Setenta y dos

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Tema: perdendo o filho de vocês em um passeio.

🏎️

Carlos mal podia acreditar que estava de férias.

Depois de uma temporada intensa nas pistas, a agenda cheia de compromissos e a adrenalina constante, ele finalmente tinha tempo para descansar. Ele e Sn passaram alguns dias sozinhos em uma espécie de mini lua de mel, aproveitando a paz antes de embarcarem para os Alpes Suíços com as crianças.

A ideia era simples: descanso, tranquilidade e tempo de qualidade em família.

Ou pelo menos era o plano.

Os primeiros dias foram perfeitos. Pela manhã, eles tomavam café juntos no chalé aconchegante que haviam alugado. O dia era preenchido com caminhadas na neve, brincadeiras de guerra de bolas de neve e passeios de trenó. À noite, se aqueciam na lareira, tomavam chocolate quente e jogavam jogos de tabuleiro enquanto as crianças riam.

Carlos estava genuinamente feliz.

Mas, como todo pai de família sabe, tranquilidade demais é sempre um aviso de que algo caótico está prestes a acontecer.

E aconteceu.

Na tarde do quarto dia, depois de um almoço delicioso no vilarejo próximo, Sn sugeriu que passassem em algumas lojas. Carlos, mesmo não sendo fã de compras, concordou sem reclamar. Afinal, era um passeio inocente... ou pelo menos deveria ser.

A família toda seguiu pelas ruas charmosas e enfeitadas, onde lojinhas vendiam desde lembranças até roupas de inverno sofisticadas. O problema começou quando as crianças entraram juntas em uma loja de brinquedos e saíram... em número menor do que entraram.

Carlos percebeu primeiro.

— Cadê o Miguel? — Ele perguntou, olhando ao redor.

Sn, que segurava as sacolas de compras, olhou para os outros dois filhos, Valentina e Enzo, que estavam ali.

Mas Miguel, o caçula de apenas quatro anos, não.

Sn arregalou os olhos.

— Ele estava aqui agora há pouco!

Carlos sentiu um frio na espinha — e não era por causa da neve.

— Como assim "agora há pouco"?! Ele é uma criança pequena! Meu Deus, perdemos um dos nossos filhos!

— Carlos, calma! — Sn tentou manter a compostura. — Ele não pode ter ido muito longe.

— Isso aqui é um vilarejo inteiro! Ele pode estar em qualquer lugar! — Carlos começou a andar de um lado para o outro, passando a mão pelos cabelos.

— A gente precisa pensar como o Miguel. — Sn disse, tentando ser racional.

Valentina, que já tinha nove anos e achava que sabia tudo sobre a mente dos irmãos, cruzou os braços.

— Ele provavelmente foi atrás de comida.

— Claro! — Enzo, de seis anos, concordou. — O Miguel é sempre o primeiro a roubar os biscoitos da cozinha.

Carlos olhou para os filhos.

— O que significa que ele pode ter entrado em qualquer lugar com comida!

Sn respirou fundo.

— Vamos nos dividir. Eu vou para aquela padaria na esquina, você vê as lojas do outro lado da rua.

— Ótima ideia. Crianças, fiquem perto da sua mãe.

Carlos saiu praticamente correndo pelas ruas do vilarejo, abrindo as portas das lojas sem cerimônia.

Primeiro, ele entrou em uma cafeteria.

— Vocês viram um menininho de quatro anos, cabelo escuro, casaco vermelho?

O atendente olhou para ele, confuso.

— Não, senhor.

Nada.

Ele foi para a loja ao lado, que vendia chocolates artesanais.

— Com licença, um garotinho pequeno passou por aqui?

A vendedora sorriu.

— Ah, sim! Ele entrou, olhou tudo, perguntou se tinha doce de graça e saiu correndo.

Carlos fechou os olhos e suspirou.

— É ele.

Agora ele já tinha uma pista.

Ele saiu da loja e continuou sua busca, sentindo o coração acelerar. Mas antes que pudesse se desesperar de verdade, uma cena chamou sua atenção.

No meio da praça principal do vilarejo, sentado tranquilamente em um banco, estava Miguel.

Na sua mão?

Um enorme algodão-doce azul.

Ao lado dele?

Um simpático senhor de idade, sorrindo enquanto conversava com o menino.

Carlos quase caiu de alívio.

— MIGUEL!

O pequeno olhou para o pai e abriu um sorrisão.

— Papai!

Carlos se abaixou na altura do filho e pegou seu rosto entre as mãos.

— Você me deu um susto!

— Mas por quê? Eu só queria um docinho.

— E você saiu sem avisar?!

O senhor ao lado sorriu.

— Perdão, jovem. Ele disse que estava com fome e não encontrava os pais. Eu comprei um algodão-doce para ele enquanto esperávamos.

Carlos respirou fundo, tentando recuperar a calma.

— Muito obrigado, senhor. Eu já estava prestes a chamar a polícia suíça inteira.

Logo Sn e as crianças chegaram correndo.

— Achamos ele! — Carlos anunciou.

Sn caiu de joelhos e abraçou Miguel apertado.

— Nunca mais faz isso, entendeu?

— Mas mamãe, eu tava com fome.

Sn suspirou e beijou o topo da cabeça dele.

— Na próxima vez, avisa! Seu pai quase teve um infarto.

— Desculpa, papai.

Carlos pegou o filho no colo e suspirou, sentindo o peso do estresse saindo de seu peito.

— Da próxima vez, eu compro um doce para você. Mas sem fugas, tá bom?

— Tá bom.

Sn olhou para Carlos e riu.

— Acho que essas férias precisam de um pouco menos de adrenalina, não acha?

Carlos soltou uma risada cansada.

— Definitivamente.

E com Miguel seguro, um novo combinado foi feito: dali em diante, qualquer desejo por doces seria atendido por um dos pais — e nunca mais por uma fuga repentina.

Férias em família definitivamente nunca eram monótonas.

𝟓𝟓 - 𝙞𝙢𝙖𝙜𝙞𝙣𝙚𝙨  Onde histórias criam vida. Descubra agora