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—  POV MANOELA TRINDADE

Quando os primeiros raios de sol entravam pela fresta da cortina eu já estava acordada, passei a noite inteira me revirando na cama sem conseguir dormir direito.
Minha barriga doía e o enjoo não passava, procurei por um remédio na mala mas não encontrei. Tentei tomar um banho morno pra ver se aliviava a dor mas não passava, assim que o dia clareou eu levantei e troquei de roupa.

Peguei as chaves do carro na sala e saí pra ir na farmácia, ainda estava todo mundo dormindo então nem notariam que eu não estava.
A farmácia não era muito longe e em 10 minutos já estava estacionada na porta, entrei já procurando um remédio pra dor abdominal e enjoo. O farmacêutico me indicou alguns muito bons e até um pra gases já que de acordo com ele a dor poderia ser gases, paguei tudo e antes de voltar pra casa aproveitei pra ir na padaria.

Assim que entrei no apartamento dona Aurora já estava acordada passando o café e me olhou assustada, assim como Gabriel que estava sentado na sala e eu nem reparei.

(Gabriel): Manu?

(Manoela): Bom dia - cumprimentei dona Aurora com um sorriso fraco. A minha cara devia estar péssima.

(Aurora): Bom dia, Manu! Aonde você estava? - na mesma hora o Gabriel levantou e veio até a gente.

(Manoela): Precisei ir na farmácia comprar um remédio pro estômago, o jantar de ontem não me fez bem - acho que dava pra ver na minha cara por que o Gabriel me olhava com toda preocupação do mundo.

(Gabriel): Porque não me avisou? eu ia na farmácia pra você - ele segurava meu rosto e me analisava.

(Manoela): Não queria te preocupar, eu fui rapidinho - forcei um sorriso mas ele continuava sério.

(Gabriel): O que você tá sentindo? - coloquei a sacola de pão na bancada ainda com ele segurando meu rosto.

(Manoela): Muito dor no estômago e enjoo, passei a madrugada toda com dor e vomitando - tentei me afastar e ir pro quarto mas ele me seguia.

(Gabriel): Porque você não me ligou? Eu teria descido pra fazer alguma coisa - entrei no quarto e me joguei na cama antes engolir os remédios.

(Manoela): Eu achei que ia passar, consegui cochilar um pouco mas a dor voltava - me encolhi no colchão e me cobri na esperança de pegar no sono.

Gabriel estava sentado na beira da cama acariciando meu cabelo e ainda me olhando preocupado.

(Gabriel): Tenta dormir um pouco, daqui a pouco eu venho ver como você tá - apenas assenti e ele beijou minha testa.

Eu apaguei, não sei se foi o cansaço que me venceu ou se foi algum efeito colateral dos remédios, acordei procurando meu celular pra ver a hora e eram 07h.
O sol lá fora estava mais forte e dava pra ouvir o barulho das ondas quebrando na areia, o Gabriel saiu do meu banheiro e abriu um sorriso quando me viu acordada.

(Gabriel): Como você tá? Ainda com dor? - sentou do meu lado.

(Manoela): Sem dor - sorri sem mostrar os dentes - minha cabeça ainda tá um pouco zonza, mas pelo menos sem dor.

(Gabriel): Não acha melhor ficar no apartamento hoje? - neguei - então vai ficar sentada quietinha no palanque - mandou.

(Manoela): Que mandão - brinquei e ele riu junto comigo.

(Gabriel): Você me deixou preocupado - sua mão estava na minha barriga me fazendo um carinho.

(Manoela): Desculpa, era a última coisa que eu queria - levei minha mão até sua nuca e o puxei pra perto selando nossos lábios.

Ele se ajeitou deitando por cima de mim e não desgrudava nossas bocas, sua mão entrou por baixo da minha blusa e seus beijos foram descendo para o meu pescoço.

(Manoela): Gabriel... - murmurei quando sua mão chegou no meu seio - não tô querendo levar esporro do Charlão hoje - ele riu e me beijou.

(Gabriel): Foi você que começou, eu só ia te dar um beijinho - falou se afastando.

(Manoela): Eu assumo essa culpa, não consigo ficar só no beijinho - ele riu e eu também.

Nos afastamos antes que as coisas saíssem do controle, mas ele me ajudou a tomar banho já que eu ainda estava um pouco tonta.
Me vesti com uma roupa fresca por conta do calor que fazia na praia e fomos então tomar café com o restante da família.

A semana passou voando e o Gabriel acabou perdendo sua bateria no round 3, ele ficou bem chateado e frustrado. Ele queria muito o campeonato do Brasil mas acabou não conseguindo.

Decidimos continuar no Rio até o campeonato acabar e assistimos a vitória do Filipe, comemoramos junto com ele na praia e também na festa após o campeonato.
Minha surpresa na festa foi ver que a Fernanda estava lá e seus olhos em mim estavam me causando enjoo, ela não estava sozinha e suas companhias também não me olhavam com muita simpatia.

(Bruna): Tá tudo bem, Manu? - ela perguntou quando notou meu desconforto.

(Manoela): A ex do Gabriel tá aqui e ela não para de me encarar desde a hora que chegou, está começando a me incomodar - Bruna disfarçou e passou os olhos pela casa vendo-a à alguns metros da gente.

(Bruna): Ela seria capaz de alguma coisa? Por que a cara dela tá me dando medo - disse ficando na minha frente pra bloquear a visão da Fernanda.

(Manoela): Não sei, eu não sei muito sobre ela - Bruna engoliu em seco.

Não aguentei ficar muito tempo naquela situação, pedi o Gabriel se ele podia me levar de volta pro apartamento e ele não entendeu muito bem mas aceitou, no caminho pra casa recebi uma mensagem de um número não identificado que dizia: "Seus dias estão contados."

Eu gelei no banco do carro, que merda está acontecendo?

(Manoela): Não precisa ficar, pode voltar pra festa - falei quando o vi tirar os sapatos.

(Gabriel): Eu não vou voltar pra lá sozinho, vou ficar com você - ele se jogou na cama.

Claramente ele não percebeu a presença da Fernanda na festa e eu preferi não tocar no assunto.

Mandei mensagem pra Chloe avisando da mensagem que recebi e ela respondeu na mesma hora dizendo que eu devia levar mais essas provas pra polícia, eu tirei print da mensagem e guardei pra entregar pra polícia quando chegasse em São Paulo.

SIDE BY SIDEOnde histórias criam vida. Descubra agora