Capitulo 91

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Pov Chloe

Acordei na manhã de domingo com o som suave dos cascos de um cavalo a passar lá fora. Olhei para o lado e a Elis não estava na cama.
Espreguicei-me devagarinho e, num reflexo que já se estava a tornar o meu favorito, levei a mão esquerda à barriga.

Pela primeira vez em quase uma semana, o meu estômago não deu aquela reviravolta violenta logo pela manhã. Senti apenas uma fome leve, um sinal maravilhoso de que o meu corpo estava finalmente a fazer as pazes com a gravidez.
Levantei-me, vesti um vestido de algodão solto e calcei os chinelos. Quando cheguei à cozinha, encontrei uma jarra com flores do campo frescas e em cima da mesa e um bilhete escrito pela Elis.

Bilhete: Fui ajudar o Senhor Joaquim com a cerca do pasto norte. O teu chá está na garrafa térmica e tem pão de forma no armário de baixo. Não pegues em pesos. Eu te amo.

Sorri sozinha, sentindo o peito aquecer. Preparei a minha torrada, bebi o chá de camomila e decidi ir até à varanda para respirar o ar puro da manhã. Sentei-me na cadeira de balanço de madeira, observando a imensidão da nossa propriedade. A Fazenda parecia ainda mais bonita hoje, ao longe, vi a silhueta da Elis montada no cavalo, a orientar o gado junto com o Senhor Joaquim. Ela manejava as rédeas com uma segurança que sempre me tinha fascinado, mas saber que aquela mulher forte, focada e trabalhadora agora era a minha noiva e seria a mãe do meu filho fazia o meu coração quase explodir de orgulho. De repente, o som de um motor rompeu o silêncio da estrada de terra batida. Uma nuvem de poeira começou a levantar-se ao longe.

O carro aproximou-se a boa velocidade e estacionou mesmo em frente à varanda. A porta do condutor abriu-se e o Camilo, saiu lá de dentro.

Chloe: Camilo?- Levantei-me da cadeira, surpreendida, descendo os degraus da varanda.- O que estás aqui a fazer a esta hora de um domingo? Pensei que só virias de tarde. Aconteceu alguma coisa na vila?

Camilo: Na vila não, mas aqui na fazenda vai acontecer. - Ele caminhou até mim e, antes de dizer qualquer outra coisa, puxou-me para um abraço apertado, mas com um cuidado extremo, como se eu fosse feita de vidro. Quando se afastou, apontou para a bagageira do carro.- Eu passei a noite em claro a pensar nesta vossa estrutura. Vocês duas sozinhas a gerir isto tudo com um bebé a caminho? Nem pensar. Vim inspecionar as vedações e tirar as medidas para colocar corrimões novos nas escadas da casa. Onde é que está a Elis?- Olhei para a estrada e vi a Elis a aproximar-se a galope, provavelmente atraída pelo barulho do carro, com a Mel a correr logo atrás.

Chloe: A tua cunhada vem ali.- Brinquei, cruzando os braços e sentindo uma onda imensa de gratidão por ter aquela família tão caótica e cheia de amor à minha volta.- E acho bom que te prepares, porque se a tentares proibir de me deixar trabalhar no escritório, vocês os dois vão ter uma reunião muito difícil.

A Elis desceu do cavalo num movimento ágil, prendendo as rédeas no poste de madeira perto do alpendre.

Ela tirou o chapéu, limpou o suor da testa com o braço, e olhou para o Camilo com uma sobrancelha arqueada e um sorriso divertido a brincar nos lábios.

Elis: Mas o que é isto? O turno da vila mudou-se para os meus pastos e ninguém me avisou? Bom dia, cunhado.

Camilo: Bom dia, Elis.- O Camilo cruzou os braços.- Vim pôr ordem na casa. Podes até dizer que está tudo sob controlo, mas eu conheço a minha irmã. Ela é teimosa, vai querer carregar caixas de arquivo no escritório ou andar a correr atrás dos bezerros. Vim dar o meu apoio e garantir a segurança do meu sobrinho.

Elis: Apoio?- A Elis soltou uma gargalhada limpa, caminhando até mim. Ela passou o braço pela minha cintura e deu-me um beijo rápido na têmpora, um gesto tão natural e cheio de posse carinhosa que fez o Camilo desviar o olhar por um segundo, pouco sem jeito.- Ficas já a saber que a Chloe está sob vigilância apertada mas já que estás aqui e tens essa energia toda, o Senhor Joaquim está no pasto norte a lutar com uma cerca de arame farpado. Estás livre para voluntariado?

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