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Seattle, Washington - 2013

Às vezes, a linha entre viver e morrer não é um corte brusco.

É um fio fino. Quase invisível.

E, ainda assim, resistente o suficiente para segurar uma vida inteira.

A vontade de ficar.
O peso de quem ainda não pode ir.

O amor que puxa alguém de volta mesmo quando o corpo já está desistindo.

A UTI neurocirúrgica estava silenciosa.

Apenas o som constante dos monitores preenchia o quarto.

Alina permanecia imóvel na cama, ligada ao respirador, o peito subindo e descendo lentamente sob o ritmo da máquina.

Amélia estava sentada ao lado dela havia quase uma hora.

Os olhos cansados, mas atentos a cada número que piscava no monitor.

Meredith estava encostada na parede do quarto, os braços cruzados.

Ninguém dizia nada.
O silêncio era pesado.

De repente, um dos monitores mudou de ritmo.

Um bip mais rápido.

Depois outro.

Amélia franziu a testa.

— Calma Ali...

O corpo de Alina se contraiu de forma súbita.

O braço direito tremeu.
Depois o outro.

Em segundos, o corpo inteiro entrou em convulsão.

— Convulsão! — disse Amélia imediatamente, já se levantando.

Os alarmes começaram a soar.

Uma enfermeira correu para dentro.

— Saturação caindo!

— Diazepam, agora! — ordenou Amélia.

Meredith já estava ao lado da cama ajudando a segurar Alina enquanto o corpo dela se debatia contra os lençóis.

— Pressão intracraniana subindo! — gritou Meredith olhando o monitor.

Amélia olhou para os números.

Seu estômago afundou.

— Droga...

A convulsão diminuiu depois do medicamento, mas os monitores continuavam apitando de forma irregular.

Amélia analisou rapidamente os dados.

Depois olhou para Meredith.

O olhar era claro.

— Está sangrando de novo.

Meredith sentiu o peito apertar.

— Você tem certeza?

Amélia já estava puxando as luvas.

— Precisamos abrir ela de novo. Agora.

Ela virou para a equipe.

— Preparem uma sala de cirurgia!

As enfermeiras começaram a se mover imediatamente.

A maca foi preparada para transporte.

Meredith segurou a mão de Alina por um instante enquanto ajustavam os tubos.

— Aguenta, Ali...

Amélia caminhava ao lado da maca enquanto empurravam Alina pelo corredor.

Código AzulOnde histórias criam vida. Descubra agora