Pov Elis
[Um mês depois]
Parei um pouco no pasto norte para admirar a vista, segurando duas garrafas de água fresca.
O santuário já estava pronto. Já tínhamos duas éguas resgatadas de um criador ilegal da região vizinha que o Senhor Joaquim tinha ajudado a trazer através de uma denúncia anónima. Elas pastavam calmamente à sombra da grande árvore. A Estrela, a minha égua, estava num piquete ao lado, servindo quase como uma guia para as novas moradoras se habituarem ao espaço.
Chloe: Amor, ainda bem que chegaste. Se eu passasse mais cinco minutos a pintar estas traves sobre o sol, acho que começava a ver miragens.- Vi-a aproximar-se da cerca, com um boné a prender o cabelo e um pincel na mão, cheia de manchas de verniz nas calças.
Elis: Deixa-me ver, o trabalho de hoje está quase pronto. O layout que desenhaste no computador ficou perfeito no terreno, amor. Olha para isto.- Entreguei-lhe uma garrafa de água fresca, dando-lhe um beijo rápido nos lábios suados.
Chloe: Ficou, né? Quando a associação de resgate animal aceitou a nossa parceria na semana passada, eu quase não acreditei. Mas ver as éguas se recuperando me faz perceber que vale a pena cada calo nas mãos.- Ela deu um longo gole na água, limpando a boca com as costas da mão.
Elis: És incrível, amor. Trataste da burocracia toda, do site, dos contactos. A vovó estaria orgulhosa de ver o que fizeste com esta terra.
Nesse momento escutamos o barulho de um carro na estrada de terra. Olhámos para baixo e vimos o carro do Camilo a aproximar-se. Ele tinha voltado à cidade há Três semanas para ajudar o Dr. Viana nos últimos preparativos para o julgamento, mas prometeu voltar este fim de semana.
Ele desceu do carro com uma pasta de documentos grossa debaixo do braço. O Senhor Joaquim, que estava perto do estábulo, aproximou-se também.
Camilo: Ora viva, patroas da fazenda.- Ele olhou para cima, avaliando as cercas novas.- Estou a ver que não perderam tempo. Aquilo lá em cima está com cara de projeto profissional. Muito bem, Chloe.
Chloe: Estávamos cheias de saudades, mano. Conta-nos tudo. O que o Viana disse?- Abraçou o Camilo com força.
Entrámos todos na cozinha da casa principal para fugir ao calor. O Senhor Joaquim sentou-se connosco, mantendo o seu olhar atento. O Camilo abriu a pasta em cima da mesa.
Camilo: O Dr. Viana mandou um abraço e estes documentos oficiais para assinares, Elis. O júri popular do Henrique foi oficialmente marcado para daqui a dois meses. O Arnaldo tentou mais três recursos de última hora e perdeu todos. O teu pai vai a julgamento preso, sem direito a fiança.
Elis: E a Giovanna?
Camilo: A Giovanna tentou fazer um acordo de delação premiada para não ser presa por falso testemunho, mas como o Viana já tinha todas as provas da manipulação que ela fez no tribunal, o juiz recusou o acordo completo. Ela vai a julgamento também. No mínimo, apanha uns anos de pena suspensa com pulseira eletrónica.
Chloe: E a Letícia continua na Merry?
Camilo: A Letícia declarou falência pessoal. Como as contas do Henrique foram congeladas pela justiça federal, a casa deles foi penhorada. A Merry acolheu-a por caridade.
Joaquim: O que está lá fora, fica lá fora. O importante é que a nossa terra está limpa e a dar frutos. Menina Elis, o Jovem que vai trazer o feno novo chega à tarde. Precisamos de organizar o galpão.- Bateu com a mão na mesa, quebrando a seriedade do momento com um sorriso.
Elis: Vamos a isso, Senhor Joaquim. Camilo, limpa a poeira da viagem. Hoje o jantar é por tua conta, já que passaste as últimas semanas a comer em restaurantes na cidade.- Levantei-me, assinando os papéis que o Camilo tinha trazido e entregando-lhos de volta.
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Sem medo de amar
RomanceElis era uma jovem solitária, sempre preferindo passar seu tempo lendo ou jogando vídeo game. Ela era tímida, introvertida e havia construído muros invisíveis ao seu redor para se proteger das supostas desilusões que a vida lhe traria. Chloe, por ou...
