CAPÍTULO 51

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Boa leitura!!!

No fim das contas, o tempo sabia mesmo de tudo.

Anos se passaram desde o primeiro dia em que deixei Jungkook na entrada do campus da faculdade, com o coração na mão, a mente trabalhando arduamente em todos os desafios que ele enfrentaria, com vontade de tirá-lo de lá e o manter onde eu pudesse ver e proteger.

Tudo foi questão de adaptação e meus medos se tornaram cada vez mais infundados. Jungkook agora sabia de si mesmo mais do que eu poderia supor e isso não queria dizer que não houve momentos difíceis ou ruins. Nem de longe.

Havia dias em que ele entrava em um modo de entusiasmo e efusão tão intensos que sequer precisava de qualquer participação minha na conversa. Isso era meio desconcertante às vezes. Jungkook já passou mais de 5 dias preso na montagem de uma maquete de árvore filogenética, comendo apenas quando a comida era ofertada em suas mãos e sem nem perceber, como se essa parte da mente trabalhasse apenas em segundo plano. Percebi algo errado quando ele nem mesmo trocou de roupa por dois dias consecutivos, ou só saía correndo para o banheiro quando a vontade estava incontrolável.

Era seu hiperfoco minando sua atenção para um único ponto de interesse.

Aquele estado obsessivo durou até que o trabalho estivesse perfeito, os galhos de sua árvore milimetricamente posicionados, etiquetas minúsculas com informações relevantes, a sua extrema preocupação em evitar a todo custo que sua maquete passasse a impressão de escada evolutiva.

___Ainda está errado... evolução não é progresso, é divergência... - murmurava consigo mesmo enquanto mudava toda a posição dos galhos novamente a fim de evitar que houvesse o entendimento errôneo de uma hierarquia evolutiva entre as espécies.

Algumas vezes ele acordava de madrugada com uma ideia superconceitual e brilhante que não poderia esperar, e passava a girar de um lado para o outro diante da sua obra resmungando sobre quais materiais deveria usar e por que aquilo fazia um sentido científico absurdo.

E eu já não me assustava mais como antes. Me limitava a me certificar de que ele estivesse bem alimentado e hidratado, que não se negligenciasse em detrimento do projeto. Jungkook não estaria em hiperfoco para sempre e logo ele voltaria para mim de corpo e alma, completo e orgulhoso.

A maioria dos desafios que surgiram era em decorrência de suas dificuldades, que foram ficando mais simples de prever ou, pelo menos, de administrar.
Uma única vez tivemos problemas com um sujeito que achou que seria uma boa ideia intimidar Jungkook pelos corredores do campus nos intervalos das aulas, bem no início do curso. Eu não fiquei sabendo disso porque ele me contou, mas inacreditavelmente fui informado por seu colega Choi Yeonjun.

Yeonjun era aquele cara que eu sabia estar apaixonado pelo meu namorado, mas não podia provar. Sentia muito ciúme dele e de sua proximidade, mas nunca tive a audácia de sugerir que Jungkook se afastasse dele. Primeiro, porque eu sabia que não importava quantas pessoas morressem de amores por ele; podia confiar de olhos fechados que meu parceiro jamais desprenderia nenhuma atenção romântica a qualquer pessoa que fosse. Ele me demonstrava ainda mais amor e lealdade do que eu suporia um dia merecer na vida. E o outro motivo é que não cabia a mim escolher com quem Jungkook interagia nem podar seu círculo de amizades já bem escasso. Não era meu papel decidir por ele.

Então eu fiquei meio chocado, mas muito grato quando Yeonjun parou com seu skate diante de mim em uma noite após ter acabado de me despedir de Jungkook diante do prédio de Ciências.

Different Love - TaeKookHistórias para pegar e não largar. Descubra agora