Capitulo 76

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Pov Chloe

Letícia sentou-se no sofá, escondendo o rosto nas mãos. Enquanto isso, a Elis caminhou até a janela, observando a rua.
Aproximei-me da Elis e toquei seu ombro levemente.

Chloe: O que você quer fazer?- perguntei baixo.

Elis: Quero ir embora, Chloe.- Ela se virou para mim.- Não quero ficar aqui ouvindo apelos. Se meu pai quer um depoimento, ele vai ter, mas ele não vai gostar do que eu tenho a dizer. Vamos arrumar nossas coisas.- assenti.

Subi as escadas atrás da Elis. No quarto, ela jogava as roupas de qualquer jeito.

Chloe: Elis, calma.- eu disse, pegando uma das camisetas que ela tinha deixado cair e dobrando devagar.- Precisamos de um plano antes de voltarmos. O advogado do seu pai precisa de depoimentos e não vai te deixar em paz quando chegarmos. Além disso, o Theo é uma bomba relógio.

Ela parou de repente, segurando um casaco contra o peito, e olhou para mim.

Elis: Eu não me importo mais com o Theo, Chloe. Ele que tente a sorte. O que me mata é ver a minha mãe agindo como se o meu pai fosse um santo incompreendido.- Ela jogou o casaco na bolsa.- Eu vou ligar para um amigo do meu pai. Ele conhece gente na defensoria. Eu quero um advogado que não tenha ligação com o meu pai.

Chloe: É uma boa ideia.- concordei, fechando a minha própria bolsa.- Eu vou ligar para a minha mãe. Vou pedir para ela deixar a chave da casa de praia com a gente. Talvez não seja seguro ir direto para a casa dela.

Elis assentiu, concordando com a cabeça. Enquanto arrumávamos as coisas, aproveitei para ligar para minha mãe e pedir as chaves da casa da praia. Descemos alguns minutos depois e a Letícia ainda estava na mesma posição, mas levantou o rosto quando ouviu nossos passos.

Letícia: Vocês não podem ir assim.- Letícia implorou, se levantando com dificuldade.- Elis, por favor, pensa no que isso vai fazer com a nossa família. Se você depor contra ele, não tem volta.

Elis: A família acabou no momento em que o papai decidiu que era juiz e carrasco, mãe. Eu te amo, mas não posso te ajudar a salvar a reputação de um assassino.- A Letícia tentou falar alguma coisa mas a Elis levantou a mão pedindo que ela parasse.

Quando saímos da casa, encontramos a tia Merry na varanda com uma sacola de lanche, ela abraçou a Elis com força.

Merry: Se cuida, pequena e você também, Chloe. A verdade é um caminho difícil, mas é o único que não tem volta.- Nos despedimos dela e saímos.

Entramos no carro. Eu tomei o volante, enquanto Elis olhava fixamente para a estrada à nossa frente, com as mãos entrelaçadas no colo.

Elis: Chloe?- ela chamou, sem desviar o olhar do asfalto.

Chloe: Oi.

Elis: Obrigada por não ter ficado do lado da minha mãe mesmo que isso signifique que você também vai ser julgada.

Chloe: Conte comigo para o que precisar.- respondi e alcancei a mão dela.

Após algumas horas, chegámos ao nosso destino.

Chloe: Vamos para a casa de praia, não para a casa da minha mãe. Minha mãe deixou a chave escondida no vaso de plantas, como combinamos. Fica a uns quarenta minutos daqui, e o Theo nunca vai pensar em nos procurar lá.

Elis: Não. Antes disso, eu preciso ir a um lugar.

Chloe: Elis, Está tarde.

Elis: Vamos para a delegacia.

A encarei por um segundo, sem contestar e mudei o trajeto e seguimos para a delegacia. Quando chegamos fomos direto à recepção.

Elis: Eu sou Elis da Conceição.- ela disse para o policial de plantão, que levantou os olhos do computador com uma expressão de surpresa.- Sou filha do Henrique da Conceição. Quero falar com o delegado responsável pelo caso do Lucas.-O policial trocou um olhar rápido com um colega.

Policial: O delegado está em uma reunião agora, senhorita, mas o advogado do seu pai está aqui no prédio...

Elis: Eu não quero falar com o advogado do meu pai.- ela o cortou.- Gostaria de prestar um depoimento oficial neste momento e quero deixar registrado que não estou sob orientação da defesa de Henrique da Conceição.

O policial nos levou a uma sala pequena.

Elis: Você não precisa entrar comigo. Isso é algo que eu tenho que fazer para me separar dele.- Olhou para mim.

Chloe: Tudo bem, eu vou estar bem aqui na porta.- respondi, beijando os nós dos dedos dela.

Dez minutos depois, um homem de meia-idade, com olheiras profundas e uma pasta debaixo do braço, apareceu, era o delegado. Ele nos avaliou por um momento e fez sinal para a Elis entrar na sala dele e eu fiquei no corredor, sentada em um banco de madeira.

Depois de quase duas horas, a porta se abriu. Elis saiu parecendo que tinha tirado um peso de toneladas das costas.

Elis: Fiz o que tinha que ser feito.- ela disse, vindo até mim.- Contei tudo que sei e sobre o que ouviste e sobre como ele tentou me manipular para justificar o que fez.

Chloe: Eu só quero que isso tudo termine rápido.

Elis: Vai terminar, meu amor.

Ao sairmos da delegacia e nos aproximarmos do carro, vi o Theo numa mota. Ele desceu, e eu me coloquei instintivamente na frente da Elis, mas ela me afastou e deu um passo à frente.

Elis: O que você quer agora, Theo? Já dei meu depoimento, e ele não é o que você espera, nem o que meu pai quer.

Theo: Eu vi o carro de vocês entrando.- ele disse, a voz baixa.- Eu passei a tarde toda querendo te odiar, Elis. Querendo que você sofresse o que eu sofri, mas um tal de Marcos me procurou e me contou o que aconteceu.- Elis ficou em silêncio.- Mas isso não muda o fato de que o Henrique é um assassino, mas eu percebi que se eu continuar te caçando, eu vou acabar sendo o vilão da história e eu só queria ser o filho de um homem que não fosse um lixo.

Elis: Todos nós queríamos pais melhores, Theo mas a gente só tem a nós mesmas agora. Vai para casa e deixa a justiça cuidar do resto.

Theo montou na moto, olhou para mim por um breve segundo e arrancou.

Elis suspirou, encostando a cabeça no meu ombro.

Elis: Agora podemos ir para aquela casa de praia? Eu só quero ouvir o som do mar e esquecer que essa cidade existe por uns dias.

Chloe: Vamos.- respondi, abrindo a porta para ela.

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