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Decidi fazer uma surpresa para Melissa , no dia seguinte peguei Paris e Prince e fomos até a casa dela. Dei o endereço para Dieter o meu motorista daqui, assim seguimos. Eu queria que as crianças tivessem mais contatos com os filhos de Melissa, já que íamos morar todos juntos ou ter uma relação de longo prazo, aquele contato era de suma importância. Paris segurava uma sacola com algumas bonecas e Prince uma com vários carros e bonecos de personagens. Naquela noite faríamos um fondue por está muito frio e ter um contato mais íntimo. Finalmente chegamos, passamos das 20h00 da noite, provavelmente ela e as crianças estavam em casa. Aquela noite seria marcante, eu pediria a mão dela em casamento diante dos filhos dela e dos meus, a caixinha com anel estava em meu bolso, pronto para ser aberta, eu estava nervoso e com medo de receber um "não" como resposta. Pedi que Dieter fosse tocar a companhia, ele tocou algumas vezes e logo alguém apareceu. Era a babá das crianças, eu era bom em gravar um rosto na memória. Dieter conversou com ela alguma coisa e voltou para o carro deixando a mulher lá na porta. — Aquela senhora disse que Melissa saiu com as crianças, senhor.— Dieter me informou — Saiu ?— estranhei.— Ela informou para onde foram ? — Não, mas vou perguntar.—disse. — Não precisa, eu mesmo vou. Crianças aguardem aqui quietinhos no carro, nada de abrir janelas.— falei olhando para os meus miúdos. — Senhor, pode ser perigoso.— Dieter afirmou. — Vou ser rápido. Cuide deles.— pedi e sair do carro rapidamente. A expressão de surpresa no rosto da babá me fez ficar um pouco envergonhado. Ela já tinha me visto antes, não era pra tanto. — Boa noite senhora.... — tentei lembrar. — Abigail.— sorriu. — Isso, Abigail.— Abracei ela levemente.— Eu posso entrar um instante ?— pedi com receio de alguém me vê.— Não quero ser descoberto. — Ah claro.— Abigail me deu passagem e eu entrei. Notei seu nervosismo em seu rosto e respiração. — A Melissa vai demorar ?— quis saber.— Pensei que ela e as crianças estivessem aqui. — Eu acho que ela não volta mais hoje senhor Jackson, ela... quer dizer, ela e as crianças viajaram para vê o avô.— gaguejou. — O avô ?— franzi o cenho desconfiado. — Sim, o pai das crianças contou para o pai dele que tinha filhos. O senhor de muita idade quis muito conhecer os netos.— Abigail mentia muito mal, eu notei logo que aquilo não era verdade. — Oh sim.— assisti.— É muito longe daqui ?— eu queria vê até onde a mentir dela iria. — Em outra cidade, senhor.— afirmou sem me olhar nos olhos. — Hã... tudo bem então, depois eu falo com ela.— forcei um sorriso e lhe dei um abraço.—Obrigada Abigail, tenha uma ótima noite. — Disponha senhor. Boa noite. — Deus te abençoe.— antes de voltar para o carro olhei pra os lados e a barra estava limpa, corri e entrei na SUV. — Vamos Dieter.— disse para o motorista.— Crianças, a Mellissa e os filhos dela não estão, voltaremos para casa e brincarmos juntos. Outro dia voltamos aqui. Tudo bem? — Sim!— responderam um pouco frustrados.
Eu estranhei ver Abigail vestida em um hobby e na casa de Melissa, ela era apenas a babá das crianças e não morava lá. Melissa havia me dito que não sairia, quando liguei mais cedo, absolutamente do nada ela resolveu se locomover pra outra cidade com as crianças, e mais, para conhecer o avô? Essas crianças que o pai nem quis saber. Isso estava muito estranho. Disquei o número dela e ela atendeu no quarto toque. Nunca entendi o motivo dela nunca atender rápido. — Olá Sweet Child.— Falei com a voz doce.—Como está ? — Olá Mike, estava pronta para ir dormir, foi um dia cheio.— sua voz parecia exausta.— E você ? — Eu estou bem. Estou organizando uma brincadeira com as crianças, eles estão cheio de energia hoje. Ugh!— sorri e ela também. — Sei bem como é, aqui não é diferente. — Eu... hã... estou com muita saudade.— falei. — Eu também estou. Fico aqui nessa casa lembrando das nossas aventuras, sinto o seu cheiro nas almofadas.— ela disse. Então aquela era a hora. — Eu queria saber se estar em casa agora, vou lhe mandar um presente. — Estou sim.— sorriu e deu uma leve tossida.— Estou deitada com as crianças. — Oh é mesmo. Já vai dormir, não é mesmo?— engoli seco apertando forte o estofado do banco do carro.— Desculpa, eu esqueci. — Sim. Porque não deixa para me entregar pessoalmente ?— falou. — Mal posso esperar pra lhe dar.— tentei conter a raiva na voz. "Melissa, a Abigail está na linha querendo falar com você, disse que é urgente." Eu ouvir uma voz masculina falar do outro lado da linha. — Preciso desligar agora, a bateria vai... — desligou.
Me segurei ao máximo para não chorar, então era aquilo. Melissa tinha alguém. Eu fui burro, notei muitas contradições e atitudes suspeitas mas a paixão me deixou cego. Eu estava completamente cego. Imediatamente liguei para Stiver e pedir o de sempre, ele tinha que investigar quem era aquela Melissa que eu ainda não conhecia. Não consegui dormir, amanheci sentado na frente do computador esperando os e-mails de Stiver ou o seu telefonema. Quando o do e-mail tocou, meu coração quis sair pela boca. Tive que respirar por alguns minutos antes de abrir. Meu coração foi tomado por uma dor insana, parecia que alguém estava com uma faca enfiando lentamente em mim, a cada linha que eu lia daquele arquivo. Melissa era uma senhora Cross, casada com o famoso CEO de Chicago, sua empresa de Marketing era a mais famosa da cidade. O viúvo Gabriel Cross perdeu sua esposo no parto dos seus filhos gêmeos. Então Melissa não era mãe biológica daquelas crianças. Mas porque ela fez isso ? Porque Melissa me traiu dessa forma? Porque mentiu tanto sobre tudo? Porque ela me deixou acreditar que teríamos uma nova chance ? Ela me traiu e traiu seu marido. Chorei feito um bebê deitado no chão em posição fetal. A dor que eu sentia era devastadora e piedosa, Melissa definitivamente me destruiu! Aquilo fazia parte de um plano? Um plano de um vingança pelo passado? Porque a minha vida era cercada por pessoas com sede de vingança? Sequei uma garrafa de uísque sozinho, vendo o nome de Melissa aparecer no visor do meu telefone, ela não parava de ligar. Eu nunca fui um homem vingativo, mas eu estava disposto a fazer-la pagar dessa vez. Resolvi atender o telefone como se nada tivesse acontecido, eu precisava ser como ela, frio e calculista. Se eu tinha que jogar o seu jogo podre, então que comecei um jogo. — Oi baby. — Michael, eu sinto muito.— sua voz nervosa soou.— Eu deveria ter lhe contato tudo e... — Está tudo bem minha Sweet Child. Eu entendo que não quis compartilhar comigo isso.— manipulei.— É o avô das crianças, não é? — Ah... sim, é.... Ele é.— Melissa ficou confusa e eu percebi.— Eu não sabia que você iria na minha casa. Eu queria encontrar o momento certo para lhe contar sobre isso.— fungou.— Eu não sabia que isso aconteceria, o pai das criança nunca se importou com eles e agora resolveu se aproximar.— ela mentia com uma facilidade inacreditável. Serrei maxilar tentando conter a raiva. Se ela estivesse na minha frente, não sei do que seria capaz . — Tudo bem meu anjo.— falei.— Eu não vou julgá-la. Eu te amo muito para me importar com algo tão... supérfluo. Podemos jantar hoje a noite, o que acha? — Hoje não, não posso. Mudei minha folga pra hoje pois ainda estou fora de Chicago. Estou em South Side. Só volto a noite. — Tudo bem.— suspirei.— Aguardo o seu tempo então. — Não vai ficar chateado ?— amansou a voz. — De jeito nenhum meu amor. Teremos uma vida, não é?— soltei as lágrimas que escorreram em meu rosto. — Teremos sim.— suspirou.— Eu te amo. — Eu também te amo. Agora, preciso trabalhar baby. Até mais.— quis desligar. — Até!— falou. Eu desliguei e estourei o celular na parede com ódio. Você me jogou em um inferno mais uma vez Melissa, mas desta vez, você vem junto. Aposto que seu marido vai gostar de saber sobre a sua vida dupla. Ela vai saber que 59 era o seu código.