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O céu de Madrid estava coberto por nuvens cinzentas naquela manhã de domingo. Sn estava na cozinha, preparando o café da manhã para sua filha, Luna, de seis anos. A menina, cheia de energia, falava animadamente sobre a próxima visita ao zoológico com o pai.
— Mamãe, você acha que o papai vai me deixar segurar uma cobra hoje? — Luna perguntou, os olhos brilhando de expectativa.
Sn riu, tentando esconder o nó que sempre se formava em seu peito quando pensava em Carlos.
— Não sei, minha pequena aventureira, mas conhecendo o seu pai, ele provavelmente vai deixar você segurar até um leão, se pedir com jeitinho.
Luna riu, mas Sn sentiu seu coração apertar. Era sempre assim. Apesar da separação, o amor que sentia por Carlos nunca havia desaparecido. Eles tinham decidido se separar há pouco mais de um ano, após meses de discussões, a rotina desgastante da vida dele como piloto e as dificuldades em equilibrar tudo. Ainda assim, o amor... o amor nunca foi o problema.
Minutos depois, a campainha tocou, e Sn soube que era ele.
Carlos entrou na casa com aquele sorriso que ainda fazia seu coração bater mais rápido. Ele vestia uma camiseta preta e jeans, o cabelo levemente bagunçado, o mesmo de sempre, mas ainda assim diferente. Agora ele era apenas o pai de Luna... e não mais o homem ao lado dela.
— Bom dia, pequenina! — Ele abriu os braços para a filha, que correu para ele, abraçando-o com força.
— Papai! Estou pronta para segurar uma cobra! — Luna anunciou, fazendo Carlos rir.
— Vamos ver o que conseguimos arranjar, Luna. Mas nada de leões hoje, ok? — Ele piscou para Sn, e ela sorriu, mesmo que de forma contida.
Carlos olhou para Sn por alguns segundos a mais do que o necessário. Ela estava linda, como sempre. O cabelo preso de forma despretensiosa, o rosto sem maquiagem, mas com aquele brilho natural que ele tanto amava.
— Bom dia, Sn. — Ele disse suavemente.
— Bom dia, Carlos. — Ela respondeu, desviando o olhar rapidamente.
Carlos sentiu o peso da distância entre eles, uma distância que não era física, mas emocional. Ele ainda a amava, mesmo que as circunstâncias os tivessem separado.
— Quer tomar um café antes de irmos? — Sn ofereceu, tentando ser cordial, mas também porque qualquer momento ao lado dele ainda era algo que ela desejava.
— Claro, por que não? — Ele aceitou, seguindo-a até a cozinha enquanto Luna ia buscar sua mochila.
Eles se sentaram à mesa, o silêncio confortável, mas carregado de tudo o que não diziam.
— Luna está tão animada para hoje — Sn comentou, quebrando o silêncio. — Ela fala sobre isso desde a semana passada.
Carlos sorriu, mexendo na xícara de café.
— É o momento dela. Eu faria qualquer coisa para vê-la feliz.
Sn assentiu, mas as palavras dele ressoaram em seu coração. Carlos sempre foi um pai dedicado, e essa era uma das coisas que ela mais admirava nele.
— E você? Como está? — Ele perguntou, a voz suave, mas carregada de preocupação genuína.
Sn hesitou por um momento.
— Estou bem... tentando equilibrar tudo. Trabalho, Luna... a vida. E você? Como estão as coisas com a equipe?
— Corridas, treinos, entrevistas... — Ele suspirou. — A mesma correria de sempre. Mas sinto falta... de estar aqui com vocês.
Sn abaixou o olhar, o coração apertando mais uma vez.
— Carlos... — Ela começou, mas foi interrompida por Luna, que apareceu na cozinha com um sorriso largo.
— Estou pronta, papai!
Carlos se levantou, pegando a mochila da filha.
— Vamos, então.
Sn os acompanhou até a porta, observando enquanto Carlos ajudava Luna a entrar no carro. Antes de partir, ele olhou para Sn novamente, seus olhos encontrando os dela de forma intensa.
— Nos vemos mais tarde? — Ele perguntou, quase como uma esperança.
— Claro. — Ela respondeu, tentando manter a voz firme.
Mais tarde, quando Carlos voltou com Luna, a menina estava exausta, mas feliz, falando sem parar sobre os animais que viu.
— Foi incrível, mamãe! E papai me deixou segurar uma cobra de verdade! — Luna disse antes de ir para o quarto.
Carlos ficou parado na sala, observando Sn arrumar algumas coisas. O silêncio se instalou novamente, mas dessa vez, ele não conseguia mais ignorar o que sentia.
— Sn... — Ele chamou, aproximando-se devagar.
Ela se virou para ele, os olhos encontrando os dele mais uma vez.
— Sim?
Carlos respirou fundo.
— Eu sinto sua falta.
Sn ficou em silêncio, as palavras dele ecoando em sua mente.
— Carlos... Não é tão simples...
— Eu sei. — Ele interrompeu, a voz cheia de emoção. — Mas eu ainda te amo, Sn. E sei que as coisas ficaram complicadas, que nos afastamos... Mas eu nunca deixei de te amar.
Sn sentiu as lágrimas se acumularem nos olhos.
— Eu também sinto sua falta, Carlos. Mas... e se não der certo de novo?
Ele se aproximou, segurando as mãos dela com delicadeza.
— Talvez dê... se tentarmos de novo, com calma, juntos. Pelo bem de Luna, mas principalmente pelo que ainda sentimos.
Ela olhou para ele, o coração dividido entre a dor do passado e a esperança do futuro.
— Eu... — Ela começou, mas antes que pudesse continuar, Carlos a puxou para um abraço, envolvendo-a com o calor que ela tanto sentia falta.
— Vamos tentar, Sn. Só mais uma vez.
Ela fechou os olhos, sentindo o cheiro familiar dele, o conforto que sempre encontrou nos braços de Carlos.
— Tudo bem... Vamos tentar.
Carlos a segurou com força, como se tivesse medo de deixá-la ir novamente. E, naquele momento, ambos sabiam que, apesar de tudo, o amor que compartilhavam ainda era forte o suficiente para lhes dar uma nova chance.