Cincuenta y uno

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Tema: desconhecidos.

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A academia do hotel estava praticamente vazia, exceto por S/N e mais algumas poucas pessoas focadas em seus treinos. Ela havia chegado ao México para uma viagem de trabalho e, como de costume, não queria quebrar sua rotina de exercícios, especialmente depois de um dia estressante no trânsito caótico da Cidade do México.

Enquanto ajustava o peso da máquina de pernas, soltou um suspiro exasperado e comentou para o homem que estava na esteira ao lado:
— Não sei como as pessoas aqui aguentam esse caos. Todo ano é a mesma coisa nessa época. Corridas, gente gritando, ruas fechadas... É insuportável!

O homem parou de correr, enxugou o suor da testa com uma toalha e olhou para ela, visivelmente intrigado.
— Corridas? — Ele perguntou, com um leve sotaque espanhol e um sorriso contido.

S/N assentiu, frustrada, sem perceber o tom curioso dele.
— Sim, você não viu? Está cheio de anúncios sobre Fórmula 1. Não aguento mais isso! Já é difícil andar por aqui sem evento nenhum, imagina agora. — Ela balançou a cabeça e continuou: — Nunca entendi o fascínio por isso. Carros dando voltas, um monte de barulho... Pra mim, não tem graça nenhuma.

O homem tentou segurar o riso e desviou o olhar, mas não resistiu.
— Não gosta de corridas, então? — Ele perguntou, claramente se divertindo.

— Odeio! — S/N respondeu, categórica, sem perceber o brilho malicioso nos olhos dele. — Se dependesse de mim, eles fariam essas corridas no meio do deserto ou em algum lugar que não atrapalhasse ninguém.

Ele deu um passo para mais perto, apoiando-se na máquina ao lado dela.
— Interessante... Você sabe quem corre na Fórmula 1?

Ela franziu o cenho, um pouco desconfiada, mas deu de ombros.
— Não faço ideia. Acho que tem um tal de Hamilton, já ouvi falar dele. Fora isso, não sei o nome de ninguém.

O homem sorriu, estendendo a mão.
— Carlos. Prazer.

Ela apertou a mão dele, mas logo percebeu que ele parecia estar segurando o riso.
— Você é algum tipo de fã dessas corridas ou algo assim? — Perguntou, desconfiada.

Carlos soltou uma risada baixa e passou a mão pelos cabelos úmidos de suor.
— Algo assim.

— Ótimo. Mais um para me julgar por não gostar de corridas. — Ela revirou os olhos, mas não pôde deixar de notar o quão simpático ele parecia. — Então, Carlos, o que você faz?

Ele hesitou por um momento, claramente tentando decidir se revelava a verdade ou se brincava um pouco mais. Optou pela segunda opção.
— Trabalho com carros.

— Mecânico? — Ela perguntou, com curiosidade.

— Não exatamente. — Ele sorriu, adorando a situação. — Digamos que eu passo muito tempo dentro deles.

— Motorista de táxi? — Ela sugeriu, arrancando uma gargalhada dele.

— Bem, de certa forma... — Ele respondeu, sem se aprofundar.

Antes que ela pudesse questioná-lo mais, um homem com uniforme do hotel entrou na academia e chamou:
— Senhor Sainz, o carro para levá-lo ao autódromo está pronto.

S/N congelou. Virou-se lentamente para Carlos, que agora sorria abertamente, aproveitando o momento.
— Sainz? — Ela repetiu, incrédula. — Tipo... Carlos Sainz?

Ele assentiu, divertido.
— Sim, um dos caras que você acha que transforma a cidade em um caos.

O rosto de S/N ficou vermelho na hora.
— Meu Deus... Eu estava reclamando com você sobre... sobre...

— Sobre mim? — Ele completou, rindo.

— Ai, que vergonha! — Ela levou as mãos ao rosto, mortificada. — Me desculpa! Eu não fazia ideia!

Carlos colocou a mão no ombro dela, ainda rindo.
— Tudo bem, não se preocupe. Eu já ouvi reclamações piores. Além disso, gosto de pessoas honestas.

— Não acredito que falei tudo isso... — Ela murmurou, ainda se escondendo atrás das mãos.

Ele sorriu, abaixando-se ligeiramente para olhar nos olhos dela.
— Se serve de consolo, você me fez rir. E olha, prometo tentar não causar tanto caos.

Ela soltou uma risada nervosa, finalmente relaxando um pouco.
— Acho que estou oficialmente no topo da sua lista de pessoas que você quer evitar.

— Na verdade, você está no topo da minha lista de pessoas que eu quero conhecer melhor. — Ele disse, com um sorriso que fez o coração dela disparar.

Carlos acenou para o funcionário do hotel, indicando que já estava indo, mas antes de sair, virou-se para S/N.
— Que tal me dar uma chance de mostrar o lado bom das corridas? Um jantar, talvez?

S/N piscou, surpresa, mas não conseguiu esconder um sorriso.
— Acho que devo isso a você, né?

— Exatamente. — Ele respondeu, piscando para ela antes de sair.

E, enquanto ele deixava a academia, S/N percebeu que talvez as corridas não fossem tão ruins assim. Afinal, já tinham lhe dado um motivo para sorrir naquela noite.

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