Seattle, Washington - 2012
Crescemos acreditando que a verdade é uma coisa sólida, algo que se constrói e permanece. Mas a verdade é frágil. Ela se esconde em prontuários antigos, em memórias que escolhem desaparecer, em decisões que ninguém nos contou que estavam sendo tomadas por nós.
Família é isso: um conjunto de segredos que só vêm à tona quando já é tarde demais para perguntar por quê.
A emergência estava no limite do caos quando Alina atravessou as portas automáticas, ainda com o jaleco meio aberto e o cabelo preso de qualquer jeito. O som de monitores, gritos e passos apressados formava aquela sinfonia familiar que sempre acelerava seu pulso.
— Soube que uma maca caiu em dois adolescentes enquanto transavam no carro, e que uma precisa de uma avaliação.— ela comentou, lendo rapidamente o prontuário eletrônico enquanto caminhava. — Não tô nem um pouco ansiosa por essa fase.
Callie surgiu ao seu lado, com um sorriso divertido e uma prancheta apertada contra o peito.
— Se prepara, minha irmã. Eu tenho uma. Você tem três. O universo claramente te odeia.
Alina soltou um riso breve, mas seus olhos já estavam no monitor que Jo empurrava na sua direção.
— Wilson, as imagens.
— Aqui. — Jo virou a tela, aproximando-se.
Alina inclinou a cabeça, analisando os cortes da tomografia com atenção cirúrgica. O humor desapareceu, substituído pela frieza focada que só aparecia em situações críticas.
— Hemorragia epidural. — disse, sem hesitar. — Repete a TC e prepara a sala. Eu vou operar.
Jo assentiu imediatamente.
— Sim, senhora.
Callie cruzou os braços, arqueando a sobrancelha.
— Uuh, a nova chefe é poderosa.
— É bom a nova chefe poderosa ir lá na sala dois separar suas crianças brigonas.
Bailey havia surgido atrás delas como uma força da natureza, mãos nos quadris, olhar de julgamento absoluto.
Alina fechou os olhos por um segundo.
— É só o que me faltava.
E seguiu pelo corredor, já sabendo que, agora que ela era a chefe, o caos agora tinha seu nome.
[...]
A porta da sala de cirurgia se abriu com força, interrompendo o som metálico dos instrumentos e a discussão acalorada que ecoava pelo centro cirúrgico.
Derek e Amélia estavam praticamente um sobre o outro, disputando espaço ao redor do paciente, cujo crânio aberto expunha uma cena que nenhum dos dois parecia realmente enxergar naquele momento.
Alina entrou como um furacão.
— Os dois patetas sabem que tem um homem com o cérebro sangrando na mesa?
Amélia puxou a máscara para baixo, frustrada.
— O Derek não me deixa trabalhar.
— Esse paciente é demais pra ela. — Derek respondeu, sem tirar os olhos do campo cirúrgico.
Alina deu dois passos à frente, o olhar cortante.
— Derek, eu dei esse paciente pra Amélia. Agora sai daí.
— Eu é que devo...
— Eu devia estar me preparando pra uma hemorragia epidural, mas não estou, porque tive que vir aqui ser monitora de recreio. — Alina cortou, seca.
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Código Azul
FanfictionAlina Koracick sempre teve um destino claro: ser médica, seguir os passos de seu pai como neurocirurgiã. Mas quando ela deixa para trás sua vida em Baltimore e o conforto do Hospital Johns Hopkins para ingressar na residência cirúrgica do Seattle Gr...
