Treinta y siete

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Tema: Mais que amigos.

Tema: Mais que amigos

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A previsão do tempo para Madrid não era nada animadora. O céu cinzento e o som distante de trovões indicavam que a chuva estava a caminho. Sn, no entanto, não se importava. Ela tinha saído de casa para resolver algumas coisas e, entre uma parada e outra, foi surpreendida por uma tempestade repentina.

— Ótimo... — murmurou, puxando o casaco sobre a cabeça enquanto corria para o carro estacionado do outro lado da rua.

Antes que pudesse alcançar o veículo, um carro parou ao seu lado. O vidro abaixou lentamente, revelando um Carlos Sainz sorridente e um pouco encharcado também.

— Precisa de uma carona, senhorita? — Ele perguntou com aquele tom brincalhão que fazia o coração dela disparar.

— Só se a carona incluir um café quente. — Ela respondeu, entrando no carro.

— Feito. — Carlos disse, acelerando em direção a uma pequena cafeteria que eles costumavam frequentar.

A cafeteria era aconchegante, com janelas grandes que mostravam a chuva forte lá fora. O cheiro de café fresco misturado ao som da água caindo era quase terapêutico. Eles se sentaram em uma mesa perto da janela, e Carlos pediu os cafés.

— Você sempre tem o timing perfeito. — Sn comentou enquanto tirava o casaco molhado.

— Ou talvez seja destino. — Carlos respondeu, com um sorriso nos lábios.

Eles conversaram por alguns minutos, sobre coisas simples — trabalho, família, planos para o fim de semana. Mas havia uma tensão no ar, algo não dito pairando entre eles.

Carlos, por fim, quebrou o silêncio.

— Sabe... eu estava pensando. — Ele começou, os olhos fixos na xícara de café à sua frente.

— Sobre? — Sn perguntou, curiosa.

Ele levantou os olhos para encontrá-la.

— Sobre nós. Sobre como as coisas são fáceis quando estamos juntos. Como, mesmo quando tudo está desmoronando, você é meu ponto de equilíbrio.

Sn ficou em silêncio por um momento, surpresa com a sinceridade dele.

— Carlos, eu...

— Eu sei, pode ser que eu esteja me precipitando. — Ele interrompeu. — Mas é difícil não pensar que talvez... só talvez... isso aqui seja mais do que amizade.

Ela sentiu o coração acelerar. A verdade era que ela também sentia isso há algum tempo, mas sempre teve medo de estragar a amizade especial que eles tinham.

— Carlos... — Ela começou, mas foi interrompida pelo toque do telefone dele.

Ele olhou para o aparelho, fez uma careta e o colocou no silencioso.

— Nada importante. Quero ouvir o que você tem a dizer. — Ele disse, com os olhos sinceros.

Sn respirou fundo.

— Eu sinto o mesmo. Há algum tempo, na verdade. Só não sabia como dizer, ou se deveria dizer.

Carlos sorriu, aquele sorriso caloroso que fazia o mundo parecer um lugar melhor.

— Então talvez essa chuva tenha trazido algo bom. — Ele disse, segurando a mão dela sobre a mesa.

Eles ficaram ali, olhando um para o outro, até que Carlos se inclinou lentamente, e ela fez o mesmo. O beijo foi suave, cheio de sentimento, como se ambos estivessem esperando por aquele momento há muito tempo.

Quando se afastaram, ele olhou nos olhos dela, ainda segurando sua mão.

— A chuva pode continuar. Desde que eu esteja com você, não importa. — Ele sussurrou.

E assim, sob a chuva de Madrid, duas almas que sempre estiveram conectadas finalmente encontraram o caminho uma para a outra.

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