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A noite estava tranquila no apartamento. A luz suave de um abajur iluminava o escritório, onde Sn estava sentada há horas, encarando a tela do notebook com o cursor piscando insistentemente. O som do teclado, que normalmente era constante enquanto ela escrevia seus romances de sucesso, estava ausente naquela noite.
Ela suspirou profundamente, apoiando o queixo nas mãos. O capítulo que deveria ser um dos pontos altos do livro simplesmente não se desenvolvia. As palavras que costumavam fluir de maneira tão natural pareciam travadas, e nada que ela tentava fazia sentido.
Foi quando Carlos entrou no escritório, vestindo uma camiseta preta e calça de moletom, segurando uma xícara de chá.
— Trouxe isso pra você. Você parece estar precisando. — Ele colocou a xícara na mesa dela, inclinando-se para beijar o topo de sua cabeça.
— Obrigada. — Ela suspirou, aceitando o chá. — Acho que vou precisar mais do que chá pra resolver isso.
Carlos se sentou no braço da cadeira dela, cruzando os braços.
— O que tá acontecendo? Não consegue escrever?
— Não. — Ela fez uma careta. — É uma cena romântica, sabe? A protagonista finalmente vai se declarar para o mocinho, mas eu simplesmente... não sei como escrever isso. Tá tudo forçado, sem emoção.
Carlos riu baixo, erguendo uma sobrancelha.
— Você, a rainha dos romances, tá sem inspiração pra escrever uma cena de declaração? Isso parece um pouco irônico.
Sn bufou, empurrando ele de leve.
— Não é engraçado, Carlos. Eu tenho um prazo pra entregar esse capítulo, e nada tá funcionando.
Carlos desceu do braço da cadeira e puxou outra cadeira para se sentar ao lado dela. Ele olhou para a tela do notebook e depois para Sn, com um sorriso travesso no rosto.
— Então você precisa de ajuda.
— Preciso de um milagre, isso sim. — Ela disse, cruzando os braços.
— Tá bem, deixa comigo. — Ele disse, levantando-se de repente.
— O que você tá fazendo? — Ela perguntou, observando enquanto ele pegava um livro da estante e começava a folheá-lo.
— Procurando inspiração. Você sempre disse que se inspira em momentos reais, certo? Então, vamos recriar a cena.
Ela franziu a testa, desconfiada.
— Recriar a cena?
Carlos colocou o livro de lado e se aproximou dela, com um olhar intenso que a fez perder o fôlego por um momento.
— Sim, exatamente. Me diz, o que tá acontecendo na cena? Como eles estão?
Sn mordeu o lábio, tentando lembrar do que tinha planejado.
— Eles estão na sala de estar, sozinhos. Ela tá nervosa porque nunca disse que ama alguém antes, e ele tá tentando entender o que ela quer dizer.
Carlos sorriu e estendeu a mão para ela.
— Certo. Então levanta. Vamos fazer isso direito.
— Carlos, isso é ridículo.
— Confia em mim, vai ser divertido. — Ele disse, puxando-a gentilmente pela mão até que ela se levantasse.
Eles se posicionaram no meio do escritório, e Carlos colocou as mãos nos bolsos, tentando parecer descontraído.
— Ok, você é a protagonista. Me diz o que você tá sentindo.
— Eu tô me sentindo uma idiota por estar fazendo isso. — Ela respondeu, rindo.
Carlos estreitou os olhos para ela.
— Não, de verdade. Entra na personagem. Você tá apaixonada, mas não sabe como dizer isso.
Ela revirou os olhos, mas respirou fundo e tentou entrar no clima.
— Tá bem... Eu tô nervosa, mas também ansiosa. É como se eu soubesse que preciso dizer isso ou vou explodir.
— Perfeito. — Carlos disse, dando um passo mais perto dela. — Agora fala. O que você diria?
Sn o encarou, tentando pensar nas palavras. O jeito como ele a olhava fazia seu coração acelerar, e ela começou a perceber que não precisava fingir muito.
— Eu... — Ela começou, engolindo em seco. — Eu acho que sempre soube que você era especial. Desde o início. Mas agora, tudo o que eu quero é...
Antes que ela pudesse terminar, Carlos a interrompeu, segurando o rosto dela com as duas mãos.
— É assim que ele responde. — Ele disse suavemente, antes de inclinar-se e beijá-la.
O beijo foi lento e intenso, como se ele estivesse tentando provar o que palavras não podiam dizer. Quando finalmente se afastaram, Sn o encarou, surpresa.
— Isso não tava no roteiro. — Ela murmurou, sentindo as bochechas corarem.
Carlos sorriu, acariciando o rosto dela.
— Não precisava estar. Às vezes, a melhor parte de uma história é o improviso.
Sn riu, empurrando-o de leve.
— Você é impossível.
— E você tá sorrindo. Isso significa que funcionou.
Ela balançou a cabeça, voltando para a cadeira e começando a digitar rapidamente. Carlos ficou ao lado, observando-a com um sorriso satisfeito.
— Vai me dar crédito nesse capítulo, certo? — Ele perguntou.
— Você vai ganhar uma dedicatória inteira se ficar quieto agora. — Ela respondeu, ainda sorrindo.
E assim, enquanto as palavras finalmente fluíam, Sn percebeu que a maior inspiração para seus romances sempre esteve bem ao lado dela.