ser um escape pra ele aliviar toda sua tensão mas convencê-lo de que ele precisa voltar vai ser difícil.
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SIDE BY SIDE
FanfictionEla nunca teve um relacionamento, já ele teve vários rolos durante a adolescência, era sempre visto com uma garota diferente. Se conheceram por forçação do destino e descobriram que tinham mais coisas em comum do que imaginavam, dois sonhadores e av...
