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Meu coração doía, o choro preso na minha garganta queimava. Eu parecia estar vivendo um pesadelo. Como aquela garota conseguiu virar o meu irmão contra mim? eu sentei no chão chorando desesperadamente alto. Eu não queria aceitar aquilo, Felipe era a única pessoa que eu tinha e agora eu não tenho mais. Ouvir passos andando em minha direção, a esperança de ser Felipe voltando arrependido me fez levantar um pouco cabeça. Não era Felipe, mas era alguém que eu realmente queria mais que tudo naquele momento. — Eu sinto muito Sweet Child!— Michael me tomou em seus braços confortáveis e eu chorei ainda mais. Ele me acalentava com carinho e palavras positivas. Quando meu choro cessou um pouco, Michael me levou pro meu quarto em seus braços e me deitou na cama. — Eu vou cuidar de você.— disse e foi pro banheiro. Ouvir a água enchendo a banheira. Meu dono me colocou na banheira cheia de espuma e sais de banho, pediu que eu tentasse relaxar um pouco. Encostei a cabeça na borda e fechei os olhos, refletir sobre como a vida de Michael também poderia estar de pernas pro ar, o quanto ele também deveria estar precisando de cuidados, mas estava ali me priorizando. Eu sem dúvidas o amava. Quando eu sair do Closet já vestida em uma blusa roxa e um short curto branco, pude ver Michael depositando uma bandeja na cama e sentando em seguida. — Estou sem fome.— disse me sentando perto dele. — Você precisa comer.— me ofereceu uma torrada com pasta de amendoim. — Isso é uma ordem? — peguei a torrada de sua mão. — Talvez.— tomou um gole do chá de jasmim.— O que foi isso no seu lábio ?— fitou minha boca machucada. — A mulher que arremessa vasos caros em você esteve aqui, acho que você já sabe.— ironizei. Michael ficou surpreso.— Ela me deu uns tapas e eu não reagir. Acho que merecia, eu realmente fui uma vadia sem valor e... — Hey.— Michael me impediu de continuar.— Eu lhe proíbo de falar assim de você mesma. Isso iria acontecer de qualquer forma, Melissa. Lisa e eu não estávamos bem há tempos, se não fosse você, seria outra ou outras. Mas ainda bem que foi você.— passou a mão no meu rosto com carinho. — Eu sinto muito pela papelada, eu estou com tanto medo.— estremeci e soltei a torrada na mesa. — Está tudo sob controle baby, não há o que temer.— me entregou a torrada outra vez.— Coma! — Mas se vazarem... sei lá... se... — Confie em mim.— segurou meu rosto com as mãos me fazendo olhar em seus olhos.— Apenas confie em mim. Eu posso lidar com isso da melhor forma. Lisa e eu entramos com o divórcio.— ele disse. Meu coração foi tomado por terço de alegria, eu não conseguir esconder. — Em breve somos você e eu, juntos com a nossa D/s eterna.— sorriu
1996
Michael e eu estávamos no que se dizem " melhor fase" do nosso relacionamento. Íamos a clubes de BDSM, praticamos inúmeras cenas, cada vez melhor. Não tinha como nada dar errado, estávamos felizes e completos. Ainda não assumimos nada para a mídia e nem pra ninguém, eu era somente a maquiadora dele.
Dei a Michael a ideia de gravar "They Don't Care About Us" no Brasil, seria ótimo fazer aquilo na favela e no Pelourinho em Salvador. Já que era lá que habitavam as pessoas menos favorecidas do país. Era para aqueles lugares que os governadores viravam as costas e fingiam não ver que existia ser ser humanos ali. Michael acatou a ideia e conversou sobre com toda sua equipe, acharam uma ideia magnífica. No jatinho, um de frente para o outro, Michael trajava uma camisa vermelha listrada com preto e calça preta, os seus cabelos haviam crescido um pouco o deixando ainda mais sexy. Devorei ele com os olhos, sentindo minha boceta implorar por ele. Ele estava tão distraído com a paisagem lá fora que nem reparou dos meus olhares insinuativos. — Eu amo o Brasil!— disse sorridente.— O meu melhor público está aqui.— virou o rosto para mim.— Eles cantam todas as músicas, choram e curtem a...— parou de falar quando se deu conta dos meus olhares maliciosos.— O que foi ? — Estou excitada vendo você.— falei sem me importar com Frank Cássio do outro lado. — Oh puxa!— corou parecendo um adolescente ingênuo. — Ainda bem que o meu quarto de hotel fica bem longe do de vocês.— brincou Frank.— Vocês são loucos. Gargalharmos.
Começaram as gravações, eu sempre estava ali retocando a maquiagem do meu homem, ele suava muito dando o seu melhor.
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No Rio de Janeiro, assim que fiz a maquiagem de Michael e quando ele desceu para gravar, tive uma surpresa indesejada. — Olha ela!— Danielly se aproximou de mim com cautela.— Quem diria, não é? Maquiadora do rei do pop.— bateu palmas com desdém me olhando dos pés a cabeça. — Toda vestida na grife. Olha só esse loiro, bem matizado. Quanto ele lhe paga? Por que poxa vida, você nem parece mais aquela pirralha mal vestida que fedia a coentro e cebola. Respirei fundo e dei um sorriso sem mostrar os dentes. — Eu nem sei o que diabos você está fazendo aqui. E sim, eu venci na vida, como você pode ver. Um sapatos desses paga uns três daquele muquifo que você chama de casa.— joguei na cara dele.— A pirralha aqui tem uma vida bem diferente da sua, finge ser feliz sustentando aqueles gigolô nojento. — Eu não admito que você fale assim comigo sua delinquente!— engrossou a voz. — e eu não admito que você venha aqui enquanto estou trabalhando falar suas asneiras. Me esquece Danielly, não somos nada uma para a outra, você mesmo sabe. Você é um monstro, narcisista cruel. Uma mãe que tenta matar um filho... sinceramente! Vi Danielly arregalou os olhos e o seu rosto franziu. — Algum problema aqui?— um dos seguranças de Michael me perguntou. — Não, está tudo bem. Obrigada!— sorri sem graça. — Foi uma pena eu não ter conseguido.— Danielly cuspiu sem dó com o seu olhar de desprezo e me deu as costas. Cresci me perguntando o motivo pelo qual eu era tão odiada e indesejada pela minha mãe. Talvez eu nunca saberia ao certo mas prefiro ela bem longe de mim.
À noite no hotel, eu massageava os pés de Michael, o dia foi bem cansativo para ele. Eu não falei nada sobre a visita surpresa de Danielly mas Michael me conhecia com uma palma de sua mão. — Mel!— chamou suave. Eu levantei a cabeça e encarei seu rosto, ele estava sentado no sofá sem camisa, apenas vestido em uma calça de pijama, seus cabelos ainda estavam úmidos com alguns cachos caindo em sua testa. — O que aconteceu? — Nada, eu só estou... — Não minta pra mim, sabe que detesto mentiras.