Pov Chloe
Pedi para o Camilo ficar de olho no Theo e me avisar se ele fizer alguma coisa estranha. Passei a tarde toda organizando as ideias, abri o notebook na cama e comecei a pesquisar.
Comecei a monitorar as redes sociais dele e de alguns amigos em comum. Se ele resolvesse viajar, não conseguiria ficar quieto por muito tempo. De repente, uma notificação no Instagram me deu um frio na barriga. Um amigo em comum postou um story em um posto de gasolina na saída da rodovia principal, com a legenda: "Na estrada com @Theo_L. A justiça será feita."
Aquela rodovia levava apenas a três pequenas cidades do interior. Uma delas era onde a tia Merry morava.
Chloe: Mãe, eu estou saindo.- gritei, já pegando minha jaqueta e as chaves.
Jana: Para onde vais?
Chloe: Vou a Santa Maria.
Jana: Chloe, não! São quase três horas de viagem, já está escurecendo. O que você vai fazer?
Chloe: Eu vou avisar a polícia daquela cidade que tem um cara instável indo atrás da Elis, e vou ficar de guarda. Se ele chegar perto da casa da Merry, ele vai ter que passar por mim primeiro.
Jana: Você vai se colocar em perigo, filha! Por favor, liga para o Camilo, pede para ele ir com você.
Chloe: Não dá tempo.- Bati a porta e entrei no carro.
A viagem foi uma tortura. Cheguei na cidade de Santa Maria por volta das dez da noite. É um lugar minúsculo, daquelas cidades onde todo mundo se conhece. Comecei a rodar pelas ruas, procurando o carro do amigo do Theo.
Estacionei na frente de uma praça deserta e respirei fundo. Eu precisava ser inteligente. Peguei o celular e, contra todas as ordens dela, liguei.
Elis: Chloe, eu disse para não ligar...
Chloe: Elis, me escuta. Não desliga, por favor. O Theo está na estrada. Eu vi uma postagem do amigo dele. Eles estão vindo para cá.
Elis: Como você sabe que eles estão vindo para cá?
Chloe: O amigo postou uma foto na saída da rodovia que dá acesso a essa região. Eu já estou na cidade. Eu vim para garantir que você esteja bem.
Elis: Você está aqui na cidade? Chloe, você enlouqueceu?
Chloe: Talvez, mas eu não vou deixar ele te machucar. Onde é a casa da sua tia? Me dá o endereço, eu vou ficar vigiando a rua de longe. Não vou nem entrar se você não quiser, mas eu preciso estar perto.
Elis: Não.- Ouvi um soluço do outro lado.- Eu passei o dia todo tentando te odiar por ter mentido, tentando me convencer de que eu estava melhor sem você e agora você aparece aqui, arriscando tudo por causa de um louco? Por que você não me deixa ir, Chloe?
Chloe: Porque eu te amo.- Gritei para o celular, as lágrimas finalmente escorreram.- Eu errei, eu fui covarde com a verdade, mas eu nunca, nunca vou ser covarde com a sua segurança. Me dá o endereço.- Houve um longo silêncio.
Elis: Rua das Amoreiras, número 112. É um portão de madeira escura. Chloe, toma cuidado. Se ele fizer algo com você, eu nunca vou me perdoar.
Chloe: Ele não vai. Fica dentro, tranca tudo. Eu estou chegando.
Acelerei o carro. Em cinco minutos, eu estava na Rua das Amoreiras. Era uma rua sem saída, extremamente calma. O número 112 era uma casa bonita, cercada por um jardim baixo. Parei o carro a duas casas de distância e apaguei os faróis.
Meus olhos não saíam do início da rua. Cerca de meia hora depois, vi um carro cinza entrar devagar com as luzes baixas.
O carro parou exatamente na frente do número 112. Dois vultos desceram mesmo na escuridão, eu reconheceria aquela silhueta em qualquer lugar. Era o Theo. Ele segurava algo na mão, parecia um pé-de-cabra ou uma barra de ferro.
Chloe: Agora não, Theo. Hoje não.
Abri a porta do carro e saí caminhando em direção a eles antes que pudessem tocar no portão da Elis.
O Theo travou no lugar assim que escutou minha voz. Ele se virou devagar e me olhou e o amigo dele, um cara que eu mal lembrava o nome, deu um passo para trás.
Chloe: Vai embora. Eu já chamei a polícia da cidade.- Menti mantendo a voz o mais firme que conseguia, embora minhas entranhas estivessem revirando.- Eles sabem que você está aqui. Se você tocar naquele portão, não vai ser só o Henrique que vai dormir na cadeia hoje.
Theo: Você acha que eu tenho medo?- Ele caminhou na minha direção, parando a apenas dois metros.
Chloe: O seu pai era um criminoso, Theo. O Henrique errou, sim, mas ele fez o que fez para parar um monstro e agora você está se tornando exatamente o que o seu pai era.
O insulto pareceu atingir um nervo. O Theo gritou e levantou a barra de ferro, mas antes que ele pudesse fazer qualquer movimento, a luz da varanda da casa da Merry se acendeu.
O portão de madeira rangeu e a Elis apareceu segurando um celular na mão com o número da emergência já digitado na tela.
Elis: Deixa ela em paz, Theo. Se você der mais um passo contra a Chloe, eu aperto o botão e eu vou depor sim, mas eu vou contar que voce me perseguiu e ameaçou a gente. Eu vou garantir que o juiz saiba que você é um perigo para a sociedade.
O amigo dele finalmente se manifestou, segurando-o pelo braço.
Xxx: Cara, vamos embora. Já deu. Isso aqui vai dar merda para o nosso lado.
Theo: Vocês se merecem. Vivam com o sangue do meu pai nas mãos de vocês. Um dia a conta chega.
Ele deu as costas, entrou no carro com o amigo e arrancou.
Olhei para a Elis que segurava o portão com força, as lágrimas finalmente descendo pelo rosto dela.
Caminhei até ela devagar com medo de que ela me mandasse embora de novo mas, quando cheguei perto, a Elis não recuou. Ela soltou o portão e se atirou nos meus braços escondendo o rosto no meu pescoço e chorou.
Elis: Você é idiota.- ela soluçava apertando minha jaqueta.-Você podia ter se machucado. Por que você veio?
Chloe: Eu disse que não ia falhar com você de novo.- Eu a abracei com toda a força que me restava, sentindo o calor do corpo dela me devolvendo a vida.-Eu sinto muito por tudo.
Ela se afastou um pouco e segurou o meu rosto.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Sem medo de amar
RomanceElis era uma jovem solitária, sempre preferindo passar seu tempo lendo ou jogando vídeo game. Ela era tímida, introvertida e havia construído muros invisíveis ao seu redor para se proteger das supostas desilusões que a vida lhe traria. Chloe, por ou...
