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Seattle, Washington - 2013

Ser médico significa viver acreditando que sempre existe algo a fazer.

Mesmo quando o tempo é curto.
Mesmo quando tudo parece fora de controle.
Mesmo quando o mundo inteiro parece desmoronar ao seu redor.

Porque às vezes a diferença entre a vida e a morte não está em grandes milagres...

Mas em algo muito mais simples.

Seattle ainda estava acordando quando o carro de Derek parou em frente à casa de Alina.

O céu estava coberto por nuvens baixas e uma garoa fina caía sobre a rua silenciosa. A cidade tinha aquele cheiro típico de manhã fria e café recém-passado.

Derek desligou o motor e ficou alguns segundos olhando para a casa.

Luzes acesas na cozinha.
Som de vozes lá dentro.
Movimento atrás das cortinas.

Casa cheia.

Ele saiu do carro e subiu os poucos degraus da varanda. Quando bateu na porta, ouviu passos do lado de dentro.

A porta se abriu logo em seguida.

Alina apareceu ainda prendendo o cabelo num coque rápido, uma bolsa grande pendurada no ombro.

Quando viu Derek, sorriu.

— Você chegou cedo.

— Você me conhece — ele respondeu entrando. — Odeio sair atrasado.

Assim que passou pela porta, o cheiro de café fresco tomou o ambiente.

A sala tinha aquele caos confortável de casa com crianças.

Bonecas no sofá.
Livros infantis espalhados pelo chão.
Um casaco pequeno jogado na poltrona.

Passos pequenos ecoaram pelas escadas.

— Mamãe!

As gêmeas desceram correndo.

Hannah chegou primeiro e abraçou as pernas da mãe. Carollyn veio logo atrás, quase tropeçando no último degrau.

— Você vai viajar? — perguntou Hannah.

Alina se abaixou imediatamente, puxando as duas para perto.

— Vai ser bem rapidinho, amor.

Ela beijou a testa de uma.

Depois da outra.

— Eu volto logo.

— Promete? — perguntou Carollyn.

— Prometo. Não vão dar um beijo no dindo?

Derek observava a cena encostado no batente da sala, com um sorriso leve no rosto.

— Dindo! — as duas correram, pulando nos braços abertos de Derek.

— Minhas princesas. — ele sorriu, pegando as duas no colo.

Tom apareceu em seguida, vindo da cozinha, segurando uma caneca de café.

— Shepherd.

Derek acenou com a cabeça.

— Koracik.

Tom tomou um gole de café enquanto observava a filha terminar de pegar a mala perto da porta.

— Então vocês vão mesmo fazer essa viagem.

— Só um bate e volta — respondeu Alina. — Washington, entrevista e volta.

Tom assentiu devagar.

Código AzulOnde histórias criam vida. Descubra agora