Capitulo 95

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Pov Elis

A Chloe levantou-se e foi até a cozinha bufando audivelmente.

Elis: Amor, devagar! Olha o peso na barriga, por favor. Não faças movimentos bruscos por minha causa.- Gritei do sofá, tentando levantar o tronco, mas uma fisgada violenta no tornozelo fez-me cair para trás com um gemido dor.- Ahh.

Chloe: Fica quieta, Elis! Não te mexas.- A voz dela veio lá de dentro, misturada com o barulho do congelador a abrir. Pouco depois, a Jana entrou na sala a correr.

Jana: Mas que gritaria é esta aqui na sala? Meu Deus, o que aconteceu ao teu pé, Elis?! Está o dobro do tamanho!

Elis: Escorreguei na vala do pasto, Jana. Estava a puxar um esteio da cerca e a rocha cedeu.

Jana: Ai, Jesus! E a minha filha a caminhar com um barrigão pela casa para buscar gelo. Deixa estar, Chloe! Dá cá isso, eu trato dela.- A Jana tirou o saco de gelo das mãos da Chloe, que vinha logo atrás com uma cara de poucos amigos, e ajoelhou-se junto ao meu pé, pousando o frio em cima do inchaço.- Tens de ir ao hospital da vila ver se não há nenhuma fratura, Elis.

Chloe: Não é preciso ir ao hospital, mãe. É só fita de quem queria boleia e colinho.- A Chloe sentou-se na beira do sofá, mesmo ao pé da minha cabeça, com os braços cruzados sobre o ventre.- Ela vinha muito bem amparada pela Aurora.

Elis: Amor, por amor de Deus, vais mesmo ter ciúmes da vizinha? - Peguei na mão dela, tentando puxá-la para mim, mas ela manteve os dedos rígidos, embora não tenha afastado a mão.- O Senhor Joaquim estava lá, ele viu tudo! A moça só foi prestativa e eu mal conseguia pôr o pé no chão.

Jana: Espera aí, a vizinha? - A Jana levantou a cabeça, com os olhos a brilharem.- Foi ela que te trouxe? Ah, que alma caridosa. Se não fosse ela, estarias deitada no chão até o Joaquim conseguir trazer-te. Devias ter vergonha, Chloe, a moça fez um favor para nós.

Chloe: Uma coisa é fazer um favor, mãe! Outra coisa é a forma como ela agarrava a Elis pela cintura! Parecia que estava a segurar um troféu.- A Chloe desviou o olhar para a janela, com o queixo a tremer ligeiramente e então percebi que o ciúme dela não era só de raiva, era a insegurança de estar fechada em casa há meses, a ver o corpo mudar, enquanto o mundo lá fora continuava a girar.

Sendo assim, mudei a minha postura no sofá, ignorando a dor no tornozelo, e puxei o corpo da Chloe para mais perto, forçando-a a olhar para mim. A Jana, percebendo o momento, levantou-se e saiu.

Jana: Vou ao quarto buscar uma pomada de arnica e vocês tratem de acalmar os espíritos.- E saiu, deixando-nos a sós.

Elis: Olha para mim. Olha para os meus olhos, amor.- Segurei o rosto dela com as duas mãos, obrigando os olhos dela a fixarem-se nos meus.- Achas mesmo, nem que seja por um segundo, que alguma Aurora, ou quem quer que seja neste mundo, tem alguma hipótese contra ti?

Chloe: Ela não tem essa barriga enorme que eu tenho agora, Elis.- O tom sarcástico dela sumiu, dando lugar a uma voz baixinha e vulnerável que me partiu o coração.- Ela consegue andar, pode trabalhar no campo contigo, consegue usar o que quiser sem parecer um balão e eu estou aqui fechada, a dar cabo do teu juízo e a zangar por tudo e por nada.

Elis: Fica a saber que és a grávida mais linda, mais imponente e mais desejada de toda esta comarca.- Colei a minha testa na dela.- Essa barriga enorme, como dizes, guarda o meu maior tesouro, os nossos três filhos. Eu não quero uma mulher para carregar sacos de ração comigo no campo, Chloe, para isso tenho o Joaquim. Eu quero a mulher que mudou a minha vida, a mulher com quem eu vou casar assim que os meninos saírem daí.

A Chloe soltou um suspiro trémulo, e os braços dela finalmente rodearam o meu pescoço, puxando-me para um abraço apertado.

Chloe: Desculpa, amor. Os hormônios deixam-me louca e que ver-te chegar com ela fez o meu sangue ferveu. Só estou estou com medo.

Sem medo de amarHistórias para pegar e não largar. Descubra agora