Pov Elis
O sol já estava alto quando acordei. A Chloe continuava abraçada a mim, com a cabeça descansada no meu peito e uma perna entrelaçada nas minhas. Olhei para o rosto dela, tão calmo e não contive um sorriso. Acariciei o seu ombro devagar, sentindo a pele macia.
Elis: Acorda, meu amor. O sol já vai a meio do céu.- Sussurrei, roçando os meus lábios na testa dela.
Chloe: Só mais cinco minutos. Este colchão é um pedaço do céu.- Ela resmungou baixinho, apertando-me mais contra si e escondendo o rosto no meu pescoço.
Elis: Se não nos levantarmos, o Camilo e o Senhor Joaquim vão achar que fomos raptadas e conhecendo o Camilo, ele é capaz de arrombar a porta com o trator.- Ri, deixando um beijo na sua bochecha.
Mencionar o Camilo foi o suficiente para ouvirmos, mesmo ali de cima, uma gargalhada alta vinda das traseiras da casa, misturada com o som metálico de ferramentas.
A Chloe abriu os olhos devagar, piscando contra a claridade, e sorriu-me.
Chloe: Parece que eles já estão a trabalhar.- Ela espreguiçou-se, sentando-se na cama e deixando que o lençol caísse.- Dormiste bem?
Elis: Acho que nunca dormi tão bem em toda a minha vida.- Sentei-me também, puxando-a pela cintura para um beijo rápido.
Chloe: Nem eu.
Levantámo-nos, vestimos umas roupas práticas e confortáveis e descemos as escadas. O cheiro a café fresco e a pão cozido no forno a lenha guiava-nos direto para a cozinha. Em cima da mesa, havia um bilhete do Senhor Joaquim: "Deixei o pequeno-almoço pronto. Estou no galpão com o jovem Camilo."
Chloe: O Senhor Joaquim realmente pensou em tudo. Olha para isto, frutas frescas, bolo.- Disse servindo duas canecas de café.
Elis: A vovó sabia escolher as pessoas. O Joaquim faz parte desta terra tanto quanto as árvores. Come depressa, quero ir ver como está o trator.-
Dei um gole no café.
Minutos depois, caminhámos de mãos dadas até ao grande galpão de ferramentas nas traseiras. A cena que encontrámos fez-nos parar e rir. O Camilo estava deitado debaixo do trator antigo, com os braços cobertos de graxa preta, enquanto o Senhor Joaquim segurava uma lanterna e abanava a cabeça com um sorriso paciente.
Elis: Então, senhor mecânico? O diagnóstico é grave ou o doente tem salvação?
Camilo: Finalmente apareceram. Olha, o motor é uma máquina de guerra, mas a junta do cabeçote já viu melhores dias. O Senhor Joaquim diz que tem uma peça de reposição no armazém, mas precisamos de força bruta aqui.- Deslizou para fora de debaixo do veículo, limpando a testa com o antebraço, o que só serviu para espalhar mais graxa pela cara.
Joaquim: Bom dia, meninas. Dormiram bem? Este jovem aqui tem jeito para a coisa, mas é muito impaciente. Quer resolver tudo no grito.- Tirou o chapéu de palha, cumprimentando-nos.
Chloe: Camilo, tens mais graxa na cara do que o próprio motor.- Riu da cara do Camilo.
Camilo: Faz parte do charme do campo, Chloe, mas mudando de assunto...- tom dele ficou um pouco mais sério, embora calmo.- O Dr. Viana mandou uma mensagem logo cedo. O Dr. Arnaldo tentou pedir uma audição de emergência alegando que a Letícia precisava de ver o Henrique por motivos de saúde, mas o juiz voltou a dar um "não" bem redondo. A ordem de isolamento está mantida.
Elis: Deixa-os tentar, Camilo. O Arnaldo está a esgotar os cartuchos todos antes do tempo.
Chloe: Senhor Joaquim, nós gostaríamos de fazer um santuários, em que lado do pasto podemos fazer?
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Sem medo de amar
RomanceElis era uma jovem solitária, sempre preferindo passar seu tempo lendo ou jogando vídeo game. Ela era tímida, introvertida e havia construído muros invisíveis ao seu redor para se proteger das supostas desilusões que a vida lhe traria. Chloe, por ou...
