Seattle, Washington - 2012
Às vezes, a vida não explode em tragédia.
Às vezes, ela simplesmente muda de direção, silenciosamente, como uma estrada que curva sem aviso.
Você continua dirigindo, acreditando que está no controle, até perceber que não está mais indo para onde pensava.
Alina não vinha ali há dois meses.
O vento estava frio demais para Seattle, ou talvez fosse só ela que estivesse sensível demais para tudo ultimamente. As árvores ao redor do cemitério balançavam lentamente, folhas secas estalando sob seus passos enquanto ela caminhava entre as lápides familiares demais.
Parou diante do nome que nunca deixou de doer.
Mark Sloan.
Passou os dedos pela pedra fria, como se pudesse sentir algo além da ausência.
— Desculpa por ter sumido. — murmurou, sentando-se na grama úmida. — Eu fiquei ocupada demais... ou covarde demais. Não sei.
O silêncio não a respondeu. Nunca respondia. Mas ela continuava falando, porque falar com ele ainda era a única coisa que fazia sentido em dias como aquele.
— Muita coisa aconteceu nesses dois meses.
Ela apoiou os cotovelos nos joelhos, encarando o nome gravado.
— A Cristina vai embora. — disse, a frase pesando mais do que deveria. — Zurique. Um instituto de pesquisa enorme, a convite do Burke. O homem que quase foi o grande amor da vida dela, lembra? Engraçado, né? O mundo dá voltas cruéis.
Respirou fundo, como se o ar estivesse difícil de entrar nos pulmões.
— Ela perdeu o Harper Avery. E depois descobrimos que ninguém de um hospital da fundação pode ganhar. Era tudo um jogo viciado desde o começo. Ela fingiu que não se importava... mas eu sei que se importou. E claro, todo mundo ficou odiando minha família durante um tempo. Mas eu superei. Eu sempre supero tudo.
O vento soprou mais forte, levantando uma mecha do cabelo dela.
— Meredith e Derek também estão indo. Pra Washington. O governo quer o cérebro dele, literalmente. — soltou um riso fraco. — O Derek vai mapear o cérebro humano, Mark. Dá pra acreditar? Eu e as meninas vamos ficar aqui. Assumi o departamento de neurologia no lugar do Derek. Tô feliz e triste ao mesmo tempo.
Ela olhou em volta, para as lápides, para a cidade ao longe.
— Todo mundo está indo embora. E eu estou ficando.
Silêncio de novo.
— o Derek pediu que eu fosse com eles, pra trabalhar no projeto dele. Eu disse que não iria. Que Seattle é meu lar. Que aqui tem você. O hospital com seu nome. As meninas cresceram aqui. Eu cresci aqui. — a voz falhou um pouco. — E talvez eu esteja mentindo pra mim mesma. Talvez eu só tenha medo de ir embora de você de verdade.
Ela fechou os olhos por um instante.
— A Cristina acha que partir é seguir em frente. O Derek acha que partir é evoluir. Eu... acho que ficar também é um tipo de coragem.
Passou a mão sobre a barriga, respirando fundo, como se organizasse o caos dentro do peito.
— Eu estou namorando o Andrew. Oficialmente. — disse, como se estivesse confessando um segredo antigo. — Ele é gentil. Ele me ama. Não tenta me consertar. Só... fica. E eu gosto disso. Mas às vezes sinto culpa por gostar.
Abriu os olhos e encarou o nome dele outra vez.
— Porque você era o amor da minha vida. E eu ainda te amo. Só que de um jeito diferente. Um jeito silencioso. Um jeito que dói menos... mas nunca desaparece.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Código Azul
FanfictionAlina Koracick sempre teve um destino claro: ser médica, seguir os passos de seu pai como neurocirurgiã. Mas quando ela deixa para trás sua vida em Baltimore e o conforto do Hospital Johns Hopkins para ingressar na residência cirúrgica do Seattle Gr...
