Capitulo 94

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Pov Elis

Fui ter com o Senhor Joaquim no pasto ver os gados e depois decidi ir a cavalo até à cerca da fazenda junto com a Mel. Precisava verificar se a madeira e o arame fartado tinham aguentado a tempestade da noite anterior, já que aquela área faz fronteira com a propriedade vizinha (uma terra que estava abandonada e à venda há anos e estava cheia de mato e silvas).

Quando cheguei perto da linha divisória, a Mel começou a ladrar, sendo assim, decidi prender as rédeas do cavalo num poste e caminhei um pouco.

Do outro lado da cerca estava uma moça, talvez com a minha idade ou um pouco mais nova. Ela estava vestida com uma calças de ganga, uma camisa de xadrez vermelha e trazia um canivete na mão, com o qual ia limpando uns ramos de uma árvore antiga. Assim que me viu, parou o que estava a fazer, limpou as mãos às calças e deu um sorriso aberto, aproximando-se da cerca.

Xxx: Olá! Bom dia. Pensei que esta zona era completamente deserta.

Elis: Bom dia.- Aproximei-me, apoiando as mãos num dos esteios de madeira da cerca.- Por acaso não é deserta, não. Sou a Elis, gerente e dona desta Fazenda.

Xxx: Ora, muito prazer, Elis.- Ela esticou a mão por cima do arame farpado.- Eu sou a Aurora.
Apresento-me como a tua mais recente vizinha. Comprei a propriedade aqui ao lado há duas semanas.

Olhei para trás dela, vendo que o mato já parecia um pouco limpo do que na semana passada.

Elis: Tens muito trabalho pela frente, Aurora. Está terra esteve abandonado quase uma década. O mato já ia a meio das paredes da casa principal.

Aurora: Nem me digas nada.- Ela riu-se, limpando o suor da testa com as costas da manga.- Os meus amigos disseram que eu era louca por me meter nisto sozinha, mas eu sempre tive o sonho de ter o meu próprio olival e produzir azeite biológico. Quando vi o anúncio desta terra, mesmo com as silvas a tapar tudo, senti que era aqui.

Elis: Olival é uma boa aposta para este tipo de solo. Se precisares de ajuda para analisar a terra ou de um trator, avisa. Nós aqui na Esperança temos boa maquinaria e vizinho é para estas coisas.

Aurora: Sério? Nossa, Elis, tu nem sabes o alívio que sinto ao ouvir isso. Eu andava aqui a tentar cortar estas ramagens à mão e já estava a ver a minha vida andar para trás, mas desculpa a curiosidade, vives sozinha na fazenda?- Senti um orgulho enorme a crescer no peito e o meu sorriso abriu-se de imediato.

Elis: Não, não vivo sozinha. Vivo com a minha noiva, a Chloe. Ela é engenheira agrónoma, bem, na verdade ela agora está de repouso em casa.

Aurora: Repouso? Aconteceu alguma coisa grave?- A Aurora mudou de expressão, demonstrando uma preocupação genuína.

Elis: Não, nada de mal, felizmente. É que ela está grávida e não é de um, nem de dois. Estamos à espera de trigémeos. Dois meninos e uma menina.

A Aurora arregalou os olhos de uma maneira que quase me fez rir. Ela largou o canivete em cima de um tronco e levou as duas mãos à cabeça.

Aurora: Três?! Tu estás a gozar comigo, Elis! Trigémeos? Meu Deus, sua noiva deve estar passando por um momento difícil carregando três bebês ao mesmo tempo e por conta disso, ela é uma guerreira.

Elis: Está enorme, coitada.- Ri cruzando os braços.- Já vai nas vinte e seis semanas e a casa está uma autêntica loucura. É a minha sogra a cozinhar e a tricotar, o irmão dela que é polícia a encher a casa de trincos e coisas de segurança.

Aurora: Pois imagino! Olha, se vocês precisarem de braços para a lida da vossa fazenda enquanto ela está parada, podes contar comigo. Eu ainda estou a organizar as minhas coisas, por isso tenho algum tempo livre e além disso, gostava muito de conhecer a famosa engenheira que conseguiu a proeza de ter três de uma vez.

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