Capitulo 87

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Pov Elis

Maira: No próximo mês quero as duas na cidade para me ajudarem a escolher os detalhes do vestido e do copo de agua. Não aceito desculpas.

Chloe: Nós vamos, com certeza. Eu até posso ajudar-te a desenhar o layout das mesas no computador se precisares de otimizar o espaço do salão.

Elis: Vamos sim. Até lá, os novos animais já vão estar bem adaptados e o Senhor Joaquim dá conta do recado por uns dias.

Levantámo-nos para começar a recolher a loiça do pequeno-almoço e preparar as saladas para o churrasco, seguindo o plano do Camilo. Enquanto a Maira lavava os copos na banca, a Chloe aproximou-se de mim perto do frigorífico para pegar os vegetais. Ela olhou para os lados, garantindo que a Maira estava distraída com a água a correr, e encostou o corpo ao meu, sussurrando perto do meu ouvido.

Chloe: Aquela minha pergunta sobre o anel, era metade brincadeira para ver a tua cara de pânico mas a outra metade... bem, a outra metade foi muito séria.

Elis: Ah, então a senhora está a fazer pressão psicológica.- Segurei um maço de alface numa mão e, com a outra, puxei-a levemente pela cintura.

Chloe: Só estou a zelar pela boa execução do nosso cronograma de vida.- Piscou-me o olho, roubando-me um selinho rápido antes de se afastar para pegar na tábua de cortar.- Não te atrases com os tomates, amor.

Sorri sozinha, sentindo o meu peito expandir-se. O que Chloe e nem mesmo Camilo sabiam era que, escondida por baixo de uns mapas topográficos antigos da fazenda, dentro da gaveta do fundo do meu guarda-roupa, estava uma caixinha de veludo azul-escuro há exatamente três semanas.

Olhei pela janela da cozinha, e vi o Matthew e o Camilo às voltas com o carvão na churrasqueira das traseiras.

O Senhor Joaquim apareceu logo a seguir, trazendo uma travessa com carne temperada e o seu habitual sorriso calmo.

Terminámos as saladas a rir e a cantarolar as músicas que passavam na rádio da cozinha.
Depois de longos minutos, os meninos terminaram de assar as carnes e fomos comer, mas antes de ir para a varanda, fui ao quarto, peguei a caixinha do anel e coloquei no bolso.

Mattew: Um brinde a este fim de semana, à Fazenda e, acima de tudo, a esta amizade que aguentou tanta coisa e que agora só nos traz motivos para celebrar.

Todos: Um brinde.- Os copos cruzaram-se no centro da mesa.

Chloe: Isto está tão bom que por mim ficávamos aqui neste registo até segunda-feira de manhã.-Encostou-se no meu ombro, com um sorriso satisfeito.

Camilo: Tu podes, Engenheira, porque a chefe és tu mas eu e o noivo aqui ainda temos de organizar aquelas caixas na bagageira do carro antes que o sol se ponha. Matthew, mexe as pernas.- Deu uma palmada nas costas do Matthew, levantando-se.

Os dois desceram os degraus da varanda a rir, deixando-nos sozinhos.

Joaquim: Bem, o dever chama-me lá na horta, meninas. Parabéns mais uma vez pelo noivado. É muito bom ver esta casa cheia de gente jovem e com tanta alegria. Com licença.

Agradecemos-lhe com sorrisos calorosos enquanto o víamos caminhar a passos calmos em direção aos canteiros. Fiquei ali a observar a Chloe e a Maira, que estavam a folhear uma revista de casamentos que a Maira tinha trazido no carro.

Maira: Chloe, olha para este modelo com renda nas costas. Achas que combina com um casamento ao ar livre, ou é areia a mais para o camião do Matthew?- Apontando para uma página.

Chloe: Acho que fica lindo e tu tens a altura perfeita para esse corte.- Respondeu, entusiasmada, e depois olhou para mim.- Estás a ver, Elis? Vai tirando notas. O mercado de casamentos exige planeamento antecipado, escusas de fingir que estás a olhar para os passarinhos.

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