Cuarenta y uno

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Tema: brigas.

Era uma tarde silenciosa em Madrid, o tipo de dia em que a cidade parece respirar calmamente, mas no interior do apartamento de Carlos e Sn, a atmosfera era densa, carregada com o peso de palavras não ditas

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Era uma tarde silenciosa em Madrid, o tipo de dia em que a cidade parece respirar calmamente, mas no interior do apartamento de Carlos e Sn, a atmosfera era densa, carregada com o peso de palavras não ditas. Eles estavam de pé na sala, separados por uma distância que, apesar de não ser grande fisicamente, parecia imensa emocionalmente. O brilho nos olhos de Sn havia desaparecido, e Carlos estava de braços cruzados, encarando-a com um olhar sério, como se tentasse encontrar alguma resposta que ele já sabia que não viria.

Tudo começou como um simples desentendimento. Pequenos atritos, como qualquer casal normal teria, mas o desgaste e a frustração de meses de tensão começaram a aflorar. O trabalho de ambos, a pressão das suas responsabilidades, a falta de tempo, tudo parecia se acumular até o ponto de transbordar.

— Você simplesmente não me escuta, Carlos! — Sn disse, a voz tremendo, mas firme. — Eu tento ser compreensiva, tento entender suas viagens, seu trabalho, mas eu também tenho a minha vida! Eu tenho o meu tempo e os meus compromissos, e parece que, toda vez, você espera que eu esteja aqui esperando por você.

Carlos sentiu a raiva tomar conta de seu corpo. Ele estava cansado, exausto de lutar contra esse peso constante que sentia, mas ao mesmo tempo, ele sabia que parte da culpa era sua. Ele sempre se jogava de cabeça no trabalho, sempre tentando atender às expectativas de todos, esquecendo-se do que realmente importava: o que ele tinha ao seu lado, o que ele estava arriscando ao não dar atenção o suficiente.

— Eu não estou pedindo para você esperar por mim, Sn! — Ele respondeu, a voz tensa, quase fria. — Eu só... Eu só não entendo por que você não consegue entender o quanto a corrida, o meu trabalho, são importantes para mim. Você sabe o quanto eu amo isso, e é como se nada fosse suficiente para você.

— Isso não é sobre as corridas, Carlos! — Sn disse, sua voz aumentando com a frustração. — Isso é sobre nós! Sobre como eu me sinto colocada de lado toda vez que você se dedica demais a algo que eu não sou, e você parece nunca perceber o quanto isso me machuca. Eu tento falar com você, tento te fazer entender, mas você sempre coloca isso na frente de tudo!

Carlos passou as mãos pelos cabelos, frustrado, tentando controlar a raiva que começava a surgir. Ele odiava confrontos, mas desta vez, o cansaço e o desgaste o haviam levado à beira de perder o controle.

— E o que você quer que eu faça, Sn? — Ele gritou, sem querer, fazendo com que ela recuasse um passo. — Eu não sou perfeito, eu não sou mágico! Eu sou apenas um cara tentando conciliar tudo e, de alguma forma, parece que isso nunca é o suficiente para você! Você não consegue entender que eu também estou tentando fazer o meu melhor?

O silêncio caiu pesado sobre a sala, e Sn ficou em silêncio por um momento, absorvendo as palavras de Carlos. Ela olhou para ele, o peito subindo e descendo com a respiração pesada. Sua expressão estava mais calma agora, mas seus olhos estavam cheios de dor.

— Eu só queria que você estivesse aqui quando eu precisasse de você. Só isso, Carlos. Eu não quero mais ouvir desculpas vazias ou promessas que não são cumpridas. Eu não posso continuar assim.

As palavras dela a cortaram profundamente. Ele sentiu a ferida se abrir dentro dele, mas ao mesmo tempo, a raiva ainda estava lá, uma sensação incômoda que não conseguia ignorar. Ele não queria discutir mais, mas o que ela disse o fez sentir como se ele estivesse falhando, não apenas como namorado, mas também como homem.

Carlos olhou para ela por um instante, tentando encontrar as palavras certas, mas tudo o que ele conseguiu foi uma expressão de frustração. Ele se virou de costas e caminhou até a janela, observando a cidade lá fora, tentando organizar os pensamentos. Sn ficou parada, as mãos tremendo ligeiramente ao lado de seu corpo, seus olhos marejados.

A briga estava alcançando um ponto sem retorno.

— Então o que você quer? Que eu vá embora? Que a gente acabe tudo? — Ele finalmente perguntou, virando-se para ela, a voz tensa com um tom que ele não conseguia controlar.

Sn sentiu o estômago embrulhar com a pergunta. Ela não queria acabar com tudo, mas ela não podia continuar em um relacionamento que a fazia sentir-se constantemente negligenciada, como se suas necessidades emocionais nunca fossem priorizadas. Ela respirou fundo, tentando manter a calma, mas as lágrimas estavam quase à flor da pele.

— Eu não sei o que eu quero, Carlos. — Ela respondeu, a voz agora mais suave, mas cheia de dor. — Eu só sei que eu não posso continuar assim. Eu amo você, mas... está difícil demais. Eu me sinto sozinha, mesmo quando você está ao meu lado.

Carlos fechou os olhos por um momento, sentindo como se o peso do mundo estivesse sobre seus ombros. Ele queria ser o homem que ela precisava, mas ele sentia que não estava conseguindo. E, ao perceber que ela estava começando a duvidar de tudo o que eles tinham, ele se sentiu ainda mais perdido.

— Eu... eu não sei o que fazer, Sn. Eu não sei como consertar isso, mas eu não quero te perder. — A voz de Carlos estava mais suave agora, quase desesperada, como se ele estivesse lutando contra o próprio orgulho para admitir suas falhas.

Sn olhou para ele, seu coração apertado. Ela sentia o mesmo, mas a dor que ela estava sentindo era maior do que qualquer outra coisa naquele momento. Ela sabia que Carlos era importante para ela, mas ela também sabia que não podia continuar em uma relação onde se sentia negligenciada.

Ela se aproximou lentamente, os olhos fixos nele. Quando finalmente falou, sua voz estava tranquila, mas firme.

— Eu não quero que você mude quem você é, Carlos. Eu só... eu só preciso de mais de você. Mais de sua atenção, mais de seu carinho, mais de você. Eu não posso ser a última prioridade na sua vida, porque você é a minha primeira.

Carlos sentiu uma dor profunda no peito ao ouvir aquelas palavras. Ele sabia que tinha falhado, mas a única coisa que ele podia fazer era tentar mudar, tentar ser melhor para ela.

Ele deu um passo em direção a ela, mas não sabia o que mais dizer.

O clima entre eles estava pesado. Ambos sabiam que essa briga não era só sobre uma corrida ou sobre um pequeno mal-entendido. Era sobre o relacionamento deles, sobre a distância que começava a crescer entre os dois, e o medo de que o amor deles estivesse começando a se desfazer.

O silêncio voltou a tomar conta da sala. Ambos estavam feridos, e ainda não sabiam como a conversa terminaria.

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