Epílogo

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Seattle, Washington - 2014
Sete meses depois

A capela do hospital estava silenciosa.

Diferente do silêncio da UTI.

Ali, era um silêncio vivo. Calmo. Acolhedor.

A luz entrava pelos vitrais coloridos, desenhando manchas suaves no chão e nos bancos de madeira. O cheiro leve de vela e flores preenchia o ar.

Era simples.

Íntimo.

Perfeito.

Alina parou na entrada por um instante.

Os dedos entrelaçados com os de Andrew.

O coração batendo firme, não de medo.

Mas de presença.
De escolha.

Ela estava ali.
Viva.
Inteira.

E, pela primeira vez em muito tempo... em paz.

Andrew apertou levemente a mão dela, como se sentisse o peso daquele momento.

— Pronta? — ele perguntou, a voz baixa, mas carregada de emoção.

Alina virou o rosto para ele.

Observou.

Cada detalhe.

Como se ainda se surpreendesse por ele estar ali.

Por eles estarem ali.

Um pequeno sorriso surgiu.

— Sim.

Eles entraram juntos.

Sem música.

Sem anúncio.

Só passos suaves ecoando pela capela.

Nos primeiros bancos, estavam as pessoas que eram casa.

Meredith, com os olhos marejados, segurando a mão de Cristina, que fingia não estar emocionada, mas falhava miseravelmente. Derek ao lado delas, segurando Bailey e Zola.

Alex, encostado no banco, com um sorriso orgulhoso de quem já tinha visto aquilo tudo dar errado vezes demais... e, ainda assim, estava ali para ver dar certo.

Callie e Arizona, lado a lado, trocando olhares cúmplices.

Bailey, com os braços cruzados, claramente tentando manter a postura... sem sucesso.

Amélia e Maggie, com sorriso leves, mas os olhos cheios.

Richard também estava ali, ao lado de Catherine, que segurava David no colo.

Tom, no banco ao lado, estava sentado com  as três meninas que balançavam as perninhas, ansiosas.

April segurava discretamente a mão de Jackson. Que com o outro braço, segurava o bebê recém nascido dos dois.

Mais atrás, os pais de Andrew, visivelmente tocados, trocando olhares entre si.

Quando chegaram ao altar, Andrew se virou para ela completamente.

As mãos dele seguraram as dela com firmeza.

Como sempre fizeram.

Mas agora havia algo diferente.

— Eu esperei a minha vida inteira por alguma coisa que fizesse sentido... — ele começou, a voz firme, mesmo com a emoção evidente. — E então você apareceu.

Alina sentiu os olhos encherem.

— E, de repente, tudo ficou claro. — ele deu um pequeno sorriso. — Eu não quero mais viver um dia sequer sem você.

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