Capitulo 77

201 13 0
                                        

Pov Chloe

[1 mês depois]

Eu estava sentada na mesa da cozinha, observando a Elis. Ela estava de costas para mim, encarando a janela enquanto esperava a água do café ferver.

Chloe: O Camilo ligou. A audiência de custódia do  teu pai foi confirmada para a próxima semana. O advogado dele está tentando a prisão domiciliar, mas o seu depoimento pesou muito. O juiz negou o primeiro recurso.

Ela não se virou de imediato. Apenas desligou o fogo quando a chaleira começou a apitar.

Elis: Eu sei. A minha mãe me mandou dez mensagens hoje dizendo que eu sou a culpada por ele estar em uma cela.- Ela finalmente se virou, segurando a caneca com as duas mãos.- As vezes eu me pergunto se eu fiz a coisa certa, Chloe. Não pela verdade em si, mas por ter sobrado tão pouco da minha vida depois disso.

Caminhei até ela e envolvi sua cintura com meus braços.

Chloe: Você e eu, somos tudo o que resta. O resto era uma construção frágil, sustentada por segredos. Estamos reconstruindo do zero, mas agora temos uma base sólida.

Ela encostou a cabeça no meu ombro, soltando um suspiro longo. O Theo tinha sumido do mapa, soubemos que ele se mudou para o sul para morar com uns tios, tentando recomeçar longe. A Letícia mal falava connosco, vivendo em uma negação profunda na casa da tia Merry.

Elis: Sinto falta de quando a nossa maior preocupação era as provas da escola.

Chloe: A gente vai voltar para a escola no próximo semestre. O diretor garantiu que as nossas vagas estão lá.

Elis: Você acha que eles conseguem nos olhar sem ver o caso do meu pai?

Chloe: Com o tempo, sim.- Afastei-me um pouco para olhar nos olhos dela. - Mas hoje, a única coisa que importa é que você está aqui.

Elis deixou a caneca de lado e segurou meu rosto.

Elis: As vezes, quando eu acordo de madrugada e ouço o mar, eu sinto um medo absurdo de que isso tudo seja um sonho e que eu ainda esteja naquela casa vendo o meu pai agir como se nada tivesse acontecido.- Ela deslizou o polegar pelo meu lábio. - Obrigada por estar sempre aqui, Chloe, por mais difícil que tenha sido lidar com tudo isso.- Puxei-a para um beijo.

Afastamo-nos apenas o suficiente para que nossas testas continuassem coladas.

Elis: Chloe?

Chloe: Oi.

Elis: O que você vai fazer se o juiz te chamar para depor também?

Chloe: Eu vou dizer exatamente o que ouvi, Amor, sem tirar nem pôr.

Elis: Eu fico imaginando a cara do meu pai quando me ver entrando naquela sala. Ele sempre achou que eu era a princesinha que nunca questionaria nada. Se calhar acha que eu sou um reflexo da minha mãe.

Chloe: Ele subestimou a mulher que ele mesmo criou. Ele esqueceu que, para sobreviver ao lado de alguém como ele, você teve que desenvolver uma força que nem a Letícia tem.

Nesse momento ouvimos o som de um carro estacionando na frente da casa da praia, por um minuto ficamos tensas instantaneamente até que fui até a janela e vi o carro da minha mãe.

Chloe: É a minha mãe. Ela havia dito que viria trazer alguns mantimentos e os papéis da nossa transferência de turno na escola.

Elis: Deixa que eu abro.

Elis abriu a porta e a minha mãe entrou carregando duas sacolas pesadas. Ela sorriu ao ver a Elis.

Jana: Oi, meninas. Trouxe pão fresco e algumas coisas que sei que vocês gostam. Chloe, os documentos estão aqui na pasta.

Sem medo de amarHistórias para pegar e não largar. Descubra agora