Cuarenta y tres

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Tema: Você batendo o carro dele.

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Carlos havia acordado cedo naquele dia, animado com a rara folga no calendário de corridas. Com a agenda quase sempre lotada, momentos como aquele eram preciosos. Ele já tinha planejado um jantar especial em casa, comprado vinho e separado o filme que vocês adoravam assistir juntos. Mas, por enquanto, estava estacionado no centro de Madri, aguardando você sair do trabalho no jornal. Ele mexia no celular, trocando mensagens com amigos e rolando pelo Instagram, quando o telefone tocou. Era você.

— Hola, mi amor. Já está vindo? — ele atendeu, com a voz calma.

Do outro lado da linha, você parecia hesitante, a respiração entrecortada.

— Carlos... — começou, com a voz baixa e quase trêmula. — Preciso que você fique calmo, tá?

O coração dele disparou no mesmo instante.

— O que aconteceu? Você está bem? — perguntou, endireitando-se no banco, já em alerta.

— Eu... eu bati o carro — você soltou de uma vez, antes de continuar rapidamente: — Foi o seu carro.

Carlos fechou os olhos e respirou fundo. Não era qualquer carro. Era o Audi RS Q8 que ele tanto amava, praticamente novo. Mas o tom na sua voz fez qualquer preocupação com o veículo desaparecer instantaneamente.

— Apenas me diga que você está bem, pelo amor de Deus, ou terei um ataque cardíaco — ele disse, segurando o telefone com mais força, a voz grave, mas cheia de preocupação.

Houve um momento de silêncio antes de você responder.

— Eu estou bem... só estou tremendo um pouco. O outro motorista também está bem, eu já verifiquei. Mas o carro... Carlos, eu estraguei tudo.

Ele suspirou, aliviado que você não tinha se machucado.

— Fica aí, não se mexa. Estou indo te buscar agora — ele disse, já ligando o carro e dando partida.

Quando Carlos chegou ao local do acidente, viu você encostada na lateral do Audi, os braços cruzados em um gesto de autoproteção. Seus olhos estavam marejados, e você parecia prestes a desmoronar. O outro carro envolvido no acidente, um sedã cinza, estava estacionado mais à frente, com uma pequena batida no para-choque.

Carlos estacionou o carro e saiu rapidamente, caminhando em sua direção. Você tentou sorrir ao vê-lo, mas falhou miseravelmente.

— Carlos, me desculpa — você começou, mas ele nem deixou você terminar.

Ele segurou seu rosto com ambas as mãos, olhando fundo nos seus olhos.

— Eu já disse, a única coisa que importa é que você está bem. Carro, dinheiro, consertos... isso tudo se resolve. Você, não.

Você sentiu as lágrimas caírem ao ouvir as palavras dele. Antes que pudesse responder, ele te puxou para um abraço apertado, protegendo você do mundo lá fora. O cheiro familiar do perfume dele te envolveu, e pela primeira vez desde o acidente, você se sentiu segura.

Depois de resolverem as questões com o outro motorista e trocarem informações de seguro, vocês voltaram para casa. Carlos dirigia o Audi, mesmo com a lataria arranhada, enquanto você seguia atrás no carro dele. Durante todo o trajeto, você não conseguia parar de pensar no quão calmo ele estava, mesmo depois de você ter batido no carro que ele tanto gostava.

Quando chegaram ao apartamento, ele te puxou para o sofá, serviu uma taça de vinho para você e sentou-se ao seu lado.

— Agora que tudo está resolvido, quero que você me diga exatamente o que aconteceu.

Você suspirou, um pouco envergonhada.

— Eu estava saindo do estacionamento do jornal, e tinha uma van parada na saída. Tentei desviar, mas o outro carro vinha rápido demais. Eu... não vi a tempo.

Carlos passou a mão pelos cabelos, pensando.

— Então a culpa foi dele?

— Não sei. Foi tudo muito rápido. Mas acho que sim, talvez... — você respondeu, sentindo a culpa pesar novamente.

Ele segurou sua mão e beijou seus dedos.

— Escuta, acidentes acontecem. Você não precisa se culpar tanto assim.

Você olhou para ele, surpresa pela paciência e compreensão que ele demonstrava.

— Você realmente não está bravo?

Ele riu, balançando a cabeça.

— Claro que não. Um carro é só um carro. Eu posso comprar outro, mas você... você é insubstituível.

Você não conseguiu conter o sorriso e o puxou para um beijo.

Mais tarde, enquanto estavam deitados no sofá, com a TV ligada em um filme qualquer, você se aconchegou no peito dele, sentindo o ritmo calmo de sua respiração.

— Obrigada por ser tão incrível, Carlos — você sussurrou.

Ele sorriu, passando os dedos pelos seus cabelos.

— Só estou sendo um namorado decente. Da próxima vez, vamos sair juntos, assim você não terá que dirigir meu carro.

Você riu, sentindo-se finalmente tranquila. Mesmo depois de um dia difícil, Carlos tinha a capacidade de transformar tudo em algo leve e suportável. E naquele momento, você teve certeza de que ele era o melhor parceiro que você poderia ter ao seu lado.

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