Pov Chloe
Elis: Posso ir buscar um copo de água, se quiseres.
Chloe: Pode ser.- Respondi, sentindo a minha garganta seca e a queimar.- Mas faz-me um favor? Não passes pela cozinha. O cheiro do café que o Camilo de certeza já começou a fazer acho que me matava agora mesmo.
A Elis assentiu rapidamente com a cabeça e afastou-se com passos apressado, indo provavelmente até ao banheiro de hóspedes lá em baixo para buscar água do frigobar.
Aproveitei o momento de solidão para me sentar no chão do banheiro, encostando as costas nos azulejos frios. Fechei os olhos, tentado organizar a cabeça. O que tinha corrido mal? Será que foi a carne do churrasco? Não podia ser, toda a gente comeu o mesmo e estava tudo fresco.
Passados dois minutos, a Elis voltou. Ela parou novamente na porta, esticando o braço com um copo de vidro cheio de água bem fresca.
Elis: Aqui tens. Bebi um golo para garantir que não sabia a nada. Está completamente neutra.
Chloe: Obrigada.- Dei um sorriso fraco, esticando-me para pegar no copo sem que os nossos corpos se tocassem. Dei um pequeno gole.- Desculpa por ter falado contigo daquela maneira, amor. O meu nariz parece que ganhou superpoderes nas últimas doze horas.
Elis: Não precisas pedir desculpa, Chloe. O meu único foco agora é perceber o que tens.- Ela cruzou os braços, encostando-se à parede com o cenho franzido.- Estás com febre? Tens dores no corpo?
Chloe: Não, é só mesmo o estômago e sinto enjoo.
Elis: Chloe, se não tens febre, nem dores no corpo, a probabilidade de ser uma virose diminui. Tem de ter sido alguma coisa que comeste. Onde comeste demais alguma coisa no churrasco?
Chloe: Não, eu comi o mesmo que toda a gente. A salada que nós lavámos, e...- Fiz uma pausa e, de repente, uma imagem nítida veio-me à cabeça. O meu estômago deu logo um sinal de alerta.- Espera, a carne. Aquele último pedaço de carne que o Senhor Joaquim tirou da grelha tarde.
Elis: O que tem aquela pedaço? O Senhor Joaquim temperou-a da mesma forma que as outras.- Deu um passo em frente, mas parou a meio do caminho, lembrando-se do aviso sobre o perfume.
Chloe: Eu achei que era do carvão, mas agora que penso nisso, aquela peça estava mais perto da borda da grelha, onde o calor estava mais fraco. Estava bem passada por fora, mas o meio estava quase cru, muito mal passado e você sabe que eu tenho o estômago super sensível para carne que não esteja bem cozinhada.
Elis: E olha que comeste num piscar de olho. A carne devia estar mal passada de mais e o teu organismo rejeitou-a por completo durante a noite. Uma congestão ou uma ligeira intoxicação alimentar por causa do ponto da carne faz todo o sentido, principalmente com essa intolerância repentina a cheiros fortes.
Chloe: Deve ter sido mesmo isso.
Elis: Fica aí quietinha. Eu vou descer, vou tomar um banho rápido no banheiro de baixo e mudar de roupa para tirar este perfume do corpo. Depois preparo-te um chá de camomila bem suave, sem açúcar e sem cheiros fortes, para ver se acalmamos esse estômago. Pode ser?
Chloe: Pode ser, és um anjo, amor.
Passados uns dez ou quinze minutos, ouvi o barulho do autoclismo lá em baixo e, logo a seguir, os passos da Elis a subir as escadas com cuidado. Ela apareceu à porta do quarto de banho a vestindo uma camiseta de algodão branca, completamente limpa, e com os cabelos ainda húmidos do banho, agora ela cheirava apenas a água e a sabonete neutro.
Elis: E agora? já não sentes enjoos?
Chloe: Não, já podes te aproximar.
A Elis sorriu, visivelmente aliviada, e caminhou até mim. Abaixou-se com cuidado, passando um braço pelas minhas costas e ajudando-me a levantar do chão.
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Sem medo de amar
CintaElis era uma jovem solitária, sempre preferindo passar seu tempo lendo ou jogando vídeo game. Ela era tímida, introvertida e havia construído muros invisíveis ao seu redor para se proteger das supostas desilusões que a vida lhe traria. Chloe, por ou...
