Pov Chloe
No dia seguinte, acordei às 7:40, à Elis ainda estava a dormir, sendo assim, com todo o cuidado do mundo, afastei o lençol, deslizei para fora da cama e calcei os chinelos sem fazer um único ruído.
Fui até ao banheiro, lavei o rosto com água gelada e prendi o cabelo num coque.
Desci as escadas devagarinho, fui até à varanda e sentei-me na cadeira de balanço, com os braços cruzados, os olhos cravados na longa estrada de terra batida que ligava a propriedade à autoestrada. Após 1h20 minutos, vi uma pequena nuvem de poeira a levantar-se ao longe.
Levantei-me da cadeira imediatamente, as minhas pernas tremeram um pouco, e desci os degraus da varanda, caminhando até ao pátio bem antes de o carro parar. O motorista estacionou, desligou o motor e saiu com uma prancheta e um pequeno envelope nas mãos.
Estafeta: Bom dia. Senhora Chloe? Tenho uma entrega urgente vinda da cidade. Pediram prioridade máxima para a primeira hora da manhã.
Chloe: Bom dia. Sim, sou eu.- Assinei a prancheta com a mão visivelmente trémula e peguei no envelope.- Obrigada. Boa viagem de regresso.
Mal ele arrancou, voltei para dentro de casa a passo apressado, segurando o envelope contra o peito. Subi as escadas na ponta dos pés, passei pelo quarto onde a Elis ainda ressonava baixinho e fechei-me no banheiro de hóspedes, trancando a porta e com as mãos a tremer, rasguei o papel. Lá dentro, estava a caixinha do teste de gravidez que a Maira tinha comprado.
Segui as instruções do folheto e pousei o teste em cima da bancada do lavatório, virei o teste ao contrário para não ver o resultado imediatamente, e sentei-me no chão, a olhar para o cronómetro do celular. Após terem passado os 5 minutos que vinham na caixinha, aproximei-me da bancada do lavatório devagar, esticando os dedos trémulos para virar o pequeno bastonete de plástico e sem me aperceber segurei o ar. No visor digital, duas linhas cor-de-rosa, nítidas, fortes e impossíveis de ignorar, brilhavam contra o fundo branco.
Chloe: Meu Deus.- Um soluço sufocado escapou-me da garganta. Levei as duas mãos à boca para abafar o som, caindo de joelhos mais uma vez.
Limpei as lágrimas com as costas das mãos e olhei para o teste mais uma vez, querendo gravar aquela imagem na memória. Guardei o bastonete no bolso dos meus calções, respirei fundo três vezes para estabilizar as pernas e saí do banheiro.
Caminhei pelo corredor até ao quarto. Assim que abri a porta, a Elis estava a começar a espreguiçar-se, piscando os olhos contra a claridade da manhã que entrava pela janela. Quando ela me viu de pé, à porta, a sua postura mudou instantaneamente para o modo de alerta.
Elis: Amor.- Ela sentou-se na cama num pulo, analisando-me de cima a baixo com a sobrancelha franzida.- Foste vomitar outra vez? Tu estás a tremer, amor.
Chloe: Não, amor. Não fui vomitar, eu estou bem. Nunca estive tão bem na minha vida.- A minha voz saiu embargada, misturada com um riso nervoso.
Elis: Como assim estás bem?- Ela parou na borda do colchão, completamente confusa, olhando para as minhas lágrimas.- Então porque é que estás a chorar? O teu estômago...- A interrompi.
Chloe: Não tem nada a ver com o meu estômago, amor.- Sentei-me ao lado dela e uma ideia surgiu me na cabeça.
Chloe: Eu estou a chorar de alívio, meu amor.- Menti com a maior doçura que consegui reunir, limpando uma lágrima teimosa que insistia em cair.- A crise passou por completo. Acordei sem náuseas, o ar fresco da manhã fez-me bem e. percebi que passei o fim de semana todo a estragar os nossos planos e a dar-te preocupações.
Elis:Oh, amor.- Ela relaxou os ombros, soltando um suspiro imenso e puxando-me para um abraço apertado.- Não estragaste nada, sua boba. Eu só queria que ficasses bem. Quase me mataste do coração no banheiro ontem à noite.
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Sem medo de amar
RomanceElis era uma jovem solitária, sempre preferindo passar seu tempo lendo ou jogando vídeo game. Ela era tímida, introvertida e havia construído muros invisíveis ao seu redor para se proteger das supostas desilusões que a vida lhe traria. Chloe, por ou...
