Capitulo 92

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Pov Chloe

Giovana: Olha para mim, Chloe! Olha para mim quando estou a falar contigo.- Ela deu um passo em frente, descontrolada e com a voz a falhar num misto de choro e riso histérico.- Estás a chorar? Estás com medo? Onde está aquela mulher arrogante que me enfrentou há anos atrás? Onde está a mulher que achou que podia construir uma família perfeita com a minha mulher?

Chloe: Giovana, por tudo o que é mais sagrado...- Levantei ligeiramente o rosto, mas sem tirar os braços da minha barriga.- Pensa no teu futuro, se tu fizeres isto, acabou. Tu vais passar o resto da tua vida na prisão e a Elis nunca vai te perdoar. Se matares a mim ou ao bebé, ela vai odiar-te para o resto dos teus dias.

Giovana: Cala a boca! Cala essa boca de sonsa.- A Giovana gritou, os olhos vermelhos e dilatados fixaram em mim com um ódio que parecia sobrenatural. A mão que empunhava a pistola oscilava, subindo e descendo.- Ela já me odeia! Tu fizeste com que ela me odiasse! Ela olha para mim como se eu fosse um bicho, Chloe e a culpa é tua! Se tu não tivesses aparecido na vida dela, ela teria voltado para mim. Nós éramos felizes antes de ti!

Chloe: Vocês não deram certo, Giovana e sabes disso.- Apanhei um pingo de coragem do fundo da minha alma, a minha voz saiu num fio desesperado.- Mas isto que eu tenho na barriga é o fruto de um amor puro, Giovana. Não foi planeado para magoar ninguém. É só o nosso amor, por favor baixa essa arma. Deixa-me sair.

Giovana: Amor?- Ela repetiu a palavra, e por um milissegundo a expressão dela vacilou, tornando-se numa máscara de pura dor e solidão mas a lucidez durou pouco. O olhar dela desceu novamente para os meus braços cruzados sobre o meu ventre, e a fúria voltou com o dobro da intensidade.-Tu não vais ter um filho com ela. Eu prefiro ver a Elis a chorar pela tua morte para o resto da vida do que a ver-te a carregar um filho dela. Se eu não posso ser feliz, ninguém nesta terra vai ser.

Lá fora, muito longe, ouviu-se o som de uma gargalhada do Camilo e, logo a seguir, a voz clara e firme da Elis a responder-lhe. Eles estavam perto do portão, a meros metros de distância, mas para mim, era como se estivessem noutro planeta.

Chloe: ELIS.- Gritei com todas as forças que me restavam nos pulmões, esticando o pescoço.- ELIS, AJUDA-ME! CAMILO.

Giovana: Eu disse para te calares.- A Giovana berrou, completamente em pânico ao ouvir os nomes deles. O dedo dela contraiu-se no gatilho e atirou.

Senti um impacto violento, morno e cortante, mesmo na lateral esquerda da minha barriga, estendendo-se pela anca. A força do impacto atirou-me de lado contra a bancada da cozinha.

Chloe: Ah, meu Deus, não.- O gemido saiu sufocado. Uma dor aguda, ardente como fogo, espalhou-se pelo meu corpo. Levei imediatamente as duas mãos ao sítio do impacto. O tecido do meu vestido começou a mudar de cor, um vermelho vivo e denso espalhou-se rapidamente pelos meus dedos.- O meu bebé. Elis, o nosso bebé.

A Giovana ficou estática por um segundo, a olhar para a arma na sua própria mão, o cano ainda a deitar um fio de fumo cinzento. O rosto dela empalideceu de repente, como se o choque do que acabara de fazer tivesse finalmente quebrado o surto psicótico.

Giovana: O que eu fiz?- Ela sussurrou, a dar passos para atrás e a deixar a pistola cair no chão da cozinha com um baque seco.- Elis, eu não queria... eu só queria que ela desaparecesse...

A porta da frente da casa foi arrombada com uma violência brutal. O som da madeira a estalar foi seguido por passos desabalados e desesperados pela sala.

Elis: CHLOE! CHLOE, MEU DEUS!- A voz da Elis surgiu num grito de puro terror.

Ela dobrou a esquina da bancada e a imagem que se seguiu pareceu passar em câmara lenta. A Elis viu a Giovana a tentar recuar em direção à porta das traseiras, viu a arma no chão e, finalmente, viu-me a mim. Viu-me caída de lado, encolhida numa poça de sangue que crescia a cada segundo, com as mãos desesperadamente cravadas na minha barriga.

Sem medo de amarHistórias para pegar e não largar. Descubra agora