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— POV MANOELA TRINDADE

A semana passou voando, Gabriel gravou diversos comerciais e publicidades enquanto dividia seu tempo com os treinos, as coisas estão voltando ao seu devido lugar e fico feliz de ver que ele tem se permitido viver sua vida como era antes.

No sábado Simone e minha mãe apareceram de surpresa com o café da manhã e foi uma surpresa muito boa, a companhia delas me traz aconchego e paz.

(Simone): Tô muito feliz de ver ele voltando a surfar - disse olhando pro quintal aonde o Gabriel conversava com o Charles.

(Manoela): Não foi fácil convencer mas vocês sabem que eu sou teimosa - elas riram e concordaram.

(Clara): É muito bom ver vocês bem - disse orgulhosa e seus olhos brilhavam assim como os da Simone.

(Manoela): Alguém tem alguma notícia do caso? A policia não falou mais nada?

(Simone): A ultima notícia foi que eles encontraram o carro que bateu em você e levaram pra fazer identificação de digitais, placa e o que tiver, mas por enquanto só isso - assenti.

Todos os dias acordo pedindo a Deus que esse caso seja solucionado logo, quero poder acordar tranquila pela manhã sem o medo de colocar o pé pra fora de casa, quero sair pra correr na orla ou pra tomar uma água de côco.

(Gabriel): O que você acha de pegar umas ondas comigo? - disse puxando uma cadeira pro meu lado.

(Manoela): Tá falando sério?

(Gabriel): As ondas estão baixas hoje então é seguro pra você - o convite me pegou de surpresa.

(Manoela): Então acho uma ótima ideia, vou trocar de roupa - lhe dei um selinho e subi pra me trocar.

Coloquei um biquini mas não me senti bem, coloquei um maiô e ficou péssimo, nada ficou bom.
Se fosse o meu corpo de antes qualquer biquini ficaria perfeito.

(Gabriel): Tá pronta? - gritou lá de baixo e fiz uma careta pro espelho vendo outro biquini que não me agradou.

(Manoela): Eu não tenho nenhum biquíni pra usar - falei assim que ele abriu a porta do quarto.

(Gabriel): O que você mais tem é biquíni, tem um monte em cima da cama - apontou para os 6 que eu já tinha provado.

(Manoela): Nenhum fica bonito, eu tô horrivel - choraminguei e ele se aproximou.

(Gabriel): Veste esse, vai ficar lindo em você - me entregou o biquíni marrom.

A cicatriz na costela e na barriga estavam evidentes e na verdade o que menos me agrada são elas, parei na frente do espelho olhando como ficou e o Gabriel passou os braços pela minha cintura.

(Gabriel): Não se cobre tanto, você passou por um acidente, por cirurgias e ainda tá se recuperando - seus dedos tocaram a cicatriz da minha barriga e eu segurei a respiração.

(Manoela): Não consigo me sentir bonita como antes.

(Gabriel): Olha pra você, Manu - me obriguei a me olhar no espelho - você sempre foi linda e continua sendo, seu corpo continua lindo, suas cicatrizes vão ser lembranças da sua força e não símbolos de fraqueza - uma lagrima escorreu no meu rosto.

(Manoela): Obrigada - sorri o olhando pelo espelho.

(Gabriel): Lembra que eu te falei uma vez que sou o homem mais sortudo do mundo? - assenti - eu continuo sendo.

Ele beijou meu pescoço e sorriu pra mim, eu achei que não tinha como me sentir mais apaixonada por ele mas me enganei.

A prancha escolhida foi uma de long por ser maior e mais fácil pra uma iniciante surfar, o mar realmente estava baixo então consegui pegar algumas ondinhas e comemorava cada uma delas assim como minha mãe, Simone e Charles que nos observavam da areia.

(Gabriel): Essa você vai sozinha - disse vendo uma onda vindo e eu me preparei.

(Manoela): Se eu cair você vai me pegar né? - perguntei apreensiva e ele riu.

(Gabriel): Vou estar pronto pra isso - ele se afastou e eu remei pra me posicionar pra pegar a onda.

Nunca tive dúvida da energia que o mar nos transmite até por que o Gabriel sempre foi pra mim a prova viva de que no mar a gente esquece dos problemas e apenas se conecta com a natureza.

Consegui pegar a onda sozinha, meu sorriso era de rasgar o rosto e o do Gabriel também, quando cheguei no final da onda que deitei de volta na prancha olhei pra trás e o vi comemorando igualmente aos nossos pais na areia.

(Gabriel): Pegou sua primeira onda sozinha! - gritou se aproximando - você é foda, amor - abaixei na sua altura pra receber um beijo.

(Manoela): Com um professor desse é impossível não conseguir - ele riu.

Acenei pros nossos pais na areia e quando virei de volta pro Gabriel ele estava sentado na prancha de frente pra mim.

(Gabriel): Como é a sensação de conseguir pegar sua primeira onda? - ele se aproximou e nossos joelhos se tocavam.

(Manoela): Como foi a sua?

(Gabriel): A minha foi insana, foi como se eu tivesse descoberto o mundo e eu não conseguia acreditar que podia ficar em pé numa prancha - seus olhos brilhavam contando.

(Manoela): E então você soube que era isso que queria fazer pra sempre? - sorrimos juntos.

(Gabriel): Foi, minha mãe achou que talvez seria loucura mas o Charlão entendeu e ainda bem que me entendeu tão bem - sorri junto com ele - mas você não me contou como foi pra você.

(Manoela): Acho que foi a melhor experiência da minha vida, me senti como se nada mais importasse, sabe quando você me fala que estar no mar ajuda a esquecer tudo e silenciar os pensamentos?

(Gabriel): É a melhor sensação do mundo - assenti.

Ainda pegamos mais algumas ondas juntos e também tomamos algumas na cabeça mas no fim do dia parecia que tudo terminou ainda mais perfeito, nossos amigos vieram jantar com a gente e minha irmã também chegou com Sophia e Felipe.

A família estava completa.

SIDE BY SIDEOnde histórias criam vida. Descubra agora