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Em algum lugar entre a vida e a morte

Há momentos na vida em que o corpo para... mas a alma continua caminhando.

Entre um batimento e outro, entre um suspiro e o silêncio, existe um lugar onde o tempo não corre, ele espera. Onde a dor não pesa, ela ecoa. Onde tudo aquilo que fomos, amamos e perdemos se reúne, não para nos prender... mas para nos lembrar de quem somos.

Talvez o fim nunca seja, de fato, um fim.
Talvez seja apenas um encontro.
Um último abraço.

Uma chance de olhar para trás sem arrependimentos... e decidir, com o coração inteiro, se é hora de partir, ou de voltar.

E, às vezes, voltar exige mais coragem do que ir.

A claridade era suave demais para machucar e ainda assim, quando Alina abriu os olhos, sentiu como se estivesse olhando diretamente para o sol.

Piscou uma vez.

Duas.

Aos poucos, as formas começaram a ganhar contorno.

A areia branca se estendia sob seus pés, fina, quase irreal. O céu era de um azul limpo, infinito, sem nuvens. O som do mar vinha em ondas calmas, ritmadas, como uma respiração tranquila.

O vento balançava as palmeiras ao longe.

Tudo era... perfeito demais.

Silencioso demais.

Alina franziu levemente a testa, confusa, enquanto dava alguns passos à frente. O corpo estava leve. Sem dor. Sem peso.

Sem nada.

Mais adiante, sentada na areia, havia uma mulher.

De costas.

Imóvel.

Como se estivesse esperando.

Alina se aproximou devagar, o coração começando a bater mais rápido, não por medo, mas por algo que ela ainda não sabia nomear.

— Oi... quem é você?

A mulher se virou.

E sorriu.

Um sorriso pequeno.

Doce.

Familiar de um jeito impossível.

— Você veio antes da hora, filha.

O mundo parou.

Alina sentiu o ar faltar.

— ...mamãe?

A palavra saiu em um sussurro quebrado, como se tivesse atravessado anos para finalmente existir.

A mulher abriu os braços sem hesitar.

E Alina foi.

Sem pensar.

Sem questionar.

A abraçou com força, como se estivesse tentando recuperar uma vida inteira naquele único gesto.

— Eu sempre sonhei com o dia que conheceria você... Minha filha. — disse Hannah, acariciando os cabelos dela com delicadeza. — Mas não queria que viesse antes do seu tempo.

Alina se afastou só o suficiente para olhar para ela.

Absorver cada detalhe.

Memorizar.

Código AzulOnde histórias criam vida. Descubra agora