Capitulo 93

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Pov Elis

Nesse momento a enfermeira apareceu no corredor.

Enfermeira: Família da Chloe? A paciente já acordou e já foi transferida para um quarto privado na ala de obstetrícia. Ela está um pouco sonolenta devido à medicação, mas não para de chamar pela Elis.

Elis: Sou eu.- Dei um passo em frente, quase atropelando as palavras.- Posso entrar? Posso ir ver a minha noiva?

Enfermeira: Pode sim, mas apenas uma pessoa de cada vez para não a agitar. A tensão dela precisa se manter baixa e estável.

Olhei para a Jana e para o Camilo. A minha sogra, com a sabedoria e o amor que só uma mãe tem, pegou nas minhas mãos ainda trémulas e apertou-as com carinho, dando-me a passagem.

Jana: Vai, minha querida. Tu és o porto seguro dela. Diz a ela que estamos todos aqui e que o pior já passou. Nós esperamos cá fora.

Camilo: Vai lá, Elis.- O Camilo deu-me uma palmadinha firme no ombro.- Diz-lhe que o mano tratou de tudo e não te esqueças de lhe dar a grande notícia com jeitinho.- Agradeci com um aceno e segui a enfermeira pelos corredores silenciosos do hospital.

Quando a porta do quarto se abriu, o meu mundo voltou a fazer sentido.
A Chloe estava deitada na cama, ela tinha um acesso venoso no braço direito, por onde corria o soro, e um tubo de oxigénio leve no nariz. O rosto dela ainda exibia a palidez do susto e da perda de sangue, mas abriu os olhos devagar assim que entrei.

Chloe: Amor.- A voz dela saiu num sussurro extremamente fraco, rouco, mas foi o som mais bonito que ouvi em toda a minha vida.

Elis: Estou aqui, meu amor.- Corri para o lado da cama, ajoelhando-me no chão para ficar à altura dela. Peguei na mão esquerda dela com as minhas duas mãos, colando os meus lábios nos seus nós dos dedos e as lágrimas voltaram a escorrer pelo rosto.- Já estás segura. A Giovana foi levada pelo Camilo, ela nunca mais te vai tocar.

A Chloe tentou esboçar um sorriso, mas a testa dela contraiu-se de imediato numa expressão de dor. A mão livre dela moveu-se devagarinho pelos lençóis, tentando descer até à lateral da barriga, onde tinha o penso cirúrgico e o pânico voltou a piscar no olhar dela por um segundo.

Chloe: Eu perdi o nosso bebê? Eu falhei em protege-lo.

Elis: Shh, olha para mim, não diga besteira.- Levei a minha mão delicadamente ao rosto dela, afastando uma mecha de cabelo e colando a minha testa na dela.-Não falhaste em nada. Foste a mulher mais corajosa do mundo, a bala não perfurou o útero por milímetros e o nosso bebé está bem, o coração está a bater forte.

A Chloe fechou os olhos, soltando um suspiro longo, e uma lágrima solitária escorreu pelo canto do olho, misturando-se com as minhas.

Chloe: Graças a Deus que ele sobreviveu.

Elis: Sim, sobreviveu mas na verdade, amor, há um pequeno detalhe na ecografia que os médicos fizeram durante a cirurgia.- Dei um sorriso de lado, sentindo o meu próprio peito inflar com aquela mistura de choque e felicidade que o médico me tinha transmitido há pouco.- Lembras-te de quando estavas na cozinha e disseste que o teu estômago andava caótico e que a tua barriga já parecia estar a crescer mais rápido do que o normal para poucas semanas?- A Chloe piscou os olhos, um pouco confusa devido à anestesia, olhando para mim com o cenho franzido.

Chloe: Sim, mas o que isso tem a ver? O médico encontrou alguma coisa na ecografia?

Elis: Encontrou.- Ri baixo, foi uma risada chorosa, e guiei a mão dela para o centro do ventre, com todo o cuidado do mundo.- O doutor disse que não ouviu apenas um batimento cardíaco lá dentro, Chloe e também não eram dois.- A Chloe arregalou os olhos num segundo.

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